Posts by Erica

A Erica mora em Seul, mas já morou nos EUA, na Austrália e já passou temporadas na Espanha. É casada com o Mauricio e mãe de dois molequinhos (e grávida do terceiro). Arquiteta (oi?), interior stylist, editora da Revista OcaPop, blogueira old-school-não-profissional-por-prazer-mesmo, carioca da gema (da clara e da casca), curiosa, crítica, extremamente observadora. Adora inventar moda, é tiradora de retratos, gulosa, escandalosa (e discreta também, pode?). Adora viajar física e mentalmente; curte yoga, mas há tempos não pratica; encara a escrita e o desenho como uma necessidade vital, uma forma de terapia. Não sabe ser abreviada (notaram?). Desde que casou, vive com a casa nas costas, e os que deixou pra trás, no coração.

a primeira cerâmica

Como dizem por aí, a primeira vez a gente nunca esquece, né? O que a gente não ouve muito, mas que é ainda mais verdadeiro é que a primeira vez é normalmente desastrosa. Com a cerâmica não foi diferente, rsrs

Surgiu um cursinho de um dia para aprender um pouco sobre a cerâmica tradicional coreana. O curso incluía uma aulinha que ensinava uma técnica básica (coil) que colocamos em prática no dia.

Lá fomos eu e mamis, super preparadas, só que não, rsrsr

Chegamos lá cedo, mas não demorou até a sala ficar cheia. Cheia de pessoas super preparadas que claramente pesquisaram bastante antes da aula, porque na hora de colocar a mão na massa, só eu e mamis ficamos perdidas, sem saber o que fazer. Todo mundo já tinha traçado seu projeto. Havia até quem copiava da internet algum modelo mais rebuscado. Não eu e mamis. Nós duas estávamos lá entregues à própria sorte, e assim fizemos nossos vasos super básicos, que chegavam a destoar dos demais. Ó vida. Mas ficou a lição: jamais ir para uma aula despreparada.

Mas como diz minha mãe, o lado positivo é que temos espaço para melhorar. Ô se temos, hahaha

Além disso, o dia estava bem bonito, apesar do frio extremo, e o curso foi numa sala do Museu Nacional da Coreia, que é bem bonito. Então, nem tudo foi perdido, rs

Esta semana fui buscar os benditos vasos que, thank God, não quebraram após a fornada. O meu (direita) ainda sofreu umas rachaduras, mas sinceramente, eu nem esperava que fosse sair inteiro, então foi lucro, rs. Mas acho que na minha vida inteira, nunca fiz uma coisa tão básica, tão sem graça. Mami (esquerda) ainda se atreveu a uma bossa na borda. Eu nem isso fiz. A travadona, hahaha

Mas não há de ser nada, se dessa vez saí de lá arrasada, da próxima vez, vou arrasar 😛


33 semanas, faltam mais ou menos 7

Agora faltam menos de 2 meses – hopefully!

Esta noite foi cruel. Fui deitar já passava das 11, mas dormir mesmo só depois das 2 am. Nem rolar na cama eu pude, porque, virar de um lado pro outro é um sacrifício e tanto. Mas levantei pra fazer xixi e beber água 2 vezes nesse interim. E pensei tanto que achei que a cabeça fosse explodir. Pra completar, baby cismou de chutar (ou socar?) minha bexiga durante essas 3 lindas horas que passei insone. Que delícia! rs Eu que sempre sorrio quando sinto uma mexidinha aqui dentro, fiquei foi tensa, me concentrando pra não me assustar com os chutes/socos lá embaixo – e eles sempre vinham quando me distraía, claro, rs. Mas sobrevivi a mais uma noite. Acordei cedo, preparei o lanchinho dos meninos e os levei pra escola. Agora tô aqui no modo zumbi, mandando emails pra escolas, procurando casas… e daqui a pouco já tenho que sair novamente.

…..

A pele da minha barriga está esticada ao máximo, as veias saltam e as estrias, ah as estrias… estão tomando conta. Não há óleo, nem manteiga, nem creme, nem nada que as impeça de surgir. Não tem jeito, aquela barriga “saquinho murcho e enrugado” me aguarda – na melhor das hipóteses. Mas eu tô em paz. A maturidade traz isso pra vida da gente, essa paz. A maturidade e a vida longe das praias do Rio, rsrsrs

Fosse há 10 anos, eu estaria freaking out. Mas hoje, eu só olho e lamento, mas não sinto aquela tristeza estética. Pelo menos isso, rsrsr

E do alto da semana 33, sinto uma certa estranheza por não estar com aquela ansiedade própria das grávidas que vão chegando à reta final. Sinto quase uma culpa por isso. Como eu posso não estar ansiosa, antecipando a chegada do baby?! Como eu posso não estar curiosa pra ver o rostinho, segurar as mãozinhas, cheirar os pezinhos?!

Não é que eu não tenha vontade de conhecer meu terceiro rebento, diria que tá mais para uma auto-proteção, porque após a chegada do baby, começa oficialmente a correria para liquidar a lista de pendências a resolver antes e depois da mudança. E essa lista é tão vasta, mas tão vasta, que me dá um cansaço enorme só de pensar. Sinceramente não sei como sobreviveremos ao turbilhão que nos aguarda. A coisa só vai se acomodar um pouco lá pro final de julho, quando eu espero já estar instalada em nossa casa temporária (alugada – possivelmente um apartamento) e os meninos matriculados nas respectivas escolas novas.

Por ora, sigo tentando não antecipar os problemas, tô deixando cada um deles pro seu devido momento, até porque, de que adianta fica ansiosa, quando ainda não tenho como resolve-los?

Por ora, minha ansiedade está voltada para o que eu vou comer no dia em que o bebê nascer(!!!). Eggs benedict, com aquela geminha bem molinha escorrendo (vai anotando aí, marido!). No menu, também quero um sanduíche de salaminho, presunto de parma, ricota, rúcula e azeite na baguete. Faz tempo que não ligo mais tanto assim pra frios, mas essa gravidez sem comer salame e presunto de parma está me deixando na secura! Ia adicionar ao menu pós parto uma tacinha de vinho rosé, mas acho que estaria indo longe demais. O rosé pode esperar. O salaminho e a gema mole não 😛

Vivi e o basquete

Semana passada, Vivisauro fez teste pro time de basquete da elementary school e, vejam vocês, passou! Eu não sei se fiquei feliz ou triste. Talvez as duas coisas…

Feliz, porque obviamente, ver as conquistas de uma cria sua é melhor do que alcançar suas próprias conquistas. Triste, porque, puxa vida, os jogos vão começar a rolar bem no momento em que o bebê estará chegando. Como eu vou aos jogos? Como vou levar aquela faixa com o nome dele? Como vou pintar o rosto com seu nome e gritar da primeira fila da arquibancada: “vai viviiiiiiii!!!!”? Como? Como? Comoooo???

Há 11 anos que espero por esse momento, o momento proud soccer basketball mom. E justo agora, que o primogênito entrou pro time da escola, estarei impossibilitada de curtir de perto 😦

Oh well… Espero que na Flórida, eu consiga enfim ter meu momento frenético nas arquibancadas das quadras, afinal, o que é a vida de uma mãe que não consegue fazer o filho pagar mico com suas demonstrações de fã número 1? Tenho que aproveitar enquanto não preciso dividir o posto com as namoradinhas. Ai meu Deus, as namoradinhas… Em pensar que já já elas aparecem na esquina, chega a me dar um frio na espinha, hahahah

Congela, tempo, por favor!!!!!!

32 semanas – decisões, decisões…

Esse blog está quase monotemático, eu bem sei, mas o que fazer se nem sair pra bater perna eu posso mais?

O frio e a poluição fazem com eu que tenha que me refugiar em casa, me esconder na minha caverninha e por isso acabo mergulhando profundamente neste momento gestacional.

É chato ficar em casa, é muito chato não poder encontrar cazamiga pra passear, mas a prioridade não é me entreter, mas ficar bem, com a saúde em dia e a energia recarregada para enfrentar a possível maratona que me aguarda em, se Deus quiser, menos de 2 meses. Minha tosse está praticamente curada, não estou resfriada, nem com alergias e assim pretendo permanecer. Então, algo me diz que o tema gestação/maternidade prevalecerá soberano até os últimos dias dessa Minha Vida Coreana. Se bem que, do jeito que a coisa será enrolada em nosso último mês aqui, desconfio que teremos ainda narrativas dramáticas sobre os preparativos para nossa mudança pro outro lado do mundo.

Por ora só tenho a agradecer por essa gestação estar sendo bem legal, sem dramas intensos, dores insuportáveis, nem desconfortos fora do comum.

Vivo cansada? Sim. Acordo várias vezes no meio da noite pra, com alguma dificuldade, trocar de lado ou fazer xixi? Sim. Sinto aquela dorzinha pélvica na virilha direita, que me impede de saçaricar? Totalmente. Canso rápido quando fico em pé cozinhando? Ô! Tô me sentindo super pesada e desajeitada com esses 66 Kg (13 a mais até agora)? Claro. Sofro diariamente para acordar cedo, antes do sol, para preparar os meninos pra escola? Pode apostar. Mas, gente, não tenho que trabalhar sentada numa mesa o dia inteiro, não tenho que limpar a casa, posso tirar uma sonequinha durante o dia quando o cansaço aperta demais… Como reclamar?

Só mentalizo para ser agraciada com um parto tranquilo, um baby saudável, abundância na produção de leite, uma recuperação rápida e, claro, uma lua de leite plena. Amém.


Em tempo: Só pra não dizer que tá tudo, tudo suave nessa gestação, tive esta semana um episódio feio de constipação (too much information?) que me fez repensar seriamente na decisão de tentar um parto natural. Sim, porque uma das principais motivações (além de eu acreditar que é o melhor pro bebê), é não precisar de intervenções (anestesia, indução, cortes, cirurgia, remédios e mais remédios…) e assim me proteger de um flare up do Sjogren e ter um puerpério mais tranquilo, até porque, teremos o desafio de uma mudança, uma viagem longa e muitas decisões a tomar aqui e no destino, tendo um bebezinho a tiracolo. Mas, se um parto natural me colocar em risco de precisar encarar uma cirurgia na sequência, por conta do esforço, já começo a considerar que talvez seja melhor encarar de uma vez uma cesariana eletiva e call it a day. Acho que decidiremos isso na próxima consulta na clínica, conversando com o médico e a midwife.

Em tempo 2: Ontem estive no hospital, em consulta com o obstetra backup (caso eu precise ser transferida para um hospital maior) e ele mencionou que eu deveria tomar a vacina de coqueluche(!!!). Eu, que fiquei “chata”e não engulo mais solicitação de médico sem questionar, perguntei o motivo e se era realmente necessário. Ele disse que era uma vacina eletiva e que eu poderia me informar antes de decidir.

Não é que eu seja contra vacinas, não mesmo, muito pelo contrário, mas nunca tinha ouvido falar da necessidade de tomar esta vacina durante a gestação, aliás, nunca tomei vacina nenhuma (nem a de gripe que muita grávida toma) e não veria necessidade, já que o bebê começa a ser imunizado contra a doença aos 2 meses. Maaaaaas, após ler artigos aqui e ali, estou começando a considerar, simplesmente porque não tenho certeza se ao fazermos nossa longa viagem de mudança para a Flórida, o bebê já terá tomado as vacinas dos dois meses. Tudo vai depender de quando o bebê nascer… Porque eu certamente não quero arriscar viajar com um bebê tão novinho respirando aquele ar viciado de avião por horas a fio… Bom, tenho até a próxima consulta para definir mais essa.

Decisões, decisões…

Que semana!

Não bastasse mamis ter embarcado pro Brasil logo no inicio da semana, deixando um vazio imenso na casa, a Lei de Murphy atuou direitinho e, justo quando não tinha mais o suporte extra tão importante, Vivi adoeceu. A asma se manifestou intensamente, o bonitinho perdeu 3 dias de aula e eu fiquei em casa, às voltas entre cuidados com o doente e com os afazeres de todos os dias (somados àqueles de quem está se preparando para a chegada de um baby). Foi cansativo, mas não poderia mandar o Vivi pra escola, o risco era muito grande.

Duas amigas aqui estão com os filhos com pneumonia, sendo que um deles está internado e assim ficará por uma semana pelo menos. Pânico define.

Vivi ainda não está 100%, mas pelo menos já não sente mais dores no peito e já consegue respirar. Sério, cada vez que ele tem essas crises, quem fica sem ar sou eu.

Mas se Deus quiser, amanhã, mesmo com a tosse que persiste, ele volta à rotina escolar.

A asma dele não é um evento constante, ele não usa bombinha diariamente, nem anda com ela na mochila. Os ataques ocorrem exclusivamente por causa da exposição ao frio e/ou poluição, logo, esse inverno coreano é extremamente nocivo a sua saúde. Isso me faz, mais do que nunca, contar os dias para nossa mudança para a Flórida. Não há amor pela Coréia que valha ver um filho sofrer assim. Estou absolutamente em contagem regressiva para uma vida nova, num lugar quentinho, úmido e com ar puro.

Coupang!

Mais um da série: Coisas que me fazem sentir saudades antecipadas da Coréia 🙂

Comecei a usar o Coupang faz alguns meses e o vício da facilidade me pegou feio.

O site é em coreano, mas usando o tradutor de página do Chrome, o sucesso é garantido. Coisas que antes em comprava no iHerb, agora compro mais barato no Coupang. Mas o principal atrativo desse site coreano é o rocket shipping que entrega milhares de produtos em menos de 24 horas.

Precisa de produtos de limpeza, alimentos (frescos, congelados, empacotados…), fralda, brinquedos, qualquer coisa (!) pro dia seguinte? Não tema, o Coupang entrega.

Ontem mesmo, já era noite quando encomendei luvas de borracha e esponjas de lavar louça. Chegaram esta manhã.

Não são todos os produtos que são entregues com tanta rapidez, mas mesmo os que “demoram” não demoram tanto assim.

E eu mencionei que a entrega é grátis? pois é…

Claro que alguns produtos cobram entrega, mas até hoje, tudo o que comprei foi entregue de graça. E olha que todo dia tem encomenda chegando aqui na porta, hein!

You gotta love Korea! And I… I am going to miss Korea. Very much.

31 semanas, os hormônios e o até breve

Trinta e uma semanas se passaram desde a concepção, desde aquele dia em que um descuido de férias se transformou no brotinho do quinto elemento da nossa trupe. Faltam aproximadamente 9 semanas até a chegada do terceiro rebento, a terceira cria da nossa já nem tão pequena família.

Hoje foi um dia triste, o mais triste deste ano. Dia em que acordamos mais cedo pra levar minha mãe ao aeroporto.

Após 3 meses conosco, mamis está voando de volta pro Brasil, onde ficará pelas próximas 5 semanas, antes de retornar pra cá para dar as boas vindas ao mais novo integrante da família.

A despedida no aeroporto foi rápida, tão rápida que não deu tempo da ficha cair. Mas chegando em casa, ao me deparar com aquele quarto vazio, o vazio no peito cresceu, tomou conta da alma, a tristeza transbordou e o choro desceu. Os hormônios definitivamente não ajudam, né?

Me recolhi e chorei o rio Amazonas inteiro, depois me recompus e, me arrastando fui tocar a vida, porque ela continua.

Mas não há de ser nada, já entrei em contagem regressiva novamente – em 5 semanas, mamis estará de volta. Aliás, este é o ano das contagens regressivas: a volta da mamis, o nascimento do baby, a mudança para a Flórida… e, claro, as visitas que receberemos lá 🙂


Em tempo: queria muito, muito, muito mesmo, que papis pudesse vir também, porém, acho que a visita do vovô terá que ficar para a Flórida, afinal, alguém tem que cuidar dos netinhos que estão no Brasil.