naughty baby!

Ontem à tardinha, baby resolveu se agitar, mais parecia que estava rolando uma festa de arromba aqui dentro de tanto que o bichinho mexia. Foram horas sem parar e eu sem entender nada, porque assim como os meninos, baby número 3 nunca foi lá muito agitado(a) e sempre se mexia nos mesmos horários. Cheguei a ficar preocupada, já que, em tese, na reta final, os bebês tendem a se mexer menos, por falta de espaço.

Hoje pela manhã, os movimentos voltaram ao normal, mas para meu desespero, senti o soluçar (que até então sentia lá em baixo) do lado esquerdo, acima da linha da cintura. Será que o(a) danadinho(a) virou de cabeça pra cima?!?!

Bom, agora, já no fim do dia, voltei a sentir o que parecem ser chutinhos na parte superior do lado direito, que é exatamente onde vinha sentindo, logo, pode ser que baby esteja não de cabeça pra cima, mas atravessado na barriga – o que também não é positivo.

Outra coisa que me leva a crer na posição transversal é o fato de que estou caminhando com muito mais facilidade hoje. Não pareço mais aquela pata-choca, tampouco cágado manco. Também sento e levanto da cadeira sem sentir aquelas dores pélvicas que estavam acabando comigo. Muito estranho.

(opa, peraí, acho que senti uma cosquinha lá embaixo)

Bom, daqui a dois dias tenho nova consulta. Vamos ver o que o ultrassom tem a nos dizer. Dedinhos cruzados, torcendo pelo melhor.

Aos 45 do segundo tempo

Esta é minha terceira e última gestação e desde a primeira que desejo fazer um ensaio de gestante, mas nunca rolou.

Quando estava esperando o Vivi, a grana era curta e os fotógrafos americanos cobravam uma pequena fortuna, então acabamos pedindo pra nossa amiga Gi clicar umas fotos assim de última hora. Eu já estava na reta final, com pouquíssima disposição e cara de cansada o tempo inteiro. Mas clicamos umas fotos no quintal, com a mesma roupa que eu estava cochilando no sofá quando ela chegou lá em casa. Sem maquiagem, descabelada, sem produção e especialmente, sem disposição. Só levantei do sofá e encarei os cliques porque ela insistiu 🙂

Quando esperava o Nickito, em terras australianas, as fotos, também mega improvisadas, saíram acho que dois dias antes do nascimento, ou seja, já na quadragésima primeira semana. As fotos foram clicadas no quartinho dos meninos, pela mais que já estava lá em casa havia um mês. A barriga quase não coube na foto, de tão grande. Mais uma vez, as fotos foram tiradas com a roupa que eu estava na hora, sem makeup, meio descabelada, sem produção e com ainda menos disposição, afinal, quem é que fica animada pra fotos com o peso das 41 semanas de gestação? Eu certamente não, rs

Desta vez, pensei que fosse rolar um ensaio profissional, especialmente porque tenho aqui na Coreia uma amiga fotógrafa maravilhosa que desde o início esteve super disponível, entretanto, o tempo foi passando, a pança crescendo e o “vamos combinar” foi rolando, rolando, até que disposição que ficou pequenininha bem mais cedo que nas gestações anteriores, desapareceu completamente. Na época que eu estava me sentindo melhor, era inverno, a friaca estava intensa e eu não queria arriscar uma gripe. Sem falar da poluição que este ano tem sido especial. Soma isso com aquilo e põe na conta a idade, rs, o resultado foi esse: não rolou ensaio nenhum no inverno.

Porém, como a primavera exerce um poder fenomenal sobre esta pessoa aqui, foi só as flores desabrocharem que minha energia e disposição resolveram dar o ar da graça. E foi exatamente no domingo passado, quando me programei para ver o festival das cherry blossoms que, ao checar a temperatura pensei: “ah, de jeito nenhum que vou sair de casa de calça e casaco. Vou entrar num vestido de qualquer maneira!” E enquanto eu entrava no vestido, o mesmo que usei no Reveillon de 2010/11, pensei: “quem sabe mamis consegue tirar umas fotos minhas?”

Mais uma vez, lá fui eu no improviso (porque se combinar não rola), sem makeup, com os cabelos até meio sujinhos, cara de cansada, olheiras, sem produção, porém com a disposição que só a primavera me proporciona. E, graças ao olhar e poder de composição da mamis, consegui finalmente, aos 45 do segundo tempo, um ensaio de grávida super digno 🙂

É importante acreditar! Quem espera sempre alcança 😉

PS. O álbum completo está no Facebook 🙂

39 semanas – spring has sprung

Oh my, oh my!

Já são 39 semanas de pança, 39 semanas carregando nosso terceiro rebento, o quinto elemento da nossa not so little family.

Domingo, aproveitamos o belíssimo dia de sol e ar moderado para apreciar as cerejeiras na Seoul Forest e, claro, com aquele background maravilhoso, rolou meio que de improviso, um ensaio da barriga feito com muito amor pela vovó que, cá entre nós, tem um olhar magnífico para fotografia.

Eu tava sem maquiagem, com o cabelo meio sujo, cara de exausta (carregar o barrigão não é moleza, não!), olheiras de panda, usando um vestido que tem quase uma década, mas ainda assim, as fotos saíram graciosas, graças à sensibilidade, olhar e composição da vovó.

Passamos uma tarde bem gostosa cercados do ar primaveril das cerejeiras. Se este tiver sido meu último fim de semana grávida, ficarei feliz, foi muito bem aproveitado, vi enfim o florescer da nossa última primavera coreana. E, melhor, sem precisar de casaco!

Os registros desse meu ensaio, deixarei para um próximo post. Ainda estou selecionando as favoritas 🙂

Na segunda-feira, aproveitando o embalo das cerejeiras, fomos saçaricar cazamiga no Yeouido e, gente, como está deslumbrante aquele parque.

Inspirada pelo dia anterior, saí novamente de vestido, só que mais levezinho. Quase morri com o vento gelado que pegamos. A inteligência rara aqui não se tocou que apesar da previsão ser de céu azul e temperatura amena, estávamos saindo de manhã, quando é sempre mais frio. O tempo só foi esquentar após o almoço. Mas valeu a exposição – contanto que eu não pegue um resfriado, arrependimento zero, rs

A consulta desta semana (se Deus quiser, a última antes da chegada do bebê) está marcada para sexta-feira, que será também o dia de conhecer minha doula. Resta saber se baby vai esperar até lá. Tudo indica que sim, mas vai saber, né? Tantas coisas foram diferentes com esta gestação que não me surpreenderia muito e até me agradaria se baby chegasse antes da data prevista.

Pra mim, de tudo o que foi/tem sido diferente, o mais estranho é a total ausência da fase de “nesting”. Toda aquela urgência em deixar tudo pronto pra chegada do bebê foi algo que não experimentei at all durante esses 9 meses. Logo eu, que vivo nesting! Mas atribuo isso a nossa mudança que não tardará acontecer. Meu inconsciente deve ter trocado uma ideia com meus hormônios e juntos decidiram pegar leve, afinal de contas, do que adianta toda aquela ansiedade para arrumar o ninho se ele terá que ser desmontado num piscar de olhos, não é mesmo? O importante é que o básico está pronto: baby tem roupas, fraldas, trocador, banheira e bassinet esperando por ele. E claro, uma família inteira ansiosa por sua chegada.

Eu, só agora, estou começando a sentir uma pontinha de ansiedade por conta da incerteza de como será o parto. Bebê grandão, histórico não muito animador de “deliveries”… Já cheguei a pensar em suspender o lance todo do parto natural e marcar a tal da cesariana. Lá no fundo, muito embora o médico diga que o quadro todo é bem positivo, começo a ter um medinho de algo dar muito errado. Mas talvez isso seja apenas pensamentos insanos de uma grávida de 39 semanas, às vésperas de entrar em trabalho de parto. Na verdade, o que me impede de jogar todo o planejamento pro alto é o fato de VBACs serem mais aconselháveis/seguras do que cesarianas repetidas. Mas que dá um medinho, ah isso dá. Até porque, não existe a possibilidade de gritar por uma epidural na hora do desespero. Ou vai a seco, ou vai pra faca de emergência.

Anyways, falta menos de uma semana para a data prevista. Quando será que baby chega? Será menino ou menina? Ah, e por falar nisso, Nickito, noutro dia, cansou da minha indecisão e decidiu o nome caso seja uma baby girl: Alice (apelido: Lily). E disse que o assunto estava encerrado. De fato, Alice estava no topo da lista das possibilidades. Era o favorito também do Vivi… Só eu que estava encrencando, por não curtir a pronúncia in English. Mas vamos ver. Se for menina e tiver cara de Alice, assim será. Mas sempre pode me dar a doida na hora e mudar de ideia completamente.

Por enquanto, sigo comendo comida apimentada, caminhando, subindo escada, tomando duas xícaras de chá de folha de framboesa e comendo 6 dates por dia (depois desta gestação jamais comerei dates novamente!), esperando baby dar o ar da graça.

38 semanas – quase lá.

Agora só faltam duas! Em tese, pelo menos…

Está quase tudo mais ou menos preparado para a chegada do bebê. Digo “quase tudo” porque eu ainda não estou :O) As noites têm sido tão mal dormidas, com tantas dores nos quadris, sem conseguir encontrar uma posição confortável, e tantas têm sido as viagens noturnas ao banheiro, que quando tento imaginar o bebê ali dentro do bassinet ao lado da cama, em vez de dentro da barriga, aumenta ainda mais o meu cansaço.

Baby number 3, acho, será um desafio tão grande quanto o number 1. Penso que até maior. Às vezes sinto como se fosse minha primeira vez, meu primeiro bebê – e, de fato, em muitos aspectos, será a primeira vez. É a primeira vez que tenho um bebê surpresa. A primeira que tenho um bebê temporão. A primeira vez que tenho um bebê aos 40. A primeira vez que não tenho um quartinho pronto para receber um filhote. A primeira que não tenho um enxoval completo antes do nascimento. A primeira vez que não sei o sexo do bebê. Nem um nome definido. A primeira vez que terei uma doula – aliás, este é um dos “detalhes” que ainda não estão prontos, ainda não contratei a doula oficialmente, apenas demonstrei interesse. A primeiríssima vez que às 38 semanas não me sinto ansiosa. Quando digo que estou muito mais relax nesta gestação, não estou exagerando.

E no hall das primeiras vezes, espero que este terceiro rebento me surpreenda com outras novidades.

Espero, por exemplo, que, pela primeira vez, eu tenha um parto realmente natural e bem sucedido (mas se não rolar, tudo bem, o importante é que baby nasça com muita saúde e eu também tenha de sobra para cuidar bem dele). Espero que a recuperação, pela primeira vez, seja tranquila (mas se não for, torço para que dois meses depois eu esteja pronta física e psicologicamente para encarar nossa longa viagem de mudança). Espero também que, pela primeira vez, eu tenha um bebê que já “nasça sabendo” mamar. E que durma à noite. E de dia. E quando eu digo “durma à noite e de dia”, não estou me referindo a noite inteira como sonham muitas mães. Estou me referindo àquelas 2 ou 3 horinhas seguidas básicas da noite e às sonecas diurnas de pelo menos 40 minutos (coisa que nunca conheci). Tudo isso seria completamente novo pra mim.

Anyway, enquanto eu espero por tudo isso, vou aproveitar que estamos começando a ter dias bem menos frios e beeeem menos poluídos para voltar a caminhar, não só para vigiar o florescer da primavera, mas também para aliviar o desconforto que o peso da barriga tem me causado. Quando estou caminhando não sinto nem um quinto das dores nos quadris que sinto quando estou em pé parada, ou sentada, ou deitada sobre um lado por muito tempo.

Aliás, quinta-feira fomos à consulta das 38 semanas e baby está com 3.5Kg e bem acima da média, mas ainda dentro da curva. Médico e parteira aconselharam regular mais a dieta e fazer exercícios, para que o bebê não ganhe muito mais peso, senão já viu, né? (eu sempre me preocupo com o tamanho do cabeção). Que bom que o ar e a temperatura têm colaborado com meu retorno às caminhadas. Mas realmente preciso voltar a me alimentar melhor. Não que minha alimentação esteja trash, mas tenho comido mais doces do que gostaria. Beeeeeem menos que nas gestações anteriores, mas bem mais do que acho que deveria.

Durante a consulta, também fomos aconselhados a contratar uma doula coreana que seja bilingue, já que não há garantia que minha parteira falará inglês (a menos, é claro, que eu pague extra por isso) e o médico, claro, só entra em ação caso seja necessário. Pelo visto, tudo aqui é extra para quem tem o plano de saúde do governo e não opta por cesariana. Too bad for us… Mas vamo que vamo, porque a hora tá chegando.

Agora, preciso dizer que é no mínimo bem irônico que nossas férias no Vietnã, que deveriam ter sido bem baratinhas, tenham saído tão caras, né? rsrsrs Estamos pagando o preço até hoje, e continuaremos pagando pelo menos pelos próximos 20 anos, rsrs

Oh well, é aquele famoso barato que sai caro :0)

e quando a gente menos espera, cai a bomba

E aí você tá lá heavily pregnant, faltando 2 semanas pra sua due date, quando seu filho ainda caçula solta uma bomba que te deixa completamente sem norte.

Ontem à noite, eu já estava na cama, quando o Nickito aparece com um ar triste e me pede para conversar. Na verdade já fazia uns dois dias que ele estava me sondando, sem nunca chegar a verbalizar. Mas ontem, antes mesmo de conseguir começar a falar, meu pitoquinho de gente (que nem é mais tão pitoquinho assim), desabou a chorar. Chorou um choro sentido e entre soluços, soltou finalmente seu desabafo.

A bomba.

“Eu não quero um bebê. Não quero um baby sibling. Não quero que mude nada. Quero só nós 4. Não quero mais uma criança. Eu gosto como está. Eu e Vinny. Só.” e continuou… “eu sei que não tem o que fazer, que o bebê vai chegar daqui a pouco, mas eu não estava mais aguentando fingir. Eu não estou feliz. Queria estar, mas não estou. Nunca estive.”

Olha, ouvir isso do alto das minhas 38 semanas não foi moleza, não.

Mas não parou por aí. As preocupações que meu pitoco colocou pra fora foram muito mais inesperadas. Disse que seria muito diferente ter um bebê chegando agora, seria como um estranho que não compartilha das nossas memórias, não foi aos lugares que fomos, não viveu tudo o que vivemos… Se mostrou muito preocupado também com o fato de que o bebê ia ter muito menos tempo comigo e com o pai do que ele e o irmão, que quando ele (o bebê), tiver 30 anos, eu já serei “velhinha”. Disse também que não queria me perder, mas que coisas ruins poderiam acontecer com a chegada do bebê. O que ele iria fazer sem mim?

Ouvi tudo isso, todas as suas preocupações tão profundas, tão inesperadas para uma pessoinha da sua idade, e o desespero tomou conta de mim. Logo eu que estava tão zen, tão despreocupada, agora me encontro num estado de elevadíssima ansiedade, de quase desespero.

O que eu posso fazer, além de confortá-lo, dizer que entendo e garantir que ficará tudo bem, que esse sentimento todo vai passar, se transformar?

Mas infelizmente, meu pequeno pensador não se contenta com “garantias”, ele sabe que muito pouco posso garantir, que muita coisa está absolutamente fora do meu controle. Como, por exemplo, eu posso garantir que nada ruim acontecerá no parto? Como posso garantir que a vida dele não vai mudar? Como posso garantir que, com a chegada do bebê, poderei dar toda a atenção que ele deseja?

Uns dias atrás, ele, deitado ao meu lado no sofá, me perguntou: “mamãe, quando você não estiver mais com esse barrigão, você pode voltar a fazer as coisas divertidas que fazia comigo? Voltar a sair pulando pela rua, apostar corrida… aquilo tudo que a gente fazia junto antes de você estar grávida? (me cortou o coração)

O que eu sei é que ontem à noite, depois de todo aquele desabafo, ele pediu pra eu soltar meu cabelo e, entre cachoeiras de lágrimas, se pôs a mexer num faixo, exatamente como fazia quando era menorzinho, do mesmo jeitinho. E chorou ainda mais, como se estivesse se agarrando às memórias todas que construiu até hoje, como se quisesse eternizar os momentos todos vividos.

Antes de capotar de exaustão, já tarde da noite, me fez um último pedido: uma pulseira que ele pudesse usar o tempo todo, que não precisasse tirar nunca, que ficasse sempre com ele. Mas eu teria que fazer com minhas próprias mãos, especialmente pra ele. Como negar? Como não me rasgar por dentro em um milhão de pedacinhos diante desta alma sensível?

Com todos os ataques, todos os problemas, todas as malcriações, birras e atrevimentos, Nickito é um ser humano de uma sensibilidade ímpar, mesmo sendo ainda tão pequeno, tão novinho.

Por fim, ele dormiu e me deixou ali a pensar em tudo o que ouvi.

Não é fácil, viu? Quando eu poderia supor que dentro de um corpinho ainda tão novinho pudesse ter um peito tão cheio?

Só me resta rezar pra que, com a chegada do bebê, Nickito se apaixone e esse sentimento que hoje lhe causa tanto sofrimento, se transforme num grande amor.