E não é que baby veio na data combinada?!

Foi sofrido mas foi lindo, foi intenso mas foi relativamente rápido. Foi minha terceira vez, mas foi também a primeira. Agora posso e vou fechar a fábrica com a certeza de que a família está completa.

Toda dor valeu a pena.

No domingo as contrações começaram ainda de madrugada, beeem irregulares e suportáveis, porém com o diferencial de que não eram apenas o útero contraindo no modo Braxton Hicks, porque junto com as contrações vinha uma dor tipo cólica menstrual.

Catei as últimas coisas e deixei as malinhas preparadas, porque algo me dizia que o baby tava batendo na porta.

Conforme o dia foi passando, as dores foram aumentando de intensidade e frequência, porém continuavam irregulares. No fim do dia como a coisa não parecia estar evoluindo, resolvi sair pra dar uma caminhada ladeira e escadaria acima. Foram 30 minutinhos só, durante os quais não senti nenhuma contração. Até desanimei. 

Chegando em casa, jantei e me preparei para sair, porque apesar das contrações seguirem super irregulares (10, 7, 20, 10, 15…) a intensidade estava aumentando consideravelmente. Lá pelas 9:30 da noite  resolvemos ligar pra parteira e pra doula e sair de casa, mesmo não estando 10 minutos a parte por uma hora, porque com o nick, as contrações nunca ficaram regulares. 

Ainda bem que fomos!

No caminho, de repente as contrações estavam super fortes e com intervalos de 5 minutos. Pra deixar a coisa mais divertida, marido erra o caminho. Me vi tendo que monitorar o aplicativo das contrações e o navegador. Nada divertido. 

Chegamos no hospital e já esperavam por nós. A dor já era bem insuportável e piorava a cadacadavez.

Eram 10:30 da noite e eu já estava com 6cm de dilatação. Baby estava a caminho!

A partir daí foram as 3 horas mais longas da minha vida. Um desespero. Mas nada se compara ao desespero dos minutos finais, quando com o auxílio de um espelhinho pude ver o courinho cabeludo pra caramba do baby apontando pra sair. BTW, antes disso, no meio dos “pushes”, a parteira sugeriu que rompêssemos a bolsa, para agilizar o processo, porque a bolsa estava impedindo o bebê de descer. Assim fizemos e a partir daí, tudo aconteceu bem rápido. 

Bolsa rompida, senti aquela cachoeira morninha jorrar e após mais alguns pushes, minha parteira, olhando no fundo dos meus olhos falou que aquela era a hora (foi nesse momento que ela me deu o espelho para eu ver a cabecinha da pequena). Que eu precisava fazer força para empurrar o bebê pra fora e para tanto a força não poderia ser com a cabeça mas com a parte de baixo, como quem vai ao banheiro. Eu achei que estivesse fazendo assim o tempo todo. Aparentemente não estava. 

Na próxima contração, juntei minhas forças e concentrei o esforço lá em baixo e neste momento senti um rasgo perto da uretra e uma queimação tão intensa que mais parecia que havia uma tocha acesa no meu canal vaginal. “Ferrou”, pensei, “não vou conseguir”. “Me ajuda!!!”, eu já falava/gritava(?) em português mesmo e tenho certeza que era entendida. O desespero quase tomou conta de mim, mas por sorte, naquele momento não lembrei que aquilo era um VBAC e que eu corria o sério risco de romper o útero fazendo força. 

A parteira (maravilhosa, por sinal), me guiou divinamente e me colocou no momento presente, concentrada na missão. Quando finalmente veio a próxima contração, empurrei com toda a força que me restava (aquela história de breath the baby out ficou pra próxima vida. Fomos pushing mesmo, porque o corpo pediu!) e tive a melhor sensação do universo quando senti que a cabeça saiu! Ainda faltava passarem os ombros, mas quem se importava? A cabeça já tinha passado e com ela a queimação. Os ombros e o resto do corpo todo passaram logo em seguida e eu me senti a mulher maravilha. Eu nunca, na vida inteira, me senti tão poderosa como naquele momento. Eu sei que mães tem parido naturalmente desde que o mundo é mundo, mas a sensação daquele momento foi única, singular, incomparável. E eu sou extremamente grata por ter vivido aquela experiência, aquele momento de êxtase. Segurar minha bebezinha nascida naturalmente nos braços me causou uma emoção ímpar. Uma emoção que não senti em nenhum dos outros partos. Só enxergava o quão linda e o quão perfeita ela era. Não pensei em contar os dedinhos, nem procurei saber se era menino ou menina (quem perguntou foi o pai, ao notar que colocaram um gorrinho azul no bebê). Estar ali com meu prêmio nos braços me bastava. “I did it!” Lembro que repeti algumas vezes. E não estava me referindo a bebê, mas ao parto em si! Ao parto vaginal, totalmente natural, aos 41 anos, com síndrome de Sjogren e após ter passado por uma cesariana de emergência há 8 anos. Se isso não é ser “empoderada”, não sei mais o que é 😛

It’s a girl, BTW 🙂 A still nameless baby girl.

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