e quando a gente menos espera, cai a bomba

E aí você tá lá heavily pregnant, faltando 2 semanas pra sua due date, quando seu filho ainda caçula solta uma bomba que te deixa completamente sem norte.

Ontem à noite, eu já estava na cama, quando o Nickito aparece com um ar triste e me pede para conversar. Na verdade já fazia uns dois dias que ele estava me sondando, sem nunca chegar a verbalizar. Mas ontem, antes mesmo de conseguir começar a falar, meu pitoquinho de gente (que nem é mais tão pitoquinho assim), desabou a chorar. Chorou um choro sentido e entre soluços, soltou finalmente seu desabafo.

A bomba.

“Eu não quero um bebê. Não quero um baby sibling. Não quero que mude nada. Quero só nós 4. Não quero mais uma criança. Eu gosto como está. Eu e Vinny. Só.” e continuou… “eu sei que não tem o que fazer, que o bebê vai chegar daqui a pouco, mas eu não estava mais aguentando fingir. Eu não estou feliz. Queria estar, mas não estou. Nunca estive.”

Olha, ouvir isso do alto das minhas 38 semanas não foi moleza, não.

Mas não parou por aí. As preocupações que meu pitoco colocou pra fora foram muito mais inesperadas. Disse que seria muito diferente ter um bebê chegando agora, seria como um estranho que não compartilha das nossas memórias, não foi aos lugares que fomos, não viveu tudo o que vivemos… Se mostrou muito preocupado também com o fato de que o bebê ia ter muito menos tempo comigo e com o pai do que ele e o irmão, que quando ele (o bebê), tiver 30 anos, eu já serei “velhinha”. Disse também que não queria me perder, mas que coisas ruins poderiam acontecer com a chegada do bebê. O que ele iria fazer sem mim?

Ouvi tudo isso, todas as suas preocupações tão profundas, tão inesperadas para uma pessoinha da sua idade, e o desespero tomou conta de mim. Logo eu que estava tão zen, tão despreocupada, agora me encontro num estado de elevadíssima ansiedade, de quase desespero.

O que eu posso fazer, além de confortá-lo, dizer que entendo e garantir que ficará tudo bem, que esse sentimento todo vai passar, se transformar?

Mas infelizmente, meu pequeno pensador não se contenta com “garantias”, ele sabe que muito pouco posso garantir, que muita coisa está absolutamente fora do meu controle. Como, por exemplo, eu posso garantir que nada ruim acontecerá no parto? Como posso garantir que a vida dele não vai mudar? Como posso garantir que, com a chegada do bebê, poderei dar toda a atenção que ele deseja?

Uns dias atrás, ele, deitado ao meu lado no sofá, me perguntou: “mamãe, quando você não estiver mais com esse barrigão, você pode voltar a fazer as coisas divertidas que fazia comigo? Voltar a sair pulando pela rua, apostar corrida… aquilo tudo que a gente fazia junto antes de você estar grávida? (me cortou o coração)

O que eu sei é que ontem à noite, depois de todo aquele desabafo, ele pediu pra eu soltar meu cabelo e, entre cachoeiras de lágrimas, se pôs a mexer num faixo, exatamente como fazia quando era menorzinho, do mesmo jeitinho. E chorou ainda mais, como se estivesse se agarrando às memórias todas que construiu até hoje, como se quisesse eternizar os momentos todos vividos.

Antes de capotar de exaustão, já tarde da noite, me fez um último pedido: uma pulseira que ele pudesse usar o tempo todo, que não precisasse tirar nunca, que ficasse sempre com ele. Mas eu teria que fazer com minhas próprias mãos, especialmente pra ele. Como negar? Como não me rasgar por dentro em um milhão de pedacinhos diante desta alma sensível?

Com todos os ataques, todos os problemas, todas as malcriações, birras e atrevimentos, Nickito é um ser humano de uma sensibilidade ímpar, mesmo sendo ainda tão pequeno, tão novinho.

Por fim, ele dormiu e me deixou ali a pensar em tudo o que ouvi.

Não é fácil, viu? Quando eu poderia supor que dentro de um corpinho ainda tão novinho pudesse ter um peito tão cheio?

Só me resta rezar pra que, com a chegada do bebê, Nickito se apaixone e esse sentimento que hoje lhe causa tanto sofrimento, se transforme num grande amor.

2 Comments

  1. Oi Erica ! Adoro seu blog e te acompanho desde a época de USA. Não costumo comentar muito aqui mas adoro ler seus posts e me partiu o coração ler esse de hoje.. Mas queria só te dizer do alto dos meus 46 anos com 3 filhos meninos que as coisas vão se acertar e tudo vai ser até melhor do antes, só diferente com a chegada do bebê. Eles vão aprender a amar o irmãozinho/a e essas incertezas/inseguranças vão ser coisas do passado. Bom parto pra você, fique tranquila e continue sendo essa mãe presente e carinhosa que eh com eles. Bjs

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