A primeira semana fora da barriga

Foram apenas sete dias, mas a sensação é que nossa pequena Pituquinha está por aqui faz tempo. De certo modo está mesmo. 

Ainda na clínica, achei que o leite não desceria, mas foi só chegar em casa, antes mesmo da pequena completar seu segundo dia de vida, que o leite veio com força total. E, claro, empedrou. Muita dor, muito sofrimento e muito desespero. Muito medo de virar mastite, pavor de ser obrigada a dar fórmula (tenho trauma). Foram 3 dias estressantes com os peitos feito pedra, mas como num passe de mágica (e muita massagem de baixo do chuveiro quente, muita compressa quente entre mamadas e muito nipple butter porque além de tudo, a pegada da pequena é sofrida), o leite desempedrou e uma parte do sofrimento passou. Agora falta a pequena aprender a pegar o peito corretamente porque não tá fácil, viu! Vou à lua cada vez que tenho que amamentar. Aliás, só de chegará hora, já me dá vontade de chorar. 

Eu sei, eu sei, “só” tem uma semana, ainda é cedo, eventualmente ela vai aprender… mas quando se está sentindo dor, uma semana é uma vida! 

Sem falar que, caracoles, foi cansativa esta primeira semana! 

Bebéia sem nome

E no terceiro dia de vida, Bebéia ganha um nome 🙂

Não é Alice, nem Lia, nem Luana, nem Mila (nem Camila). Bebéia, a partir de hoje, atende por Isabella, o nome que seria dado ao Vivi caso fosse menina. Ou seja, listas, listas e mais listas para no fim das contas voltar ao começo. Não garanto que não mudarei de ideia, mas garanto que de nada adiantará eu mudar de ideia porque registro e passaporte já foram encomendados rs

E não é que baby veio na data combinada?!

Foi sofrido mas foi lindo, foi intenso mas foi relativamente rápido. Foi minha terceira vez, mas foi também a primeira. Agora posso e vou fechar a fábrica com a certeza de que a família está completa.

Toda dor valeu a pena.

No domingo as contrações começaram ainda de madrugada, beeem irregulares e suportáveis, porém com o diferencial de que não eram apenas o útero contraindo no modo Braxton Hicks, porque junto com as contrações vinha uma dor tipo cólica menstrual.

Catei as últimas coisas e deixei as malinhas preparadas, porque algo me dizia que o baby tava batendo na porta.

Conforme o dia foi passando, as dores foram aumentando de intensidade e frequência, porém continuavam irregulares. No fim do dia como a coisa não parecia estar evoluindo, resolvi sair pra dar uma caminhada ladeira e escadaria acima. Foram 30 minutinhos só, durante os quais não senti nenhuma contração. Até desanimei. 

Chegando em casa, jantei e me preparei para sair, porque apesar das contrações seguirem super irregulares (10, 7, 20, 10, 15…) a intensidade estava aumentando consideravelmente. Lá pelas 9:30 da noite  resolvemos ligar pra parteira e pra doula e sair de casa, mesmo não estando 10 minutos a parte por uma hora, porque com o nick, as contrações nunca ficaram regulares. 

Ainda bem que fomos!

No caminho, de repente as contrações estavam super fortes e com intervalos de 5 minutos. Pra deixar a coisa mais divertida, marido erra o caminho. Me vi tendo que monitorar o aplicativo das contrações e o navegador. Nada divertido. 

Chegamos no hospital e já esperavam por nós. A dor já era bem insuportável e piorava a cadacadavez.

Eram 10:30 da noite e eu já estava com 6cm de dilatação. Baby estava a caminho!

A partir daí foram as 3 horas mais longas da minha vida. Um desespero. Mas nada se compara ao desespero dos minutos finais, quando com o auxílio de um espelhinho pude ver o courinho cabeludo pra caramba do baby apontando pra sair. BTW, antes disso, no meio dos “pushes”, a parteira sugeriu que rompêssemos a bolsa, para agilizar o processo, porque a bolsa estava impedindo o bebê de descer. Assim fizemos e a partir daí, tudo aconteceu bem rápido. 

Bolsa rompida, senti aquela cachoeira morninha jorrar e após mais alguns pushes, minha parteira, olhando no fundo dos meus olhos falou que aquela era a hora (foi nesse momento que ela me deu o espelho para eu ver a cabecinha da pequena). Que eu precisava fazer força para empurrar o bebê pra fora e para tanto a força não poderia ser com a cabeça mas com a parte de baixo, como quem vai ao banheiro. Eu achei que estivesse fazendo assim o tempo todo. Aparentemente não estava. 

Na próxima contração, juntei minhas forças e concentrei o esforço lá em baixo e neste momento senti um rasgo perto da uretra e uma queimação tão intensa que mais parecia que havia uma tocha acesa no meu canal vaginal. “Ferrou”, pensei, “não vou conseguir”. “Me ajuda!!!”, eu já falava/gritava(?) em português mesmo e tenho certeza que era entendida. O desespero quase tomou conta de mim, mas por sorte, naquele momento não lembrei que aquilo era um VBAC e que eu corria o sério risco de romper o útero fazendo força. 

A parteira (maravilhosa, por sinal), me guiou divinamente e me colocou no momento presente, concentrada na missão. Quando finalmente veio a próxima contração, empurrei com toda a força que me restava (aquela história de breath the baby out ficou pra próxima vida. Fomos pushing mesmo, porque o corpo pediu!) e tive a melhor sensação do universo quando senti que a cabeça saiu! Ainda faltava passarem os ombros, mas quem se importava? A cabeça já tinha passado e com ela a queimação. Os ombros e o resto do corpo todo passaram logo em seguida e eu me senti a mulher maravilha. Eu nunca, na vida inteira, me senti tão poderosa como naquele momento. Eu sei que mães tem parido naturalmente desde que o mundo é mundo, mas a sensação daquele momento foi única, singular, incomparável. E eu sou extremamente grata por ter vivido aquela experiência, aquele momento de êxtase. Segurar minha bebezinha nascida naturalmente nos braços me causou uma emoção ímpar. Uma emoção que não senti em nenhum dos outros partos. Só enxergava o quão linda e o quão perfeita ela era. Não pensei em contar os dedinhos, nem procurei saber se era menino ou menina (quem perguntou foi o pai, ao notar que colocaram um gorrinho azul no bebê). Estar ali com meu prêmio nos braços me bastava. “I did it!” Lembro que repeti algumas vezes. E não estava me referindo a bebê, mas ao parto em si! Ao parto vaginal, totalmente natural, aos 41 anos, com síndrome de Sjogren e após ter passado por uma cesariana de emergência há 8 anos. Se isso não é ser “empoderada”, não sei mais o que é 😛

It’s a girl, BTW 🙂 A still nameless baby girl.

40 semanas finalmente

Eis que chegamos às quarenta semanas.

Esta madrugada comecei a sentir contrações irregulares, porém diferentes dos costumeiros Braxton Hicks, já que além da sensação do útero contraindo/barriga dura, estou sentindo também uma dor considerável abaixo da barriga que dura cerca de um minuto.

Estamos agora no fim do dia e os intervalos não estão constantes, variam entre 10 a 44 minutos, ou seja, ainda não estamos no ponto de ligar pra doula e parteira, tampouco de sair pro hospital.

Hoje tive um sangramento mais expressivo, mas passou e agora só aparecem uns spots eventuais, nada preocupante. Estou me sentindo bem entre as contrações, bebo água, como, sento na bola de yoga e até saí para uma caminhada ladeira/escadaria acima na tentativa de acelerar o processo. Estranhamente, não estou ansiosa – ainda – apenas grata por ter começado a sentir algo diferente, possivelmente indicadores que o trabalho de parto está se iniciando.

A barriga, aparentemente, está ficando mais baixa, o que já é um avanço, sinal de que o bebê está descendo, então mesmo ele não estando na posição ideal, acredito que já está mais bem posicionado que o Nicky estava.

Espero, sinceramente, que o processo não fique no vai e vem e que, em breve, as contrações comecem a acontecer em intervalos constantes e nós possamos partir em direção à clínica ainda esta madrugada.

No momento, o único problema é que se for menina, ainda não temos um nome definido, porque ontem descobri que Alice é o nome mais popular no Brasil desde 2015 :0| e eu não curto a ideia de colocar o nome da moda.

Ontem, no churrasco de aniversário de um amigo (possivelmente meu último evento social antes da chegada do #3), rolou muito brainstorming, vários nomes da minha antiga lista vieram à tona, mas eu e marido não conseguimos ainda chegar num consenso. Desconfio que se não vier um Thomas, baby girl ainda ficará alguns dias sem nome… mas isso é o de menos, né?

O foco agora é nesse trabalho de parto e na chegada de baby número 3 cheio(a) de saúde.

Bom, tô sentindo um cheirinho de farofa vindo da cozinha (possivelmente meu último pedido de grávida, rs) – é hora do jantar!

Em tempo: Enquanto Vivi está nas nuvens de tão empolgado, Nickito está especialmente inconsolável e eu com o coração em mil pedaços.

e a consulta das 39 semanas como foi?

Hoje saí de casa disposta a dizer pro médico que se o bebê não vier até o final da semana 40, prefiro partir para uma cesariana, mas durante a consulta ele, mais uma vez, se mostrou tão tranquilo e positivo diante do quadro, que nem mencionei o plano. Decidi aguardar mais um pouco.

Baby está pesando 3.8 Kg e o cabeção está acima da média, mas dentro da normalidade (75%). Os batimentos cardíacos estão perfeitos e o movimento fetal também está normal. Desta vez, deu até pra ver os cabelos 🙂

A posição continua a mesma, cabeça lá em baixo do lado esquerdo, olhando pra direita, tronco do lado esquerdo, pernas em cima e pés no quadrante superior direito, exatamente onde sinto os chutinhos. Baby está nesta mesma posição há mais de um mês, então acho que assim permanecerá – é o que espero pelo menos, porque ninguém merece uma virada de cabeça pra cima de repente, né?

O médico que segue muito tranquilo, disse que como está tudo muito favorável (bebê, líquido amniótico, minha saúde…), não há problema nenhum em aguardar o trabalho de parto se iniciar naturalmente até a semana 42, só precisamos continuar acompanhando semanalmente – ai, meus sais!

Meu peso não aumentou na última semana, aliás, até reduziu um pouco, acredito que por conta das caminhadas que tenho feito, graças à trégua que a poluição nos deu. Não há preocupação nenhuma, so far, com minha saúde nem a do bebê.

Hoje conheci minha doula, uma coreana super simpática e alto astral totalmente fora dos padrões, fala alto, ri sem esconder a boca e não respeita a bolha de privacidade :0) Gostei dela, rs

A facada do serviço será maior ao que esperávamos, mas fazer o quê? Põe na conta das férias do Vietnã do ano passado.

Acho que agora está tudo certo, é só aguardar a boa vontade do baby mesmo.

Uma nova consulta foi marcada para a próxima quinta, mas espero que baby chegue antes, porque já deu, né?

O bom é que tudo indica que terei mais um fim de semana para apreciar minha última primavera coreana :), poderemos visitar mais um parque, tirar mais umas fotos e poderemos também comparecer ao aniversário do nosso amigo/vizinho, que vai fazer um churrasco brazuca neste sábado. Não que eu esteja na mood de comer churrasco, muito pelo contrário – estou fugindo de carne vermelha faz tempo – a motivação é encontrar a brasileirada mesmo 🙂 Aliás, vou sentir falta dessa galera… espero que na Flórida a gente não demore a fazer amigos.

Espero também que meu próximo post seja breve, com o título “foi dada a largada” 😉

acho que perdi meu mucus plug – será?

Hoje pela manhã, notei um discharge meio esquisito, em vez daquela secreção usual, clarinha, veio uma parada vermelha escura/marrom. Dei uma procurada na internet e, aparentemente, o caso é normal. Pode ter sido o mucus plug começando a ser eliminado, o que, infelizmente não quer dizer que o bebê esteja se preparando para sua entrada (ou saída) triunfante, já que uma vez perdido o tal do plug ainda posso levar dias, até semanas para entrar em trabalho de parto. Bom, não temos semanas a esperar, já que domingo completo 40, então espero que em poucos dias tenhamos novidade.

Minha preocupação é que não tenho nenhum sintoma de quem está entrando em trabalho de parto, muito pelo contrário! Desde ontem, a tal da dor pélvica desapareceu, como num passe de mágica, da noite pro dia e, como já contei, já não ando mais feito um cágado manco, me sinto até mais leve! Será que baby resolveu subir novamente?

Ai ai ai…