oh vida…

-Mamãe, qual é o seu trabalho? Você não trabalha mais com a sua revista, né?

-Não, meu filho, não estou trabalhando com a revista. No momento meu trabalho é… vocês… :O|

-Peraí, então você não faz nada pra ganhar dinheiro???? O papai é que ganha todo o dinheiro da família?

-…

-É que noutro dia a professora perguntou pra todo mundo sobre o trabalho da mãe e eu não soube o que dizer o que você fazia… teve gente que disse que a mãe era artista…

(como se as mães dondocas lá trabalhassem, né?)

-Pois você poderia ter dito que sua mãe é arquiteta e/ou interior stylist. Apesar de eu não estar trabalhando agora, essa é minha profissão…

-Ah…

Quando eu optei por ficar em casa com as crianças, não pensei que esse questionamento fosse chegar tão cedo :(. Mas aqui está ele, no momento mais inoportuno possível, quando, em vez de estar voltando à ativa (o que era o plano para quando nos mudássemos de volta pros EUA), estou recomeçando a saga da maternidade full time, zerando o relógio, com um novo rebento a caminho.

E olha, definitivamente, não é fácil ser mãe full time. A vida de housewife é bem ingrata, especialmente quando este nunca foi o seu plano.

Nos meus planos, eu hoje teria uma vida divida entre casa, escritório e universidade (e tenho certeza absoluta que me cansaria muito menos assim). Quando terminei a faculdade, emendei logo na pós, enquanto trabalhava. Na sequencia, entrei pro mestrado, que esperava ter terminado e emendado no doutorado. Mas a vida tinha outros planos pra mim… Planos que eu abracei sorrindo e não me arrependo! Por outro lado, sinto muita falta de ter um pedaço da minha vida particular, um pedaço só meu. Meu trabalho, minha conta, meus colegas, meus clientes…

Dizem que a gente não pode ter tudo, né? Pelo menos não ao mesmo tempo… Especialmente se você escolheu acompanhar seu marido nessa vida de morar aqui e ali, sem raízes, ao sabor do vento, ou da vontade de mudar novamente.

Não dá pra reclamar da vida, né? Sou muito grata por tudo o que tenho vivido nesse quase 15 anos fora da caixa. Mas confesso, sinto falta da minha independência, da minha identidade, sinto falta de ser a Erica apenas, a Erica profissional, e não a mãe do Vinny e do Nick ou a esposa do Mauricio…

Mas vamo que vamos porque, como disse, estou prestes a zerar o relógio e recomeçar os trabalhos maternos com mais um bebê. O que será depois que o terceirinho crescer, só Deus sabe! Temos aí, pelo menos mais uns 3 anos pela frente até eu poder pensar novamente na Erica no singular. Quem viver verá! Até lá, o novo título que me caberá em breve é o de “mãe de três” , que cá entre nós é trabalhoso pra caramba, especialmente nessa vida pelo mundo e sem “secretárias” ;o)

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