A difícil arte de fazer enxoval na Coréia

Não é que aqui na Coréia não tenha produtos para bebê. Tem, mas no que diz respeito à roupinhas para recém-nascido, jesusamado, é impossível encontrar.

A realidade aqui é outra. Perdi as contas de quantos lugares eu fui à procura de roupinhas de recém-nascido e 0-3 meses e não encontrei nada! Nem em loja coreana, nem em loja internacional, nem em lojas de rua, nem em lojas de shopping. Simplesmente não existe roupa para recém nascido nessa terra.

Pra não dizer que não encontrei absolutamente nada, consegui comprar dois bodies de recém nascido e dois de 0-3 meses perdidos na H&M. Só.

Como num país altamente consumista eu não consigo encontrar roupinhas de recém nascido?? Como, meu Deus?

A resposta veio aos poucos…

Primeiro perguntei pro Mr. Google que me contou que bebês na Coréia só saem de casa após os 3 meses de vida. Oi? Pois os meus sempre saíram pra passear com poucos dias de vida.

Mas até aí, o mistério seguia, porque mesmo em casa, bebê precisa de roupa. Não precisar ser roupa super elaborada, nem com um super design, mas caramba, nem uns picadinhas de pezinho? Nem uns bodyzinhos básicos? Como assim?

Pois ontem, eu, mamis e uma amiga saímos decididas a voltar pra casa com o enxoval pronto. Saquei dinheiro e fomos pro Nandaemum Market, um mercado popular que tem uma seção enorme de roupas de bebês/crianças. Andei, andei, andei. Olhamos, olhamos, olhamos, perguntamos, perguntamos, perguntamos e tudo o que conseguimos foram duas blusinhas que me pareceram bem compridinhas, mas a vendedora jurou que eram para recém nascido.

Desistimos do mercadão e fomos ao Shinsegae, um shopping metido a besta. Pois nem lá encontramos. Pra não dizer que não havia absolutamente nada, encontramos duas peças na baby Gap e quando eu digo 2 peças, I mean it! Eram apenas duas pecinhas na loja toda, de 0-3 meses.

Ainda no Shinsegae, em lojas de marcas coreanas que vendiam roupinhas lindas de bebê, perguntamos pelas de recém nascido e, para minha surpresa (ou não), a mocinha me mostrou as mesmas blusinhas que vi no mercado, que ficavam meio que escondidas, comprovando que ninguém se interessa por elas. E ainda assim, cada blusinha custava quase 40 dólares. Choquei!

Vendo minha expressão de choque, a mocinha explicou que na Coréia bebês até 3 meses (às vezes até 6!) não usam calça, quando muito usam essas blusinhas de um modelo só. Sério, o modelo é único, o tamanho é único e não é nada prática. Fecha com um lacinho por dentro e dois por fora. A criança usa basicamente essa blusinha e a fralda e é enrolada num paninho. Super prático, mas achei desconfortável (e sem graça, confesso). Só agora, relatando essa história aqui é que me pus a refletir que talvez, apenas talvez, os coreanos não estejam tão errados assim… Talvez eu devesse mesmo aderir à cultura, comprar só blusinhas e paninhos e ver no que dá, até porque, o bebê mesmo pouco se importa com a roupa. Se estiver protegido, aquecido e confortável, é o que basta.

Mas e se eu resolver ou precisar sair de casa? Como vou sair com um bebê no sling (porque não pretendo comprar carrinho aqui na Coréia) só envolto num paninho? Ai ai… difícil viu?

O jeito é partir pra compras online.

E lá vamos nós!

Feliz Ano Novo às 25 semanas

E 2019 chegou.

Encerramos o ano cercados de alguns dos amigos que fizemos aqui na Coréia, com uma celebração simples, porém regada a muitas gostosuras, num clima leve e descontraído. A noite foi tão gostosa que sequer nos lembramos de registrar. Dessa vez, nem uma fotinha do grupo teve, nem mesmo da mesa com as comidas, nem mesmo das crianças brincando ou dos doguinhos fofos que passeavam pela casa. Mas posso garantir que não faltou animação. Infelizmente, os registros desses momentos ficarão impressos somente na memória.

O Ano Novo começou com as crianças fazendo um sleepover na casa dos novos amigos, vizinhos nossos e anfitriões do Reveillon, e eu passando uma noite quase insone, sentindo aquela queimação que só uma azia de gestante consegue proporcionar. Passei metade da madrugada sentada na cama. Divertido. Sóquenão.

Não sei se a fase da azia finalmente chegou com tudo ou se foi um evento pontual devido ao adiantado da hora da ceia e à quantidade de sobremesas que comi. Shame-shame-shame. E imagine que além do pé na jaca de ontem, hoje já acordei comendo torta de chocolate da mamis e bombom de morangos de travessa. Vergonha na cara? Nem sei o que é.

Mas sei bem o que é o peso da barriga e o grito da balança quando subo nela para checar a gravidade da situação. Sei também que aquela dor nas virilhas que me assolou durante os últimos meses da gestação do Nickito resolveu dar as caras. Já ando feito uma mistura de pata choca, pinguim e jabuti manco.

A resolução de hoje não é pro Ano Novo, mas para esta vigésima quinta semana de gestação: me esforçar para voltar pro eixo, colocar um fim nessa comilança de doces e finalmente começar a fazer um exerciciozinho diário. Sem falar da necessidade gritante de voltar a minha rotina de meditação. Pre-ci-so. Mas antes preciso dar um fim nessas sobremesas 😛

O resultado do exame de glicose sai esta semana. Estou bem perto da hora da verdade e já sem esperança. Mas sabe de uma coisa? Nem estou me estressando com isso, porque independente do resultado, eu sei o que tenho que fazer. O mais difícil é me manter firme, mas isso acho que conseguirei quando os moleques voltarem às aulas e minha rotina voltar ao normal.

E por falar em hora da verdade, estou desconfiando que este bebê não chegará na época esperada e, ao contrário dos meninos, virá bem antes. Primeiro porque é super comum isso acontecer com grávidas 40+ e segundo porque todos os bebês brasileiros que conheço que nasceram aqui, vieram apressadinhos, um tanto antes da data prevista – inclusive, o mais recente nasceu ontem, de supetão.

Early labor feelings….

Mas mais assustador do que ter um bebê programado para chegar em breve é ter uma mudança programada para acontecer com um bebê recém chegado. Sei que tô repetitiva, mas me causa uma grande inquietação imaginar a confusão que será empacotar a casa com um bebê tão novinho; fazer uma viagem de mais de 24 horas com um bebê tão novinho; chegar num outro país, sem casa, sem carro, sem móveis, com malas, duas crianças e um bebê tão novinho; ficar numa casa temporária pelas primeiras semanas e depois mudar para uma outra, ainda vazia… tudo com um bebê tão novinho. É de rotina que bebês precisam, né? Ah… pelo visto, isso não vai rolar.

Acho que a ficha da realidade está começando a cair. E é muita novidade para um 2019 só.