Desespero define.

Ontem, às vésperas de completar as 28 semanas, o bebê passou o dia inteiro sem se mexer. Acho e apenas acho, que senti duas mexidinhas muito sutis aqui dentro. Na verdade, a última vez que lembro ter sentido movimentos foi antes de ontem no fim do dia. 

Tentei não me desesperar, dei várias sequências de pulos, fiz exercícios de respiração profunda, tomei uma xícara café com leite, comi uma colherzinha de chá de Nutella, deitei de barriga pra cima, virei de um lado pro outro… mas nada adiantava, nada fazia o bebê se mexer.

O dia foi passando e eu não sentia nada, apenas Braxton Hicks (acho que umas 6 vezes ao longo do dia), o que não é considerado movimento fetal, apenas uma contração uterina.

À tarde fomos levar o Nick a um aniversário do outro lado da cidade e aproveitamos para ir a uma feira de bebês que estava rolando por lá (onde, por sinal, não compramos nada). Embora estivesse distraída, estava também focada na barriga, mas nada do bebê se mexer. Claro que fucei o Google de cabeça pra baixo e vi as mais variadas declarações, algumas com relatos aliviados, outras com informações assustadoras, como: “a partir da semana 28, se o bebê mudar o padrão de mexidas, corra pro médico”.

Quando finalmente fomos buscar o Nickito, eu já estava num estado de tensão fora do normal, já imaginando o pior, especialmente porque stillbirth (quando o bebê morre no útero) é uma das grandes preocupações reais das grávidas portadoras de Sjogren.

Mas como pode? Dois dias antes, na consulta, o bebê estava todo serelepe!

Voltamos pra casa, deixamos o Nick e fomos para a emergência do hospital aqui perto de casa. Chegando lá, nos disseram que o atendimento levaria de 2 a 3 horas para acontecer. Cancelamos a entrada, ligamos pra clínica e lá fomos nós novamente pro outro lado da cidade. Sorte que àquela hora não havia trânsito, então o que geralmente nos custa 50 minutos, levou não mais que 30. Intermináveis 30 minutos. Pela minha cabeça, passava de tudo. Se estivesse tudo bem, voltaríamos pra casa, mas se não estivesse, havia duas possibilidades: uma cesária de emergência para tirar um bebê prematuro, ou um anjinho. Só de lembrar, me dá um nó no estômago. Nem sabemos se é menino ou menina, nem nome escolhemos. Queria uma surpresa, mas não essa. 

Chegando lá, fomos prontamente atendidos – a melhor coisa que eu fiz foi mudar de clínica! Estivesse eu sendo acompanhada num Hospital normal, sabe-se lá quanto tempo levaria pra ser atendida. Tensão, muita tensão. A midwife ficou um tempão procurando os batimentos cardíacos e não encontrava. Fechei os olhos e virei pro lado, não queria ver nem ouvir o que ela poderia me falar. Não sei quanto tempo isso durou, mas pra mim, foi infinito. Não conseguia parar de pensar nos possíveis outcomes. Enquanto a midwife procurava os batimentos, eu rezava pra que o bebê estivesse vivo, mas a esperança ia diminuindo ao passo que ela mudava a posição do doppler.  E se eu perdesse meu bebê? 

Desistiram do doppler e partiram para a ultrassonografia. O equipamento disponível naquela salinha (a clínica estava fechada) era antigo, a imagem bem precária, mas finalmente nos permitiu ver que o coração estava se movimentando. Aliviada, desabei a chorar. Entretanto meu alívio durou somente uns poucos segundos, porque logo vi que apesar do coração estar se movimentando, o bebê estava inerte, completamente parado e assim ficou durante toda a investigação. E se ele tivesse tido uma morte cerebral?Pânico define. A sensação horrorosa de perder um filho sem nunca tê-lo tido nos braços é indescritível. Pela primeira vez durante esta gestação inesperada, vi que o amor nasce não com a chegada do bebê, mas na concepção. Como pode a gente amar tanto alguém que nem ainda chegou ao mundo?

Tudo me pareceu tão pequeno naquela hora que passei ali sendo monitorada. Tudo o que eu tenho na minha lista de coisas pra resolver antes da chegada do bebê ficou sem sentido, pequeno demais para merecer qualquer preocupação. Tudo o que importava era ter o bebê vivo. Vivo e bem, fosse dali a 3 meses, fosse dali a 3 horas. Parto natural, amamentação, fotos da barriga, chá de bebê, malinha de maternidade, bassinet, banheira, roupinhas, fraldas… mudança de continente com um bebê recém nascido… tudo tão insignificante. Tudo o que realmente importava estava dentro de mim, até aquele momento inerte.

O médico falou com o Mauricio pelo telefone e depois comigo. Ele não sabia o que dizer. Só podia me assegurar que o bebê estava vivo, mas sabia que pra uma mãe não basta que o bebê esteja vivo, é preciso que esteja bem e um bebê que não se mexe não é um bom indício.

Fiquei ali deitada, olhando pro teto, até que 15 minutos depois o médico chegava. Não sabia se ficava feliz ou desesperada. Ele abriu a clínica e trouxe para a salinha um dos aparelhos mais modernos de ultrassom. Disse também que me me colocaria na hidratação e glicose para relaxar, mas antes disso, enquanto preparava o equipamento, já às quase 10 da noite, senti uma cutucatinha de leve. Coloquei a mão do Mauricio sobre o local e sentimos juntos outras 4 vezes. Alívio. O médico ligou o aparelho, que tinha a resolução infinitamente melhor que o outro, e pudemos finalmente ver sutis movimentos do bebê. Enquanto via, sentia também. De repente, o bebê começou a se mexer mais e mais, como se estivesse compensando o tempo que ficou parado.

Mesmo após constatar que o bebê se mexia, o médico resolveu monitorar os batimentos e movimentos pro 30 minutos. Foram 30 minutos felizes, ouvindo um coraçãozinho acelerado e sentindo muitos movimentos, um atrás do outro.

Por que o bebê passou o dia inteiro sem se mexer? Não sabemos. Segundo o médico, bebês às vezes fazem isso – começam a desesperar a mãe ainda no útero(?). Ele também mencionou que o fato da placenta estar bem na frente da barriga faz como que movimentos mais sutis/preguiçosos não sejam sentidos, especialmente se o bebê estiver posicionado completamente atrás da placenta, o que definitivamente era caso até aquele momento, tanto que quando comecei a sentir os movimentos, percebi que eram sempre lá embaixo, ou nas laterais, ou bem em cima.

Que placenta inconveniente, viu!

Antes de ir embora, o médico me aconselhou: você precisa estar confiante e relaxada, precisa acreditar que está tudo bem. Não há como ter certeza sobre a saúde de um bebê ainda no útero, mas se você precisa ficar bem para que o bebê fique bem também”. 

Já falei que a melhor coisa que fiz foi ter mudado de médico? Essa atenção não tem preço. Bom, até tem, mas vale cada centavo.

Terminado o monitoramento, fomos pra casa. Aliviada, mas ainda tensa, nem consegui comer. Tomei apenas uma xícara de chá quentinho para aliviar a coceira na garganta que desencadeia a tosse que ainda não me abandonou e dormi.

Durante a noite não senti movimentos, mas logo pela manhã eles estavam presentes, do mesmo jeitinho de sempre. Só espero que permaneçam assim, constantes, pra que eu não passe por esse sufoco novamente. 

A verdade é que não há como garantir que o bebê está saudável com base numa ultrassom, mas saber que o coração está batendo e o bebê se mexendo é um alívio e tanto.

Hoje, após o banho de realidade que tomei ontem, entro na semana 29 da minha terceira e última gestação com a consciência real do que é importante e do que é supérfluo.

Não vou rasgar minha lista de coisas pra resolver antes da chegada do baby, tampouco irei ignorar todas as preocupações de parto e pós parto, mas certamente estarei mais focada no que realmente importa: estar bem para que o bebê fique bem.

Meditação, alimentação e exercícios de respiração voltam a ser prioridade máxima em 3, 2, 1.

Agora são 28

Mais uma semana foi pra conta: agora são 28.

No sábado passado, fomos à primeira das duas tardes de birthing class e preciso dizer que foi ótimo!

É cansativo? É. São 4 horas de aula por vez, mas foi tão, mas tão melhor do que as aulas que fizemos em Bloomintgon, há 11 anos, quando éramos marinheiros de primeira viagem. Tãaaaaaaaaao melhor!

O approach nada hippie, muito mais dentro do nosso estilo, foi um grande alívio. Os casais ali presentes, apesar de massivamente pais de primeira viagem, regulavam a idade conosco, o que me surpreendeu bastante. A instrutora, uma doula americana, mãe de 4 filhos, esposa de militar e super experiente com VBAC (3 dos 4 filhos da própria nasceram de VBAC), me ganhou já na apresentação.

A aula em si foi maravilhosa. Se tivesse feito este curso, com esse approach láaaa atrás, tudo teria sido bem diferente. Mas, a gente passa pelo que tem que passar, né?

dá um look no narizinho e na boquinha aberta ❤

O que sei é que estou me sentindo muito mais segura e confiante. Sinto que desta vez terei o apoio que preciso. Sinto que desta vez, o ambiente e a equipe estão completamente alinhados com minhas expectativas.

Na quinta, fomos a consulta das 28 semanas. Estava preocupada com o nível de líquido amniótico, já que, por causa do Sjogren, meu corpo não produz fluidos como deveria (o que também me preocupa com relação à amamentação, mas uma preocupação de cada vez).

Fizemos a ultrassonografia e, graças a Deus, o que não falta é “água na piscina”. Baby parece estar bem cercado de líquido amniótico.

O coraçãozinho também está ótimo e o baby cresce como deveria. Aliás, segundo a mocinha da ultrassonografia, o baby é grande – pelo menos é que a medida do fêmur indica. Deus me ajude a parir esse bebezão.

Na consulta com o médico, falei sobre minhas preocupações: a tosse e a dor na garganta, aparentemente com fundo alérgico, desencadeadas pela poluição e o terrível flare up que vem me assolando nos últimos meses. A recomendação foi me consultar com meu reumatologista e também com o clínico geral, para verificar como anda o Sjogren e os pulmões/garganta. O principal, segundo meu obstetra, é que, independente da autoimune, eu esteja me sentindo bem, com bastante energia, para o trabalho de parto que como dizem é praticamente uma maratona. E, sinceramente, não tenho me sentido nada preparada para uma maratona… Ao mesmo tempo que a Birthing Class me deixou muito mais segura, a minha condição atual me preocupa. Será que vou aguentar o tranco? E se aguentar, será que vou ter uma recaída ainda pior no pós parto?

Bom, semana que vem farei as consultas recomendadas e poderei então discutir com meu obstetra as possibilidades reais de parto.

Amanhã, domingo, completo, em tese, as 29 semanas. Ainda tenho muito a resolver antes da chegada do baby, mas tenho esperança que terei tempo para liquidar a longa lista. Veremos 🙂


Em tempo: notaram que o baby perdeu o perfil de Charlie Brown / Whoville character / macaquinho? 😛

sobre os cafés temáticos de Seul

Seul é repleta de cafés temáticos. Café dos gatos, dos cachorros, dos guaxinins, das ovelhas, dos meerkats… café da Hello Kitty, da Barbie, do Charlie Brown… café/studio fotográfico, café do cocô (isso mesmo, cocô!!)… Temas para todos os gostos 🙂

Recentemente fomos visitar um que em minha humilde opinião é o mais interessante, nem tanto pelo menu, mas pelo visual. Ele é todo preto no branco, parece as páginas de uma revistinha. Cada parede, cada peça de mobiliário, cada utensílio parece saído de um cartoon. Todo em formato de sketch, transformaram o espaço 3D em 2D. E o contraste das pessoas em roupas coloridas naquele ambiente é muito bacana.

Nossa primeira tentativa de visitar o espaço foi frustrada, era fim de semana e estava lotado. Voltamos então numa segunda-feira e estávamos praticamente sozinhas lá. Adorei!

Agora preciso voltar lá com os meninos. Fiquei imaginando fazer um ensaio fotográfico com eles bem coloridos naquele espaço bidimensional 🙂

o macaron de morango é divoooo! E olha que eu nem sou fã de macaron!

Quando eu digo que vou sentir falta de Seul, não é sem motivo.

O tal do #10yearchallenge

Esta semana, pipocou nas redes sociais um “desafio” novo. Confesso que não sou muito de aderir a essas hashtags (talvez por não me identificar com a maioria, ou por não achar relevante), mas desta vez, achei bem interessante ver como as pessoas mudaram nos últimos 10 anos. Na verdade, não as pessoas, mas a vida das pessoas, o foco.

Cem por cento das fotos que aparecem no meu feed com a hashtag #10yearchallenge mostram a evolução de mulheres nesta última década e o que eu vejo são mulheres com o sorriso mais sincero, menos posado, mulheres 10 anos mais velhas, mas muito mais bonitas (de verdade mesmo). Vejo mulheres que ganharam filhos e abandonaram a maquiagem. Mulheres plenas. Plenas e lindas.

Fui procurar fotos minhas há 10 anos e me deparo com duas situações, dois eventos que marcaram minha vida há 10 anos: 1- Vivi tinha acabado de completar um aninho de vida e eu ainda era uma mãe de primeira viagem, com muitas incertezas, muitos desafios, uma mãe que cometia muitos erros sem saber que estava errando; 2- Marido, prestes a concluir o doutorado, recebia uma oferta de emprego nas longínquas terras australianas, para onde fomos sem pestanejar. Iniciávamos então uma nova fase de nossas vidas, deixando para trás o capítulo americano indo para ainda mais longe da família, das raízes, da pátria amada.

Hoje, 10 anos depois, estamos fechando o ciclo, com data marcada para retornar pra terra do tio Sam – quem diria? – com nosso terceiro rebento temporão, no momento no ventre, mas até lá, recém-nascido.

Como nossa vida mudou! Nesse 10 anos, moramos nos Estados Unidos, na Austrália e na Coréia e, de lambuja ainda passamos duas temporadas vivendo na Espanha. Conhecemos uma pá de países, fizemos muitos amigos, ampliamos nossos horizontes, mudamos nossa alimentação… Tivemos também perdas irreparáveis, mas crescemos, amadurecemos. Hoje, quando olho para trás, vejo o quanto melhoramos como pais ao longo desses anos. Vejo também o quanto amadurecemos nossa forma de enxergar a vida e como começamos a valorizar o que é realmente importante.

Em tempo: quando mostrei essa montagem do #10yearschallenge pra minha mãe-sincera-até-demais, com o intuito de mostrar como a vida mudou (há 10 anos, tinha apenas um bebê e hoje tenho dois moleques crescidinhos e um bebê temporão na barriga), adivinha o comentário que ela fez??

“É, minha filha, o tempo marca… fazer o que?”

Pô, eu podia ter dormido sem essa, né? hahahaha Mas tudo bem, tô muito tranquila com as marcas do tempo e muito mais preocupada em estar bem por dentro do que por fora – meu foco e minhas prioridades mudaram muito nesses 10 anos. Ainda bem 😉

27 semanas

E foi dada a largada para o enxoval.

Após muito enrolar para dar início às comprinhas e, na sequência, muito me frustrar com minha procura por roupinhas de recém nascido, finalmente consegui dar o pontapé inicial. Entre Coupang, eBay e Aliexpress, estou conseguindo fechar os itens de primeira necessidade pro baby número 3.

Ah, como é boa a sensação de riscar itens da lista… ando tão devagar que já tinha esquecido como é 🙂

Mas agora que comecei, ninguém me segura!

A verdade é que nem tem tanta coisa assim pra comprar. Estou focando somente no básico para os 2 ou 3 primeiros meses. Só mesmo o fundamental.

O bicho vai pegar mesmo quando chegarmos na Flórida e eu tiver que correr atrás da montagem do quartinho (que nem projeto tem ainda) em paralelo ao resto da casa. Ai, meu Deus, nem casa teremos ainda! Melhor nem pensar. Deixemos este assunto pra depois, pro próximo blog – sim, porque a cada país, um blog (e um bebê).

Nesta vigésima sétima semana, o maior desafio pouco tem a ver com a gestação. Na verdade, a poluição é que está acabando comigo. Já não tenho mais uma gota de saliva, meus olhos ardem, me sinto fraca, meus ombros e joelhos doem como se estivesse permanentemente carregando um enorme peso nas costas e pra completar, nesses últimos dias ainda comecei a sentir um mal estar, quase um enjoo. Ah, tem também a tosse que sempre aparece nesses momentos. Estou atribuindo esse “flare up” ao elevado índice de poluição que cobriu Seul na última semana. Os sintomas alérgicos e do Sjogren desencadeados pela poluição demoram uns dias para se manifestarem, mas quando chegam, chegam com tudo! 😦

Mas oh, mesmo com todos os contratempos, até que essa gestação está bem tranquila – muito mais do que eu poderia supor. Tanto que tô bem tranquila, sem pressa/ansiedade nenhuma pro bebê chegar (bad mom, rsrsr), até porque, eu sei bem que minhas noites de sono, apesar de não estarem uma Brastemp com esse big bump e todo esse flare up, estão com os dias contados. Muito em breve, a Erica zumbi estará de volta. Então, bora aproveitar essas 13 (or so) semanas que faltam 😉

Destaques da semana 26

Já se foram 26 semanas, finalmente entramos no terceiro trimestre. Agora só faltam 13 ou 14 ou 15… (mais ou menos 3 meses e meio!) – se Deus quiser, um pouco menos que isso. Estaria bem satisfeita se o bebê resolvesse chegar às 38 semanas em vez de 40 ou mais, como de costume. Final de março seria perfeito.

A boa notícia da vez é que “gabaritei” os exames de glicose e hemoglobina – yay! Ou seja, descartadas a diabetes e a anemia – só me resta entender porque vivo cansada.

A má notícia é que ainda não consegui me livrar dos doces. E, pior, com uma certa vergonha, admito que agora que o resultados dos exames estava ok, tenho um incentivo a menos para cortar o mal pela raiz. Aquela motivação compulsória saiu de cena, deixando como incentivo “apenas” a boca extremamente seca e o cansaço muscular, próprios do flagre up do Sjogrens que têm estado fortemente presentes nos últimos meses.

Mas não vou reclamar muito, não. Até porque, a culpa desse flagre up é minha. Se eu estivesse andando na linha, comendo estritamente o que me faz bem, eu possivelmente não estaria nessa lama de acordar de madrugada com os lábios colados nas gengivas e nos dentes. Eu também, muito possivelmente, não estaria com os olhos tão secos nem com os braços tão incrivelmente cansados.

Isso porque eu disse que eu não iria reclamar, rs

Mas já que estou reclamando, aqui vai mais uma: a dor nas virilhas que comecei a sentir há uns dias e que, it turns out, não é exatamente nas virilhas, mas no osso pélvico, mais especificamente num ossinho chamado sínfise púbica. E como dói, viu? Quando estou paradinha não sinto nada, mas ao menor movimento, ele reclama. Subir um degrau, entrar e sair do carro, sentar e levantar, mudar de lado na cama, ou simplesmente caminhar (ainda que seja lentamente) faz doer. E não é uma dorzinha qualquer, não. É uma dor. Também não posso ficar em pé parada ou sentada por muito tempo. Cinco minutos é muito tempo.

Esta semana comecei a me ocupar de preparar a lista (bem resumida) do enxoval, as coisas básicas e necessárias para os 3 primeiros meses de vida do bebê. Às vezes eu ainda me impressiono com o quanto eu mudei, com o quão contida me tornei. Para eu comprar uma coisinha é um parto. Tão diferente da Erica de outros tempos…

Estou aos poucos colocando itens no carrinho nas lojas online, mas sem o impulso nem a vontade de comprar logo. Na verdade, tenho usado minha indecisão para procrastinar toda e qualquer compra.

Nem o fato de que o bebê não terá um quartinho pronto para recebê-lo (já que nos mudaremos 2 meses depois) me incomoda. E não me incomodar com nada disso me faz sentir tão bem, tão livre, tão “crescida” tão desapegada.

Quando penso no tanto de coisinhas que eliminei do enxoval, fico bem feliz comigo mesma. Só quero o básico, o fundamental, o funcional. E até isso tá difícil de comprar, rsrsrs Como diz minha mãe, quem me viu e quem me vê!

Mas e os nomes? Oh well, este é um capítulo à parte. Escolher nome sem saber o sexo do bebê é uma tarefa bem complicada. A meu favor, tenho o fato de que se for menino o nome já estava escolhido desde que ainda estava grávida do Nickito. Thomas (Tommy). Fácil.

Agora, se for menina… sai de baixo, porque tá bem difícil.

Fiz uma lista com mais de 20 nomes que me agradam e recentemente cortamos metade deles. Estamos agora com os seguintes finalistas:

Lia, Luana, Luisa, Mila, Victoria, Bianca, Isabella, Isadora, Alice, Cecilia, Natalia, Catarina – em negrito, os meus preferidos de hoje. Ontem eram outros, amanhã podem mudar. O único nome que se mantém soberano é Thomas (apesar de eu também gostar bastante de Felipe e Enrico).

Mas tô desconfiando que só bateremos o martelo quando olharmos pra carinha do(a) bebê. Até lá, seguimos sem nome definido 🙂

Saçaricando

Inaugurei meu terceiro trimestre com a semana do saçarico. Atividade intensa, com direito a sobe e desce de escadarias e ladeiras.

O lado positivo é que toda essa caminhada fez amenizar a tal da dor no osso púbico. Por outro lado, a pressão nas pernas foi grande, especialmente na hora de subir ladeiras. Nunca foi tão difícil andar pra cima. Às vezes parecia que não ia conseguir, reduzia o ritmo mas ainda assim, a presão era muito grande, ora na barriga, ora nas pernas, ora em ambas.

Mas sobrevivi.

Sobrevivi com saldo positivo, porque apesar de não ter alcançado 100% de êxito, já que não encontrei roupinhas de bebê em lugar nenhum, consegui resolver/fazer uma pá de coisas. Em três dias de andanças, fomos duas vezes ao Namdaemun e uma ao Dongdaemun. E ainda, de quebra, rolou um Itaewon básico. Mamis mandou fazer óculos novos a um preço emocionante; Conseguimos ir ao mercado de linhas e lãs (e descobrimos que lã aqui é bem mais cara que no Brasil, rs); Comprei, finalmente, o material para fazer velas, aromatizadores de ambientes e sachês de cera; Encontramos scarves de lã pela bagatela de 5 dinheiros… só para listar algumas das conquistas da semana 🙂

O bônus foram nossos almoços: na segunda, rolou um pé-sujo coreano, na quarta, o rango foi no mercadão, super raiz; e na quinta arrematamos com meu Marroquino favorito.

Você acha que vou sentir saudade da Minha Vida Coreana?? Eu tenho certeza!

Quem diria, Erica, quem diria? Nem pareço a mesma dos posts de 2 anos atrás., rs

Mas o saçarico não termina por aqui, não. Semana que vem, a barriga permitindo, tem mais 😉