Chegou a hora!

Chegou a hora, vamos lá! Senta porque a notícia é quente!

O clímax da novidade já passou faz tempo, mas a insegurança me fez conter o impulso de compartilhar com a família e os amigos, me fez esconder do mundo e até dos filhotes a surpresa que a vida (e nosso descuido – porque convenhamos, acidentes não acontecem!) nos proporcionou.

Estamos a espera do nosso terceirinho – não é piada, pode acreditar! – estou gravidíssima, com uma pança responsa, apesar das 12 semanas apenas (aparentemente, meu corpo entendeu rapidinho que precisava abrir espaço pro recém-brotado inquilino). Bebezinho número três é o souvenir que trouxemos das nossas férias no Vietnã.

É uma gravidez de alto risco, visto que além de quarentona, tenho síndrome de Sjögren, uma autoimune maleta que me acompanha e me conduz entre altos e baixos desde 2013. E, sendo uma gravidez de risco, tudo é muito frágil, tudo pode mudar de uma hora pra outra, tudo pode acontecer.

Version 2

A primeira foto da barriga, às 12 semanas –  tá totalmente fora de foco, mas evidencia a gravidade da pança

O mais provável é que, dado o meu histórico, nenhum médico aqui na Coreia queira arriscar um parto natural, então a probabilidade maior é que eu tenha que marcar uma cesariana, o que é muito estranho… como assim? Não entrarei em trabalho de parto? Mas, sinceramente, este (não entrar em trabalho de parto) é meu menor problema, meu medo mesmo é o que uma cirurgia (e o pós cirúrgico) pode desencadear na minha autoimune, meu medo é como eu ficarei no pós parto. Terei um flare up muito forte? Conseguirei produzir leite, dadas as limitações do Sjogren? O bebê será afetado de alguma maneira pela minha auto imune?

São muitas questões, muitas preocupações com relação não somente a minha saúde, mas especialmente a do bebê. Mas contrariando todas as minhas próprias expectativas, não estou nervosa. Apreensiva, sim, nervosa, não. Estou levando um dia de casa vez, pensando apenas no futuro próximo, no máximo na próxima semana, nada além disso.

Eu, definitivamente, não passo os meus dias pensando em tudo o que pode dar de errado, até porque, so far so good. Bebezinho número 3 está bem e crescendo direitinho. Não tive sangramentos, mas fui premiada com um mal estar/enjôo constante e um cansaço que me impede de ir até a esquina sem voltar exausta. Meus cabelos caem horrores (minha ferritina deve estar “na chon”), minha roupas apertam, meus peitos não cabem mais nos sutiãs e minha balança começa a indicar um aumento no peso.

Ontem no fim do dia, contamos pros meninos a novidade e estou finalmente colocando públicos os posts que venho escrevendo no modo privado durante esses últimos três meses.

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Demos a notícia de uma maneira não muito convencional e, claro, gravamos para posteridade – o vídeo está aqui :). Eles, que não desconfiavam nada, acharam que estivéssemos gravando  o primeiro vídeo do “nosso canal” (aquele que não existe, mas eles queriam que existisse, rs). Enfim, serviu de desculpa para registrarmos as reações deles – pena que a bateria acabou antes de conversarmos com eles em frente à câmera…

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Vivi, ficou em êxtase, uma alegria, uma euforia que eu só lembro ter “visto” uma vez, quando meus pais me contaram que eu teria uma irmã.

Já Nickito não acreditou… não acreditou mesmo. Levou bem uns dez minutos depois de terminado o vídeo pra ele entender que não era brincadeira, que aquelas imagens não eram dele e do Vivi, que eu estava grávida de verdade. Quando ele finalmente viu que eu não tava brincando, desandou a chorar compulsivamente. Me abraçava e chorava um choro desesperado.

No começo, achei que fosse porque ele não querer outro(a) irmão/irmã (o que começou a me desesperar), afinal, perderia o posto de baby da família (sim, aos 8 anos, ele ainda diz que é meu bebê <3), mas após muitos soluços e cara inchada, conseguiu contar porque chorava tanto: não era tristeza, tampouco alegria, era medo, desespero de algo dar errado.

Nickito é, sempre foi, um serzinho muito sensível e pensativo e do alto dos seus 8 anos, sua reação foi pensar, instantaneamente, em tudo o que poderia dar errado, dado que sua mamãe não é mais uma garotinha.

Em outros momentos, há alguns anos, quando falamos sobre a possibilidade de encomendar mais um membro para nossa família, expliquei pra eles que não era tão simples assim, porque a idade e o fato de eu ter essa auto-imune maluca poderiam colocar em risco a saúde do bebê. Expliquei que era muito comum acontecer abortos espontâneos, ou, pior, a criança nascer com algum problema sério de saúde. Desde então, ele nunca mais nem considerou o assunto (ao contrário do Vivi, que sempre se manteve esperançoso).

Com a notícia, tudo aquilo veio à tona e ele entrou em pânico. Foi difícil, mas conseguimos explicar pra ele que tudo estava bem, que eu já estava entrando no segundo trimestre e que so far so good. Ele parou de chorar, mas cauteloso me aconselhou: “let’s not get too excited, because we never know” – eu, às vezes, me assusto com a maturidade e consciência desse molequinho.

Acalmados os ânimos, saímos para pegar um cineminha e jantar. Nickito segurando minha mão o tempo todo me lembrou do Vivi, aos 2 aninhos, quando descobriu que eu tinha um bebê na barriga e também não largava minha mão. O assunto do jantar foi completamente monotemático, mas os ares estavam mais leves, thank God. Quando chegamos em casa, Nickito, imediatamente, pegou papel e caneta e começou a fazer uma lista nomes para menina e outra para menino. Só foi dormir quando colocou o último nome na lista. Antes de dormir, ainda perguntou se poderia contar na escola, porque ele queria fazer pedidos de oração pela saúde do bebê nas aulas de religião. Fofo. Nem virou big brother ainda e já está todo protetor e preocupado.

Hoje pela manhã, ele já estava bem mais animado, querendo saber quando iria conseguir ouvir o bebe na minha barriga e sentir os movimentos. Já começa a fazer planos pra quando terceirinho chegar e pensa em escrever lullabies e bed time stories.

Vivi segue eufórico e agora preocupado em não me estressar – tô gostando disso! Passei o dia sem me aborrecer. Será que isso vai durar? Esperança de mãe é a última que morre, rs

Os dois estão felizes e eu, de certa forma, aliviada 🙂

Por ora é só! Nos desejem sorte! Quem é de rezar, reze, quem é de torcer, torça e quem é de mandar good vibes, mande em doses cavalares!

Segundo trimestre, aqui vamos nós!

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