Meltdown

Foi na segunda-feira na hora do almoço (que eu comecei a preparar logo depois do café da manhã) que eu experimentei meu primeiro meltdown desta gestação.

Foi intenso. Foi incontrolável. E, claro, os meninos assistiram de perto, sem ter ideia do que fazer.

Porque eu ando extremamente enjoada e intolerante a cheiro de comida, resolvi fazer o peito de frango no forno. Temperei, empanei com farinha sem gluten e levei ao forno.

Enquanto isso, cozinhei arroz e lentilha e temperei. Fiz uma salada e preparei vegetais refogados.

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Quando finalmente terminei, os moleques já estavam famintos. Coloquei a mesa e os chamei. Servi o prato dos dois e então o meu.

Nick, na hora de cortar seu franguinho, derramou metade da comida no chão. Pois é, o frango passou do ponto no forno. Isso já cutucou meu estresse que estava adormecido.

Vivi, vendo minha fisionomia de desespero com aquela comida espalhada, se prontificou imediatamente para limpar. Eu deixei.

Fui dar a primeira garfada e a lentilha estava sem gosto, sem tempero. Fui partir meu frango duro e estava insosso, ruim mesmo. Desandei a chorar um choro desesperado de desproporcional, um choro acumulado, um choro de leite que ferveu e derramou. Mandei todo mundo parara de comer, porque ninguém merecia comer aquela gororoba. Os meninos se assustaram.

Imediatamente tirei dos pratos deles os frangos ressecados e junto com o que havia ficado na travessa, joguei no lixo. Peguei outra bandeja de peito de frango e grelhei na frigideira mesmo, enquanto chorava cachoeiras compulsivas. O lado positivo de estar chorando é que o nariz entupiu e não senti o cheiro da comida.

Retemperei a lentilha e servi novamente os meninos que comeram tudo sem dar um pio. Mentira, comeram elogiando, tadinhos (eu sei que mesmo o remendo não tava lá essas coisas).

Fui pro quarto e só saí quando já não restavam mais lágrimas.

Enquanto eu me debulhava, os meninos preparavam cartinhas e mimos cheios de carinho para a mãe surtada. Quando vieram me presentear, chorei outra cachoeira.

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E assim foi o primeiro dia em que o Mauricio não estava em casa. Não falei, mas ele está na Flórida. Foi na segunda e retorna amanhã. Foi tentar encontrar nosso lugar ao sol (literalmente), tentar arrematar uma oferta na University of South Florida e com ela, garantir nossa próxima parada, fechando o ciclo que iniciamos há 14 anos quando iniciamos nossa vida fora do Brasil.

Não sabemos o que acontecerá, mas seja lá o que for, que seja o melhor para nossa família.

Por ora eu sigo apreciando os lindos dias do outono coreano e tentando lidar com esse estresse (nem tanto pela possível mudança, mas pelo conjunto da obra) invisível que eu jurava não estar sentindo, mas que tava ali, escondidinho, só esperando um almoço dar errado para vir à tona.


Em tempo: desde o meltdown, as refeições ficaram muito melhores. Resolvi que não posso mais viver em função desse enjôo, não posso mais me esconder da comida, e mesmo com ânsia de vômito, enfrento os cheiros para mostrar pra mim mesma que eu sou mais forte do que esse persistente mal estar.

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