As 10 semanas e os olhares

É, tá difícil de esconder a pança. Especialmente em casa.

Nickito já nem comenta mais sobre meu “sobrepeso”. Achou melhor guardar um respeitoso silêncio.

Vivi, do alto de seus quase onze anos, aprendeu uma coisa ou outra sobre como não magoar as pessoas, então, muito embora, claramente, já tenha notado a pança da mãe, nunquinha fez um comentário sequer. Entretanto, coitado, a estranheza deve estar tão grande que volta e meio o pego olhando minha protuberância abdominal (e tentando disfarçar). Seu semblante mistura surpresa e interrogação. “Mamãe tá embarangando”, deve pensar. Mais um pouco e não vai nem mais querer que eu apareça na escola, para não correr o risco de comentários maldosos.

Fico imaginando o que se passa na cabecinha dele, porque, como pode a pessoa, que vive “doente”, enjoada, sem poder sentir cheiro de comida, “engordar” tanto? É, no mínimo, bem estranho.

E seus olhares não negam a estranheza.

Qualquer dia desses ele não vai se conter e comentar, já consigo imaginar: “mamãe, não leve a mal, mas…”

Talvez eu deva me adiantar e contar logo pra eles sobre a tal encomenda… Mas como se, volta e meia, tenho a notícia de um aborto espontâneo próximo de mim? E o medo?

Bom, daqui uma semana e meia e terei minha consulta das 12 semanas. Talvez, só talvez, se tudo estiver certinho, eu conte.

Vamos ver.

 

 

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