Alegria define.

Domingo à noite, quase na hora de dormir, Vivi, que passou o fim de semana inteiro entre brincadeiras, games e tv, se apressa em direção ao computador alegando ter uma redação importante para terminar.

Domingo à noite e ele não havia terminado o dever de casa. Típico de Vivi.

Fiquei brava, claro. Fui logo passando aquele sermão básico sobre responsabilidade, “first things first”, blábláblá…

Concluído o sermão, ele sentou-se em frente ao computador e pôs-se a escrever.

Da sala, eu só ouvia seus dedinhos teclando numa rapidez, no mínimo, interessante para um 10 year old boy – na idade dele, eu nem milho catava. Outros tempos.

Terminada a redação, sentei pra ler.

Gente, meu coração se encheu daquela alegria que só uma mãe pode sentir.

Que meus filhos têm a fala bem articulada para as idades deles, eu já sabia. Que escrevem direitinho, também. Mas ler aquela redação, baseada em fatos reais, tão bem estruturada, tão bem conduzida e tão bem finalizada, me encheu de orgulho, de alegria e, confesso, de um certo alívio, porque ultimamente tem rolado tanta briga pra estudar, ler, escrever, que eu realmente estava precisando de um carinho desse.

Claro que havia alguns errinhos gramaticais pelo caminho, assim como a persistente ausência de espaçamento entre palavras e pontuação, mas tudo isso ficou pequeno diante da clareza das ideias, do formato bem articulado, da fluência, do desenvolver e desenrolar da história e da emoção que ele depositou naquelas linhas.

Redação de quem sabe o que está fazendo, de quem domina a arte. E isso não é exagero de mãe coruja. Juro. Quem me conhece sabe bem que eu não faço parte do clube das mães que acham tudo o que os filhos fazem o máximo. Pelo contrário, sou bem crítica. Não tanto como a minha mãe, mas sou bem crítica. E no alto do meu senso crítico, garanto: muito adulto, graduado e pós graduado que eu conheço não é capaz de escrever uma redação daquela maneira.

Não que haja algo de errado nisso. Cada qual com seus talentos. Mas aquela redação madura encheu meu coração de alegria e me trouxe uma certa paz.

Vou dormir mais feliz esta noite.

 


Em tempo: Sempre achei meus moleques super criativos. Acho o máximo os livros que o Nickito adora escrever e sempre achei incríveis os comics que o Vivic costumava criar, mas o que realmente me tocou foi a escrita madura, coisa que eu realmente não esperava para a idade dele.

Às vezes, eu e o marido nos perguntamos como pode o Vivi ter tanta dificuldade pra matemática, como pode ter tanta preguiça de pensar, como pode não achar divertido/interessante. A quem ele saiu?

Às vezes a gente fica até bem preocupado com tanta falta de atenção e interesse, mas essa redação, nos 45 do segundo tempo, no melhor estilo “nas coxas”, me deu aquela sacudida. Filhos não têm que ser o reflexo dos pais, eles têm que ser o reflexo deles mesmos, com seus próprios interesses e desinteresses, facilidades e dificuldades… E nós, pais, precisamos nos preocupar menos com isso e mais em identificar essas diferenças e lidar com elas da melhor forma possível, sempre apoiando, estimulando e tomando todo o cuidado do mundo para não transformar as dificuldades da infância em bloqueios na vida adulta.

 

 

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