Aquele primeiro trimestre que não termina nunca

Ainda não contamos sobre o terceirinho para quase ninguém, nem mesmo para a família. E como não foi uma gravidez planejada, ninguém nem desconfia, claro. 

Azamiga aqui de Seul também não fazem ideia, até porque tenho me escondido, evitado encontros e conversas mais particulares. Vou a almoços só com a galera e assim me protejo de uma conversa mais íntima que possa pender pra esse lado, afinal, estar com uma pessoa que vive enjoada pode levantar suspeitas. Além do mais, por eu estar constantemente enjoada, com a boca amargando, ânsia de vômito e sem vontade de comer quase nada (que não seja doce e feijão tropeiro/farofa ou torrada com manteiga – coisa de maluco? não, de grávida, rs) nem sinto vontade de sair de casa. Às vezes nem da cama, que virou minha melhor amiga nas últimas semanas. Não passo sem meu cochilo do meio do dia. A gente também já não sai mais para almoçar/jantar aos finais de semana como costumávamos e quando saímos, vou na amizade.

Os meninos, claro, notaram que a mamãe não anda muito bem e ontem chegaram a fazer cartinhas desejando que eu melhore logo – não se se somente por amor, ou para que a vida deles também volte logo ao normal, rs

Às vezes, muito raramente, me pego imaginando como será a reação das pessoas quando começarmos a contar. Surpresos todos ficarão, isso é certeza. Por que raios a Erica, aos 40, mãe de dois moleques já crescidos, morando na Coréia do Sul, onde sequer fala o básico da língua (nem o alfabeto conhece) e ainda carregando uma síndrome de Sjogren nas costas engravidaria? Pois é, eu também não sei. Obra do destino, vontade de Deus, pegadinha da vida… ou simplesmente descuido de férias de verão.

O fato é que o primeiro trimestre nunca demorou tanto a passar. Como está arrastado, meu Deus! A princípio, combinei com o marido que só começaremos a contar depois que eu completar 20 semanas, quando a chance de aborto espontâneo reduz sensivelmente. Afinal de contas, mesmo tendo sido uma concepção natural/acidental num momento em que eu estou (estava) super saudável, não dá para ignorar o fato de que estou no grupo de alto risco.

Mas quando eu penso que ainda estou na oitava semana, ai meu Deus… 

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