Quase 6 semanas e a primeira consulta com o Obstetra

Hoje foi minha primeira consulta com o obstetra.

Uma consulta rápida, apesar da espera infinita, que mais agregou inseguranças do que ajudou.

O médico foi recomendado pela esposa de um amigo do Mauricio que teve seu primeiro bebe recentemente. Como ninguém aqui sabe sobre meu estado interessante, não tive como trocar ideias cazamiga, então, tudo o que eu sei sobre ter bebê na Coréia, encontrei no Google, lendo blogs de expatriados e sites destinados a estes. Mentira, tenho também alguma informação informal, pingada aqui e ali, de conversas que tive com novas mães que conheci desde que cheguei aqui. Infelizmente informações vagas, afinal, não era como se eu estivesse investigando sobre o assunto.

Marquei este médico especificamente porque ele é um dos poucos em Seul, dentro do universo daqueles que falam um inglês minimamente decente, conhecido como incentivador do parto natural. E eu, call me crazy, mesmo com duas experiências frustradíssimas (1. um parto vaginal com aspirador que me custou dois meses de recuperação; 2. um trabalho de parto natural infinito e sofrido que terminou numa cesária de emergência, por pura incompetência da doutora que, na véspera, jurou que o bebê estava encaixado), acredito que no meu caso, um parto natural possa ser a melhor opção. Por quê? Por causa da Síndrome de Sjogren. Qualquer medicamento que eu tome, mesmo aqueles para gripe, costumam desencadear flare ups e tudo o que eu não preciso no pós parto, tendo um recém nascido para cuidar é um flare up.

Mas, para meu desespero, o médico foi logo me falando que ele não faz parto vaginal após cesariana. E como meu último parto foi uma cesariana de emergência, no deal.

Ele chegou a me indicar um hospital que, dependendo do caso, aceita fazer a tal VBAC, mas como fica bem mais longe de casa, achei muito arriscado. Além disso, tenho quase certeza de que com o meu histórico não vão querer arriscar um PN.

Quase resignada, perguntei se pelo menos eles me permitiriam entrar em trabalho de parto antes  da cesária (o que configuraria uma cesária de emergência), mas ele foi categórico: Não. A cesária deve ser agendada para a semana 39.

Me senti desolada.

Nesta primeira consulta, antes mesmo de conversar com o médico, fiz uma primeira ultrassonografia para confirmar a gestação e lá estava o saco gestacional com um minúsculo pontinho dentro. Às menos de seis semanas não dá mesmo pra ver/ouvir muita coisa. O médico disse apenas que para a idade gestacional tudo parecia certo e pediu que eu retornasse em duas semanas para uma nova consulta.

Recomendou apenas que tomasse o ácido fólico e só. Nada mais. Nada de vitaminas prenatal, nada de mais nada, até a semana 16, quando deveria começar a tomar ferro.

Aqui é tudo tão diferente que me sinto completamente órfã, mais perdida que cego em tiroteio.

Sem falar da barreira da língua.

Ao contrário do hospital universitário da Yonsei, aqui pertinho de casa, onde frequentamos a clínica internacional e todos os médicos e enfermeiras falam inglês, No Samsung Hospital, os funcionários sequer arranham o idioma – vai tudo na base do gestos (consegue imaginar?).  Só uma enfermeira, que fez minha triagem, falava inglês e mesmo assim bem limitado. Tivemos, inclusive que contar com a ajuda de um simpático casal que se ofereceu para nos auxiliar no preenchimento do formulário que estava todo em coreano. Quando nos viram tirando fotos das páginas e mandando por WhatsApp, vieram ao nosso socorro e preencheram tudo conosco. Não dá nem pra reclamar da Coréia, né?

Oh well… em duas semanas, voltamos aqui. Por enquanto não estou nem conseguindo pensar em parto. First things first. Seguirei com o acompanhamento aqui, até, pelo menos o fim do primeiro trimestre, quando o risco de aborto espontâneo reduz sensivelmente.

Aparentemente, aqui na Coréia, as pessoas mudam de obstetra no mínimo umas 3 vezes ao longo da gestação. Vão trocando até encontrarem um que clique. Então, muito embora eu não goste muito da ideia de ficar pulando de galho em  galho, isso me dá um certo conforto (se é que assim posso chamar), uma vez que tudo bem decidir onde terei o baby só lá para a semana 35. Tenso, eu sei. Mas o que não é tenso nessa gestação?

Por enquanto, to na vibe de (sobre)viver um dia após o outro. Devagar e sempre. Um problema de cada vez.

E vamo que vamo.

 

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