Hanoi – segundo dia: Cara na porta e adrenalina – happy anniversary!

Hoje foi dia de turismo fora da caixa, adrenalina na veia. Ou, se preferir, programa de índio, bad choices, loucura, loucura.

Que dia.

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Nosso décimo quarto aniversário de casamento (bodas do que mesmo?), detalhe,  foi celebrado com muita andança, alguns lugares bacanas, cara na porta e a cerejinha do bolo: a famosa, glamurosa e tão antecipada Long Bien Bridge atravessada a pé, sob chuva forte e à noite. Você não tem noção!!

Se isso não é provação, não sei mais o que é rsrs 

Nickito chorava e rezava, dizendo que não queria morrer, que ainda tinha muita coisa pra ver, muito lugar pra ir na vida. Tadinho, ficou desesperado durante os quase 2 km que andamos atravessando o red river. Se não fosse uma situação tão estressante, diria que deveríamos ter filmado. Mas filmar como? Estávamos encurralados, andando sobre uma calçadinha mega estreita e instável que permitia ver o rio lá embaixo, através das frestas entre as lajotas. De um lado um guarda corpo baixo e bambo (com um rio enorme laaaaaaa embaixo. Do outro um mundo de motocas alucinadas vindo em nossa direção. Só estando lá pra ter noção. Realmente foi muito sinistro. 

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Após percorrermos cerca de 1/3 do caminho (talvez menos), passamos por uma escada que dava acesso a uma ilha no meio do rio. O desespero já era tanto que cogitamos descer. Desistimos quando vimos um ciclista todo paramentado, subindo as escadas para pegar a ponte, detalhe, na direção oposta a que estávamos indo. Essa era a nossa clue, mas… não descemos (thank God), nem voltamos (por que, meu Deus, por que???), seguimos, inconsequentemente em direção ao outro lado do rio. Agora, escrevendo sobre isso, não consigo entender como duas pessoas sensatas puderam ser tão, mas tão, mas tão irresponsáveis. Quanta estupidez, meu Deus! Pra que?

Foram os 2 quilômetros mais longos das nossas 4 vidas, um verdadeiro pesadelo. Tanta coisa se passou pela minha cabeça e ao mesmo tempo, não conseguia pensar em nada que não fosse me concentrar em não deixar o Nick vazar pelo guarda-corpo, ou prender o pé numa das frestas entre as bambas lajotas, e rezar pra que o Vivi se mantivesse firme. Sempre que eu ameaçava parar para esperar o Vivi e o Mauricio que estavam bem uns 100 metros atrás, Nick se desesperava, implorando pra não parar. Só me restava virar para trás e gritar, inutilmente, para que o Vivi se segurasse e prestasse atenção. Inutilmente, porque ninguém me ouvia, tamanho era o barulho da chuva e das motos passando rentes a estreitíssima passarela do terror que nos conduzia ao longo da ponte. Eu, muitas vezes precisei descer da micro passarela e me juntar às motos que vinham no sentido oposto e, olha, graças ao bom Pai do Céu, a ponte era exclusiva para motos (além do trem que passava bem no eixo central, sacudindo tudo – sim, MUITO tenso), porque se além das motos, houvesse também carros, poderíamos não estar aqui pra contar a história.

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Já no final, conseguimos avistar uma região bem simpática, com restaurantes iluminados e protegidos da chuva, próximo à ponte, às margens do rio. Será que era aquele o point do glamour? Devia ser. Note to self: jamais confiar em blogueiro de viagem que não explica a parada direito.

Quando finalmente chegamos ao outro lado (quase chorei de alívio), graças a Deus, sãos e salvos, estávamos absolutamente ensopados, encharcados, pingando, com os pés nadando dentro dos tênis. Entramos num shopping deixando um rastro de água por onde passávamos, para comprar roupas pros meninos se trocarem. Uma situação precária, viu? Só nós mesmo.

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Pra tentar amenizar a derrota do dia e alegrar um pouco os meninos, deixamos que brincassem na arcade do shopping (que era incrivelmente barata). Depois, encerramos à noite com um churrasco coreano mara e beeeeeeeem mais barato do que em Seul. Não compensou as derrotas do dia, mas amenizou um pouco a frustração.

Mas, como frustração pouca é bobagem, na hora de ir embora, levamos bem mais de uma hora até conseguirmos um taxi. Primeiro pedimos pra mocinha do restaurante ligar pro taxi pra gente. Descemos e nada do taxi. Daí começamos a ligar pro hotel, via skype já que não tínhamos sim, para que eles pedissem um taxi. Não funcionou, o taxista não nos encontrava. Por fim, o shopping fechou, todas as luzes do lado de fora foram apagadas, todas as pessoas que ali estavam pegaram seus taxis e ficamos nós, a família perdida. Até que surge um anjo, uma das mocinhas do restaurante que, detalhe, não falava um inglês. Ela olhou pra gente com os olhos arregalados, como quem pergunta: “o que vcs ainda estão fazendo aqui?” E, prontamente, se pôs a nos ajudar. Começou a ligar para um taxi, usando seu precário celular, um modelo 1900 que eu nem sabia que ainda existia. E depois de muita espera e confusão, ela nos colocou dentro do taxi e nos mandou pro hotel. Deus abençoe essa alma caridosa.

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E amanhã é um novo dia. 

Em tempo: pelas fotos ao longo do post, dá pra ver que, claro, o dia não foi só derrota e apesar de termos começado o dia dando com a cara na porta no Ho Chi Min complex, que só abre determinados dias, pela manhã, conhecemos o One Pillar Pagoda, o Imperial Citadel of Thang Long, o Temple of Literature… o recheio do nosso dia foi até bem proveitoso, esbarramos até com um brasileiro numa das nossas paradas – what are the odds? Mas o fim do dia, com a pior aventura da vida, foi muito dominante. Tão dominantes que praticamente apagou da minha memória os lugares que conhecemos mais cedo. Só lembrei, quando fui procurar as fotos para ilustrar o post. Mas já era tarde, como falar de qualquer outra coisa quando o estresse está tão latente? Ai ai…

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