Hanoi – primeiro dia: Bom dia, Vietnã!

Acordamos às 3 de la matina para pegar nosso voo rumo ao Vietnã. Foram 4 horas e meia num esquema tão low budget que além de economizar no espaço pras pernas, economizou também na água, que era paga por fora. Mas reclamar do que? Estamos no Vietnã! 

Chegando no Hotel, um suposto 4 estrelas, descobrimos que o quarteto que havíamos reservado, uma suíte dupla familiar com porta entre os quartos, só estaria vaga à tarde. Mas recebemos um upgrade: dois quartos independentes num andar alto e de fundos (sem o barulho frenético da rua), porém, sem portas conectando os quartos. Ah, mas com janelas! Pois é, eu não sabia mas a tal da suíte dupla que havíamos reservado não tinha janelas. Oi? 

Anyway, agora estamos aqui, eu e marido numa quarto e os meninos no outro, coladinho, mas separado. To tensa. Marido tá feliz da vida. Pai é pai. Mãe é mãe. 

Mas vamos ao que interessa: nossas (minhas) primeiras impressões da caótica Hanoi. 

Nossa primeira providência ao chegar foi procurar um lugar pra almoçar. Eu tava até disposta a comer nos restaurantes populares de calçada (pela experiência antropológica mesmo), mas marido achou que era demais. Achamos no restaurante top do hotel The Essence. Que comida! Não era preço de Vietnã mas valeu cada centavo. Tudo maravilhoso: comidas, bebidas, sobremesas, ambiente, serviço. Nota 10. E pagamos um preço justo. Se fosse em Seul teríamos pago 3 vezes mais, pelo menos. 

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De barriguinhas cheias, fomos passear pelo famoso Old Quarter e, gente, o que é isso aqui, meldels!?!? Caos frenético. Tenso, tenso, tenso. E com chuva ainda? Sim, saímos do restaurante para encarar um toró daqueles. Manja chuva de verão no Rio? Perto da que pegamos é pinto. O curioso é que chove, chove mas as ruas não inundam. Fosse na Avenida Jardim Botânico ou na Praça da Bandeira, caracoles, estaríamos de barco.

Mas como somos turistas exemplares, encaramos a chuva com bom humor. Bom humor e as capas de chuva – modelo saco de lixo colorido – mais caras da vida. Mentira, eram baratas, mas aposto que os locais pagam 1/5 do valor que pagamos, se tanto. Mas tudo bem, nosso mind set é outro e mesmo o “caro” em Hanoi é barato.

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Passeamos, encapados, pelo Old Quarter, fugindo das poças (como se fosse possível), desviando das “goteiras” e, claro das motos que aluciandas seguiam seu curso. Ainda bem que, como toda boa chuva de tropical, rola um pancadão e logo estia. E foi na estiagem que conseguimos percorrer o lago Hoan Kiem, aquele onde a tartaruga deu sumiço na espada 😛

Mas o que é um turista que não faz um programa turistão? Bom turista não é! Vestindo a camisa de gringo, resolvemos fazer o passeio básico de reconhecimento do Old Quarter da maneira mais tradicional e cara: fizemos o cycle tour mais superfaturado da paróquia. 

Veja bem, antes de viajar, eu fiz o meu dever de casa e sabia bem quanto custava cada coisa. Barato, muito barato. Mas sabe quando você fica com vergonha de baixar o preço, mesmo sabendo que estão querendo tirar vantagem de você? Ah, gente, é muita miséria. O mínimo que a gente pode fazer é se fazer de tonto e pagar mais caro.

Não pagamos o preço que nos pediram. Viramos as costas, mostrando total desinteresse. Mas aí, baixaram tanto, que, com pena, pagamos mais. 

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A voltinha deveria ser de uma hora, durou 45 min, mas, sério, não tinha nem rua pra uma hora naquela região. Sem falar que o pobre do senhor que nos pedalou pra cima e pra baixo já não estava em tão plena forma e, algumas vezes, precisou sair da bike e dar aquele empurrãozinho. Me senti quase tão mal, como se estivesse pegando carona num pobre elefante.

Mas no fim das contas o passeio foi ótimo. Reconhecemos o terreno, batemos umas fotos e Nickito até deu uma boa dormida no balanço da carona. 

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Uma das características mais notáveis que pudemos observar bem claramente durante nosso passeio é o fato de que cada rua tem um tema, cada rua vende determinada categoria de produto. Flores naturais, flores artificiais, miçangas, botões, tecidos, ferragens, plásticos, roupas, sapatos. You name it, Hanoi has a street for it. O que mostra um certo graus de organização em meio a tanto caos que mistura motos, carros, bikes, pedestres, todos dividindo a mesma via, sem respeitar travessias ou sinais de trânsito. Calçadas são inexistentes. Quer dizer, existir existem mas são completamente tomadas pelo comércio e especialmente restaurantezinhos pé sujo que se apropriam do passeio, que usam como extensão de suas lojas, dispondo suas mini mesas e banquetas, tão características daqui e também suas bacias de água para lavar a louça e os fogareiros que preparam a comida, ali mesmo, entre os clientes (a maioria locais).

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A vida em Hanoi – ao menos no Old Quarter – acontece na rua. faz-se comida na calçada. Lava-se ouça no meio-fio, cortam as unhas sentados às mesinhas minúsculas nos passeios, corta-se os cabelos e faz-se a barba também na calçada (infelizmente perdi a foto – a bateria havia acabado). Com o entardecer, vemos também crianças fazendo o dever de casa ali, na calçada, enquanto a mãe cozinha o jantar pros clientes. 

Acabamos de chegar, eu sei, mas sabe que já dá pra ter uma boa noção do que será nossos dias por aqui? Por exemplo, é um tal de vendedor ambulante querendo te empurra qualquer coisa a todo custo. Alguns vendem utilidades, como as capas de chuva que nos salvaram de ficar ensopados, outros souvenirs e outros ainda vendem itens completamente desnecessários (pelo menos para turista). Não sei se o Vietnã todo é assim, mas a vida dessa parte de Hanoi é na rua e nas calçadas. Calçadas tomadas por little people – impressionante como a população toda é miniatura. Talvez por um histórico de má nutrição? Little people trabalhando 24 h por dia. Não se vê ninguém de bobeira, nem pedindo esmola. vê-se, sim, muita gente trabalhando, até onde pude perceber, honestamente.

Já falei que tudo é muito barato? Pois então, mal dá pra acreditar. Tudo é muito muito barato. Do suco ao sanduíche, do taxi aos itens do frigobar. Tudo é a preço de banana. Menos a banana, que custa ainda menos que banana.

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Hanoi parece uma cidade pobre do interior do Brasil, só que muito cheia de gente e altamente desorganizada. Praticamente sem lei, só que sem violência. Interessante como não há polícia nas ruas.

À noite fomos jantar num restaurante que também oferece cooking classes. A comida era ok (quem mandou comer no Essence logo de cara?) mas o lugar era duvidoso em tantos aspectos… A começar pela higiene. Tipo, nada muito grave ou descarado, não é como se tivesse baratas e ratos pelo chão ou gordura escorrendo pelas paredes, é apenas, pode-se dizer, o standard que é diferente do nosso.

O garçon simpático, por exemplo, querendo nos mostrar como usar o rice paper, pegou com a mesma mão que tocou sei lá o que tudo o que colocou dentro do rolinho: a panquequinha, as verduras… Vini se assustou, Nick quase teve um ataque cardíaco. Fiquei imaginando como tudo  era feito na cozinha. Melhor não imaginar. Mas apesar desse momento revelação, a comida estava gostosa e, convenhamos, tudo faz parte da experiência vietnamita.

Este é o mantra que, sinto, repetirei durante toda nossa estada 😛

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