Sobre a tal da medicina tradicional coreana

Pra você que tá curioso, aqui vai uma breve explicação sobre o que é essa medicina coreana.

Aparentemente, a medicina coreana tradicional se utiliza de basicamente 3 processos de exame:

  • checagem dos pulsos (toda consulta o médico gasta uns minutos checando meus pulsos. Acho meio exótico, mas tudo bem)
  • toque abdominal (só rolou na primeira consulta)
  • avaliação da língua (a minha língua nunca foi examinada. Nem a do Vivi)

Não sei como (e nem dá pra perguntar pro médico, porque o inglês é bem limitado – acho inclusive que nós somos os únicos pacientes ocidentais na clínica), mas é baseado nesse exame, quase esotérico, e também nas observações e informações durante a consulta, que ele prescreve a solução herbal  adequada para cada caso.

Uma coisa interessante é que, de um modo geral, a ideia é tratar a pessoa como um todo e não os sintomas, como na medicina funcional, minha preferida.

De acordo com a medicina constitucional, as pessoas são classificadas em 8 grupos, de acordo com a combinação órgãos mais fortes e mais fracos.

Eu (e o Vivi), por exemplo, sou team Pulmotonia, o grupo das pessoas que têm o fígado fraco e que por isso, não toleram bem carnes nem medicamentos de um modo geral. Os Pulmotonians devem ter uma dieta à base de frutos do mar e vegetais e não devem pegar aquele bronze, nem fazer sauna, ou qualquer atividade que o faça suar (e eu que achava que suar fosse bom pra todo mundo, afinal, libera as toxinas, né não?). Também é benéfico, ficar parado com a coluna reta.
As doenças que mais atingem os pulmotonians, em função da dieta errada, são doenças dos pulmões e do intestino grosso (que são os órgãos fortes deste grupo) e as relacionadas ao fígado. Pulmotonians são sucetíveis à Leucemia, congestão nasal, problemas na tireoide, hipertensão e alergias diversas.

O grande segredo da vida saudável, de acordo com a medicina tradicional coreana é manter uma dieta e estilo de vida adequados ao seu grupo constitucional. No meu caso (e do Vivi), aí é que o bicho pega. Seguindo a dieta apropriada, o equilíbrio do corpo se restabelece e a saúde impera. Fugindo da dieta, o corpo padece.

O problema é que nossa dieta ideal é sinistra – pelo menos pros nossos padrões ocidentais. Sente o drama nas tabelas abaixo:

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A coisa é séria. Quando nem amêndoas (ou qualquer outro nut) te fazem bem, quando nem canela, cebola, gengibre, arroz integral, cogumelos, abóbora, batata doce, laranja, beterraba, gema de ovo… quando nem alimentos integrais e saudáveis te fazem bem (porque estimulam os órgãos mais fortes), a coisa é muito séria. Sobra muito pouco.

E quando nem aquele hiking básico, nem aquela estirada na areia da praia são benéficas,  fica difícil seguir as orientações médicas. A menos que a pessoa esteja padecendo num nível muito estratosférico, fica quase impossível mudar os hábitos alimentares tão radicalmente assim. Não é apenas uma questão de comer comida de verdade, eliminar industrializados, vai muito além disso. É uma questão de mudar tudo, de eliminar um monte de alimentos naturais e começar do zero uma dieta restritíssima. Agora, se para um adulto já é difícil, imagina para uma criança. Imagine então como adaptar a alimentação para uma família constituída por pessoas de grupos diferentes. Dureza.

Eu quero muito ficar saudável, mas também me questiono muito sobre o quanto eu posso acreditar nesses grupos constitucionais e suas dietas específicas e isso, essa falta de certeza absoluta, me impede de mergulhar de cabeça nesse estilo de vida.

Será que vale realmente a pena se privar de tantos alimentos e abraçar uma alimentação tão restrita? Será que vale a pena o estresse de mudar tudo em casa? O esforço de ter um menu pra cada membro da família?

Acho que não tenho motivação suficiente para mudar tanto e causar tanto estresse não só na minha vida, mas especialmente na vida das crianças.

Por ora, ficaremos somente na alimentação integral, evitando industrializados, glúten e leite de vaca, mas sem radicalizar demais, torcendo pra que isso seja suficiente.

 

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