Chegou o dia, quem diria?

E não é que os enta estão dando uma sacudida na pessoa aqui? Tá sacudindo tanto que até mordi a língua – ainda bem que morder a língua no frio dói menos 😛

Eu que, até uma semana atrás, jurava de pés juntos que jamais iria esquiar (porque, vamos combinar, pra esquiar precisa de neve, pra ter neve, precisa estar frio, e euzinha odeio frio), fui.

Não só fui, como fomos, os 4. E, atenção: de ônibus! Num bate e volta, no meio da semana. Dá para acreditar?

Acordamos, ainda tava escuro, em pleno feriado nacional. Ninguém nas ruas, além da friaca da madrugada (tá, eram 6:30 da manhã, mas ainda tava escuro, então a gente chama de madrugada, rs). Tivemos a sorte de conseguir um taxi para chegar ao ponto de encontro em Hongdae. O azar foi ter chegado cedo demais. Não havia um cafe aberto para nos abrigar do frio. Ficamos nós e uma turma de chineses, por 30 minutos ao relento, aguardando o ônibus que nos pegaria ali.

 

Apesar de termos sido os primeiros a chegar, a ordem de entrada no ônibus era a da lista da nossa “guia” (suspeito que por hora que foi feita a reserva). Acabamos ficando na parte de trás, o que me fez ir rezando pra não passar mal no caminho. Já imaginou?

Até então, só conseguia pensar uma coisa: que ideia de jerico, que programa de índio, que furada. Onde eu tava com a cabeça quando fiz essas reservas (sim, acredite, fui eu que tomei a iniciativa de fazer as reservas)?

Foram 2 horas de viagem até o Vivaldi Resort – pelo menos deu pra dormir um pouquinho 🙂

Chegando lá, o programa indígena continuou seu curso: Fila qui pra comprar o pacote, fila ali pra pegar a roupa, mais uma fila para pegar o passe do lift e outra fila para pegar o equipamento. Depois ainda tivemos que arrumar moedas para alugar o locker que guardaria nossos pertences. Coloquei as moedas, tranquei o locker e tive que abrir novamente, umas duas vezes, para guardar outras coisas. E tome moeda.

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Detalhe besta: fiz o processo todo duas vezes. Isso mesmo, DUAS VEZES, porque o bonitão do Nickito, fazendo pirraça, disse não querer esquiar, então, primeiro fiz o processo acompanhando o marido e o Vivi, levei o Nickito para comer, porque, segundo ele, ele estava passando mal de tanta fome e depois repeti o procedimento e encarei filas muito maiores, porque o pequeno disse assim: “acho que mudei de ideia, quero esquiar, sim”. Olha, juro, se a alternativa a esquiar não fosse tão entediante (fazer absolutamente nada, porque nem um café bonitinho e aconchegante havia no tal resort), teria deixado o Nick de castigo, sem esquiar, só por causa da pirracinha inicial. Às vezes ele tem ataques de garoto mimado, mas esta foi a primeira vez que, por força das circunstâncias, cedi aos seus apelos. Anyway… era isso, ou ou ser castigada junto com ele, passando um dia inteirinho a ver navios.

Lá fomos nós, comprar os pacotes e pegar todas as filas novamente. Eu carregando uma montanha de roupas e equipamentos e o bonitinho todo faceiro ao meu lado (Mauricio e Vivi já estavam fazendo a aula àquela altura). O rolo já começou na hora de comprar o pacote, porque só aceitavam cartão de fora da Coréia e o meu da Austrália não passou – sei lá porque! Outro detalhe é que não consegui comprar o pacote que incluía a aula, ou seja, tivemos que ir com a cara, a coragem e os esquis.

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Passado o perrengue inicial, já prontos para encarar a neve, lá fomos eu e Nickito para o que seria um dia, ou melhor, uma tarde (porque a manhã perdemos todinha na indecisão do Nick e nas filas) recheada de tombos e gargalhadas 🙂

O Vivi, descobrimos, é um esquiador nato, assim como nossa amiga Ju (que não apenas pegou a manha rapidinho, como também nos ajudou nas horas que mais precisamos. Santa Ju).

Vivizinho demonstrou muito equilíbrio e jeito pra coisa. Terminou o dia descendo a rampa intermediária duas vezes. Orgulho da mamãe, rs – e olha que eu não dava nada por ele :O)

Nickito, ainda que aos tombos, dava seu jeitinho aqui e ali e desceu comigo a rampinha de principiantes – praticamente um jardim da infância que, detalhe, só tinha adultos (a maioria estrangeiros), enquanto alguns coreaninhos que batiam no ombro do Nick foram vistos descendo a pista maior de todas! Acho que esses coreanos já nascem com os esquis nos pés… só pode.

Mauricinho, o atleta da família tava com a roda presa, levava 30 minutos para descer a rampinha do jardim da infância (olha quem fala… levei uns quatro tombos na rampa e outros 2 no plano, rs). Uma verdadeira comédia, rs

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Eu, por minha vez, lesada que só, não aprendi direito como frear. Não havia maneira de eu conseguir inclinar os esquis e ainda fazer o tal do “A” na descida. Resultado: eu até ia descendo bem, mas conforme ia pegando velocidade, ficava com medo e me atirava no chão. A primeira queda foi de leve e a Ju, que ainda estava ao meu lado, me deu um super help pra levantar (ainda não sei como ela conseguiu me levantar na ladeira sem cair, mas tudo bem). A segunda queda, logo em seguida, não sei como foi de frente, mas também não machucou. Já a terceira, já numa velocidadezinha marota, me joguei pro lado e estou até hoje (4 dias depois) com um hematoma lindo e dolorido. Sério, até pra dormir incomoda. Depois acho que ainda teve mais uma queda, já quase chegando na parte plana, mas aí eu já tava craque, nem precisei tirar os esquis pra levantar. Virei as pernas, dei um impulso e fiquei de pé – nem eu acreditei, rs

Enquanto tudo isso acontecia comigo, Vivi já tinha subido e descido umas duas ou três vezes e Nickito tava lá entre tombos e reerguidas para também conseguir chegar lá em baixo. Recebeu ajuda da tia Ju no inicio e do papai em algum momento. Eu, mal conseguia ajudar a mim mesma, rs.

Aliás, o marido deu uma paradinha pra me ajudar também e logo depois, ficou preso na rede de segurança por uns 5 minutos, rs Bom na teoria, nem tanto na prática, rs

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Entre tombos e gargalhadas, o dia foi bem divertido e apesar de eu não ter tido a audácia de descer de uma vez a rampinha, tomei um certo gosto e acho que da próxima vez vai ser melhor 🙂

Sim, você leu certo “da próxima vez”. Estamos pensando em voltar ano que vem e fazer menos feio do que este ano, rs

Ano que vem a gente solta a roda! Tira o freio do esqui e seja o Deus quiser.


PS. De nós 4, só o Nick comeu (de manhã). Nem água bebemos. Ficamos até as 8:30 da noite em jejum, desde a noite anterior. Pelo visto, ir à praia dá fome e esquiar na neve tira a fome. Fiquei até meus enjoada…

PS2. O dia seguinte foi dureza. Nem tanto pelos braços sedentários doloridos, mas pelo cansaço de quem não pratica atividade física nenhuma mesmo. Passei o dia indo da cama pro sofá, lendo Gone Girl, que aliás, recomendo 😉

PS3. Levo tanto jeito pra coisa que, uma hora, peguei um embalo no plano e, não conseguindo frear, para evitar derrubar uma menininha, abracei seu pai, um coreano, óbvio, que ficou tão desconcertado que nem me olhou nos olhos. Meus esquis engataram nos dele e levou bem uns 5 minutos para consegui me livrar (ou ser livrada) daquela cena patética.

PS4. Quem me conhece, sabe que em situações de medinho eu solto gritinhos agudos. Então, eu era A ÚNICA dando gritinhos agudos lá… Sooooo sad…

 

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