Um ponto zero

Ontem, meu primeiro bebê celebrou mais uma primavera. That’s right, Vivi is 10!

Double digit! Big Milestone! Mal dá pra acreditar que, há uma década, nascia meu primeiro molequinho, meu gatão, então conhecido como Baby Bo, meu primeiro bebezuco, meu pacotinho que chegou totalmente sem manual de instruções, numa época em que, hoje, olhando pra trás, vejo que eu não estava nada preparada para ser mãe.

Foram tantos erros na tentativa de acertar, tantas coisas que hoje eu sei que poderia ter sido diferente, tanta imaturidade (mesmo aos 30 anos)… Por outro lado, desde a descoberta da gravidez, foi tanto, mas tanto amor. Perdoem-me o clichê, mas é, sim, um amor inexplicável, incomparável, imensurável… um amor inimaginável antes da maternidade, um amor absoluta e totalmente incondicional. Foi com o Vivi que eu me descobri mãe, foi com ele que descobri que era capaz de amar assim.

Vivi, meu primogênito, meu bebê cobaia, meu primeiro em tantas coisas, meu eterno periquitinho que eu amo tanto que chega a doer.

Volta e meia me pego revendo fotos e vídeos dele pequenininho e suspirando, sem entender direito onde foi parar meu baby Bo. E apesar de achar que ele está enorme, praticamente um rapaz, tenho plena consciência de que daqui a 10 anos, ao rever suas fotos de hoje, suspirarei da mesma maneira e me farei a mesma pergunta – onde foi parar o meu bebê? Por isso, tento, cada dia mais, aproveitar cada minuto ao lado dele.

Ele cresceu, não me pede mais para ler livrinhos, nem para cantar musiquinhas de ninar (quando pede, critica minha voz – um chato! rs), mas faz absoluta questão que eu vá ao seu quarto toda santa noite para cobri-lo, dar um beijinho, um abraço e dizer “eu te amo”. É nossa rotina, um momentinho só nosso que deixa meu coração mais leve, minha alma mais feliz. Confesso que também gosto quando, por algum motivo, ele fica ansioso e não consegue dormir, porque sempre que isso acontece, ele me pede pra deitar do ladinho dele, até que pegue no sono – e eu sempre fico um pouquinho mais, tentando eternizar aquele momento.

Mas nem só dos mimos noturnos vive uma mãe. Durante a semana, ao acordá-lo para o colégio, coloco-lhe as meias nos pés (que já são do tamanho dos meus!) e deixo o uniforme separadinho, pendurado na cama. Parte de mim sabe que eu não deveria mais fazer isso, que ele precisa ser responsável por acordar sozinho, separar seu uniforme, até mesmo preparar seu lanchinho… mas a outra parte, aquela da mãe que não quer que o filho cresça, é mais forte e por isso, sigo fazendo aquelas pequenas coisas, tendo aqueles pequenos cuidados que o mantém, de alguma forma, de baixo das minhas asas – haja vista o emblemático dia em que ele cortou as próprias unhas e eu quase chorei de tristeza. Não parece, mas lá no fundo, escondidinha, sou dessas 😐

Claro que eu banco a durona, não dou moleza, ensino a ser independente, responsável, a respeitar o próximo, a ter bons modos (tento, né? rs)… há quem diga que sou rígida até demais (do que eu discordo, obviamente): regulo tempo nos eletrônicos, controlo o consumo de besteiras (pensa numa casa onde não se compra nem biscoito Maria), ensino que lugar de roupa suja é no cesto e de louça suja é na pia, que cama não se auto arruma, e outras coisas básicas, tipo “sujou? limpa” “bagunçou? arrume”… mas há certas coisinhas que gosto de fazer – às vezes até os cabelos dele sou eu que lavo, com a desculpa de que ficam mais cheirosos assim, rs.

Mas o que eu gosto mesmo é daquele momento nas manhãs de sábado e domingo, quando ele vem pra nossa cama, ainda com a cara amarrotada, remelento e baforento, pro aconchego de bom dia 🙂 Eu abraço, aperto, beijo e, 100% das vezes, penso: nossa, como vou sentir falta disso.

Cês sabem, né? Sou daquelas que sente saudade antecipada. Sofro antes do tempo, me dá enjôo só de pensar que um dia o ninho estará vazio.

Mas, deixando a loucura da saudade antecipada de lado e focando no presente, como é o Vivi dos 10 anos?

Para celebrar sua entrada nos dois dígitos, preparei uma listinha com 10 coisas sobre meu nem tão pequeno Vivi, uma dezena de características que, reunidas, contam um pouco sobre sua personalidade:

1- Ele é uma figura rara: divertido, engraçado, perde o amigo, mas não perde a piada, faz amigos por onde passa e não tem vergonha nenhuma, de nada (mentira, tem sim, demonstrações de afeto em público, rs).

2- É muito bonzinho: Vivi tem um coração enorme, é um bom filho, um bom irmão, um bom amigo (é paciente até com os colegas mais maletas, rs), uma pessoa do bem e, ao contrário do irmão, que é agridoce, rs,  Vivisaurinho chega a ser previsível.

3- É um líder nato: há coisas que não têm muita explicação, são porque são, e o Vivi, desde pequeno, é admirado e seguido pelos amigos. Ainda não aprendeu a usar seu poder para o bem (é o líder da bagunça), mas acredito que com o passar do tempo, seu bom coração falará mais alto do que a vontade de tocar o terror, rs Oremos!

4- Tem a auto-estima elevadíssima: Esse aí se acha, rs. Não é nada vaidoso (a menos quando o assunto é cabelo), às vezes ameaça sair de casa amarrotado, com peças de roupa que catou na ventania, mas ainda assim, se sente totalmente confiante.

5- É dramático: tô pra ver alguém mais dramático que ele. Tudo é motivo para drama, parece que nasceu no palco. Exagerado que só, se faz de injustiçado, arma um circo inteiro por nada. Parece viver 24h por dia numa novela mexicana.

6- É super extrovertido: Muito popular, adora ser o centro das atenções. Se pudesse, viveria com a melancia pendurada no pescoço. Fala alto e fala muito, gosta de ser notado, adora participar, mesmo quando não tem nada a dizer. É o rei dos holofotes  (esse aí é meu polo oposto, rs)

7- Faz pose de cool, de durão, mas é grudento e adora um carinho (desde que não seja perto dos amigos, afinal, ele tem uma reputação a zelar, rs)

8- É apaixonado por bebês e crianças pequenas (e eles por ele): não pode ver uma pessoinha na rua que já faz amizade, aliás, vive pedindo, e ainda tem esperança de termos mais um bebê em casa (quem não quer, não é mesmo? Ah, lembrei, o pai, rs)

9- É um poço de criatividade: adora fazer piada, escrever comics e inventar personagens exóticos. Só não é mais criativo, porque a preguiça não o deixa exercitar, rs – mas hoje não vou focar nos defeitos, deixemos estes para um outro momento 😛

10- Comilão: é carnívoro, fã de churrasco, adora picanha e fraldinha, especialmente se for mais pra mal passada. Se dependesse dele, almoçaríamos na churrascaria rodízio todo santo dia. Adora também um junk, mas está cada vez mais habituado à ausência de doces, biscoitos, pães e massas e, por mais que não queria admitir, hoje, gosta mais da ideia da porcaria do que porcaria em si, rs Até passa mal quando come mal (vitória! rs).

Este é meu Vivizinho, uma alma gentil que reside numa casca marrenta, um carinha flexível, que se adapta facilmente às mudanças e situações, que curte as coisas simples da vida, que não precisa de muito pra ser feliz e que cativa a todos com seu jeito engraçado e extrovertido e nos proporciona experiências incríveis e infinitas histórias pra contar. Que seja eterno enquanto dure a sua infância e a sua presença em nosso dia a dia e, mais do que isso, que ele não cisme de alçar vôos para terras muito distantes, quando suas asas crescerem, porque se isso acontecer, a mamãe aqui vai morrer, vai minguar de tanta saudade. De quem será que ele puxou a veia dramática? 😛


Ontem, a pedido do nosso junk boy, abrimos uma exceção e levamos donuts, salgadinhos e suco pra celebrar seu aniversário na escola – um atentado à saúde, eu sei, mas os aniversários deles são minha kriptonita, eu acabo cedendo, até mesmo aos pedidos mais enlouquecidos. Nem te conto como os olhinhos dos amiguinhos dele brilharam ao ver tanto junk reunido, hahaha

À noite, fomos jantar no Brasileiro, seu restaurante favorito 🙂 e quando voltamos pra casa, teve parabéns em família, daqueles improvisados, onde, para a decoração da mesa, “chamei” 3 dos seus melhores amigos de infância: Ioioiô (Farmer Jed, do Little People), Woody (Toy Story) e Mario. Vivi pediu bolo de banana com cobertura e recheio de goiabada, aka bomba de açúcar, mas pelo menos a massa era gluten free e sugar free. Apesar da combinação nada tradicional, até que ficou bem gostosinho 🙂

No domingo será a festinha compartilhada deles, onde deixaremos dois rins para pagar o estrago – ô terrinha cara, viu? Mais de 50 dólares por cabeça (e sem bolo!), um atentado aos cofres da família. Mas fazer o quê? Em casa não dá pra fazer e, esta época do ano, o frio já não permite mais festinhas no parque. O jeito é coçar o bolso.

A boa notícia é que semana que vem, voltamos à programação normal. Nada mais de bolos e gordices, nem mesmo no meu aniversário, porque nesse quem manda sou eu – eu acho, rs – e o jantar será num vegano que há muito tempo quero conhecer, só precisava da desculpa para torturar os meninos… Acho que meus quarenta justificam, né não? 😛

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