Houston, we have a problem. Maybe two.

Mais um ano escolar começou e com ele, novos problemas.

Claro que após um ano inteirinho, os meninos estão mais do que adaptados e até bem felizes com a vida nova, mas como tudo nessa vida tem limite, felicidade também tem.

Este ano, Vivi ganhou de presente uma professora durona e nada pouco simpática que ele jura que o odeia. Tadinho, em pensar que a professora dele do ano passado era a mais doce do mundo inteiro… Deve estar realmente sendo muito difícil 😦 Além disso, ele e o Nickito compartilham um novo professor de educação física que, segundo o Nick, briga até com a sombra, vive gritando e faz cara de zombie. Por que, meu Deus, colocar uma pessoa assim para dar aula para crianças de 6 anos? Por quê???

Há dois dias, recebemos um email do tal professor, contando que o Nick não seguia as instruções, não se engajava nas aulas… e dizendo também que nas últimas duas semanas ele estava ainda pior (eu bem sei como é o Nick quando ele quer ignorar alguém). Ao final do email, ele perguntava se havia algum motivo para tal comportamento, ou então se havia algo que ele poderia fazer para que o Nick se sentisse mais à vontade nas aulas.

A minha vontade foi responder:

“Caro professor, a culpa é sua. Seja amável, não grite tanto e não faça cara de zombie. Nem toda criança de 6 anos gosta de ser tratada dessa maneira.”

Mas respirei fundo e respondi quase isso. Disse que o Nick é muito verdadeiro em suas reações. Não é do tipo que finge que tá tudo bem. Ele tem uma personalidade forte e reage ao ambiente e à situação que lhe é apresentada, podendo ser um docinho de coco ou um monstrinho teimoso. Disse que ele não é do tipo que aceita imposições. Requer tato no trato. Disse também que conversei com ele e expliquei que é muito importante que ele siga as instruções nas aulas – mas alertei que não sabia se funcionaria. Prometi continuar conversando com o Nick diariamente e pedi que me mantivesse informada sobre o seu comportamento.

De certa forma, eu respondi exatamente o que eu queria, só que de uma maneira mais leve. Confesso que queria ter terminado o email dizendo, como uma indireta, que pedi ao Nick para sempre lembrar da Golden Rule: Não faça aos outros o que você não quer que façam a você. Ou ainda, respeite se quer ser respeitado. Mas achei que poderia estar indo longe demais.

Veja bem, eu conheço o filho que eu tenho. Sei que ele é super difícil, teimoso e tal, mas ele reclama desse professor desde o primeiro dia e ele não é de reclamar de professor. Ano passado, a professora titular era o cão chupando limão e ele quase nunca reclamava, contava apenas sobre um evento aqui, outro ali, mas levava super bem o mau humor da bonitona. Ou seja, esse maluco deve ser terrível mesmo.

Além de conhecer o filho que tenho, conheço também o colégio e sei, por experiência própria, que eles defendem professores e staff como se fossem os donos da razão. Vide o evento em que o Vivi, recém chegado, tadinho, soltou um “Meu Deus” (que depois descobriu ser proibidão na escola cristã) e levou um sermão, na frente da turma inteira, que o fez chorar compulsivamente. Que raiva, viu? Paga-se caro para ter que passar por isso. Por essas e outras, não, não vou dizer que meu filho está errado, porque quem está errado é o professor, por não saber conduzir os alunos com carinho e a escola, por ter contratado esse professor. Que diabos de escola cristã prega o amor, a compaixão, foca nos ensinamentos bíblicos e na hora da prática não aplica os mandamentos divinos? Eu hein!

Pelo menos, a professora titular do Nickito é ótima. Rígida, mas ótima, dona de uma energia espetacular e demonstra um carinho enorme pela profissão e pelas crianças.

Já o pobre Vivi, além de ter que aturar o mesmo professor de Educação Física sem noção, tem uma professora titular bem difícil. Grita o tempo todo, não tem a menor paciência e não demonstra um pingo de carinho no trato com os alunos.

Até então, eu achava que era exagero do Vivi, até que na sexta passada, ele vira pra mim com os olhos cheios d’água e diz: mamãe, ele muito má! Ela me odeia! Eu quero muito mudar de turma. Não me importo se ela souber o motivo, eu quero sair dessa turma. Ela sempre grita comigo, faz cara feia pra mim… Eu tenho certeza que ela me odeia!”

E como fica o coração da mãe nesse momento? Em frangalhos, né?

Todo dia rola uma história. A última aconteceu há dois dias, quando o Vivi ganhou o prêmio de “Guardian Star” da professora de música, em reconhecimento ao seu esforço. Ele contou que no momento em que ele estava lá na frente recebendo o prêmio, tiveram que pedir para a professora tirar uma foto, porque ela não mexeu um músculo. Após o pedido público, ela, emburrada, tirou a foto rapidamente. Por que agir assim, meu Deus? Por quê???

De novo, eu sei o filho que eu tenho, sei que o Vivi não é fácil, é conversador e um tanto dramático, mas sei também que ele não é mau e, apesar de muito distraído, é até bem fácil de se lidar. E, mais do que isso, eu também sei quando ele está realmente triste e preocupado. E ele está. E eu também estou.

Como tive uma longa conversa com a tal professora semana passada no Open House e, inclusive, expliquei sobre os efeitos do remédio da tireóide que fazem o Vivi ficar muito mais agitado e distraído que o normal, tenho esperança que ela melhore um pouquinho no trato com ele, então estou dando um tempo antes de me manifestar. Entretanto, se nada mudar, terei que procurar a diretora e aí, meu amigo, se ela vier com desculpinhas ou se fizer de morta, pode ser que escape da jaula, a mãe leoa brasileira.

Oremos.

 

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