Praia de verdade. Tem na Coréia? Tem, sim senhor!

Após a grande frustração (não para as crianças, mas pra mim) que foi nossa ida à praia lamacenta de Incheon, eis que finalmente, ao apagar das luzes do verão, descobrimos que dá pra ser feliz numa praia relativamente perto de Seul. Sem trânsito (existe essa possibilidade aqui?) são 2 horas, mas como eu sou realista, vamos de 3.

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E quer saber? vale a pena. Valeu o engarrafamento, porque a praia é super gostosa e a cidade super simpática. Claro que praia com amigos é sempre mais divertido. As crianças de esbaldaram.

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Curtimos tanto que resolvemos pernoitar para aproveitar um pouquinho mais da praia na manhã seguinte 🙂

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À noite, jantamos frango frito e, de sobremesa, um treco que parecia sorvete de leite com feijão doce. Mais um pouco e estaremos comendo polvo vivo :O| As crianças brincaram num VR que tinha em frente à praia e ainda demos uma boa passeada pela região, com direito a ver fogos de artifício na beira da praia.

O que eu sei é que o verão ainda nem terminou (mas a temporada de praia já) e já estamos animados para o próximo. Sinto que, agora que a gente abriu a porteira, vai rolar muita praia coreana em 2018, até porque, não teremos Europa ano que vem, no máximo um Vietnam, uma Indonésia, uma Tailândia… rs, e como o verão é longo, graças a Deus, teremos muito tempo para desbravar as praias coreanas. As praias de verdade, claro.

Perguntei e ele respondeu

Dia desses, inspirada numa tag que anda rolando no Youtube, perguntei pro Vivi: “que 5 coisas que eu faço que te irritam?”

Confesso que perguntei, mas tava com um friozinho na espinha, medinho do que poderia ouvir e, pra piorar, o bonitinho ainda fazia caras, enquanto escrevia, dizendo: “posso falar mesmo? tem certeza?”

Ele estava realmente apreensivo em me contar o que o irritava em mim, tanto que disse que só concordaria, se eu também escrevesse as 5 coisa que me irritam nele e revezássemos respondendo. Eu topei.

Com vocês: as 5 coisas que eu faço e que irritam o Vivi:

1- “quando você é rígida” – imagino que com relação à alimentação e ao acesso aos eletrônicos, rs.

2- “quando você me trata como se eu tivesse 4 anos” – eu não deixo ele ir sozinho à quitanda da esquina e quando deixo, mando ele ir falando comigo no FaceTime, rs.

3- “quando você não me deixa vestir o que eu quero” – eu não escolho as roupas dele, mas também não deixo ele sair feito um sem teto.

4- “quando você pensa/diz que eu fiz xixi fora do vaso” – ah, mas que faz, faz! Já presenciei várias vezes.

5- “quando você diz que refrigerante só nas férias” – Só nas férias, não, cara-pálida, só de vez em quando, quando estamos viajando.

(as duas últimas, ele levou um tempão pra pensar. Sinal que eu não irrito tanto assim, rs)

E agora, o que me irrita no Vivi:

1- os dramas, como se ele fosse o mais injustiçado do mundo;

2- nunca faz o que eu peço na hora e quando faz, faz reclamando;

3- é preguiçoso (diz que não gosta de viajar, que seu sonho é passar férias no sofá, assistindo seriado e comendo. Espera só mais 9 anos, meu filho);

4- contesta tudo o que eu falo (e fica danado da vida porque, logo em seguida, vê que eu tô certa);

5- tem vergonha de demonstrar afeto em público (em casa é “mamãe, eu te amo”, “me dá um abraço”… lá fora, não quer nem me dar a mão para atravessar a rua)

 

No fim das contas, eu que tava esperando um bombardeio, fiquei até feliz com as respostas 🙂


Em tempo: quando fiz a mesma pergunta pro Nickito, ele docemente respondeu: “Muito difícil, mamãe… não tem nada em você que me irrite… you are so nice…” – tá bom, sei… vou perguntar de novo, quando ele estiver dando um de seus ataques de pirraça, rs. Se bem que, melhor não 😛

Nós somos péssimos! Ou seríamos ótimos? ;)

Eu e marido somos uma negação no quesito celebração de datas especiais.

Na verdade, eu era ótima nisso. Não só lembrava de todas as datas, como sempre dava um jeitinho de celebrar, mas de uns anos pra cá, meodeos, que negação.

Aniversário do primeiro beijo, de namoro, de noivado, de casamento, dia dos pais, das mães, dos namorados, de mudança pros EUA,  Austrália,  Coréia… são tantas datas! Só que nos últimos tempos, a maioria delas a gente só lembra no fim do dia. Shame on us!

Ou não…

Há quem diga que a gente deve celebrar nosso dia a dia e isso, meus amigos, nós fazemos com maestria.

Mas vamos lá, só para não deixar passar em brancas nuvens as últimas datas especiais, tivemos duas bem recentes que merecem uma notinha aqui no blog :P, até porque você sabe, né? Este blog vai virar mais um volume impresso da nossa coleção de histórias.

Dia 18 de julho foi nosso aniversário de casamento e sabe como celebramos? Começando nossa viagem de volta para o nosso lar coreano, após um mês inteiro de sassarico pela Europa. Claro que a gente só lembrou da data quando estava na fila do check in no aeroporto, né? rs

O que pouca gente sabe é que, muito embora nosso casamento tenha sido celebrado e festejado no dia 18 de julho de 2004, nossa certidão data de 18 de junho do mesmo ano. Por que? Ora, porque precisávamos agitar os documentos para nossa mudança: passaporte, vistos, etc… Então, oficialmente, celebramos nossos 13 anos de casamento nos preparando para embarcar para nossas férias. Nada mal, não é mesmo? 🙂

Mas ainda tivemos outra data especial em julho, o dia em que chegamos em solo coreano com mala, cuia e crias. Gente, já faz mais de um ano!!!

Chegamos aqui no dia 31 de julho de 2016 e desde então foram tantas descobertas, tantas aventuras, tantos desesperos, tantas alegrias. Diria que estes 12 meses (tá bom, tecnicamente foram 10, já que passamos um mês no Brasil e outro passeando pela Europa) foram os mais movimentados emocionalmente. Tive momentos de desespero, de saudade mortal da minha vida australiana, de dúvidas se havíamos feito a escolha certa, de quase arrependimento. Por outro lado, foram tantos outros momentos especiais, engraçados, divertidos, inusitados… momentos que jamais teríamos vivido se não tivéssemos saído da nossa bolha, da nossa zona de conforto.

Celebramos nosso primeiro ano de Coréia não com jantar especial, mas com algo muito melhor: aquele sentimento de que fizemos a coisa certa, no momento certo, com aquele sentimento de que apesar das reclamações (inverno glacial, poluição surreal, supermercado estressante, apê pequeno…) ainda não estamos prontos para sair daqui. É isso mesmo, ainda temos muito o que fazer aqui, muito o que explorar, muito o que conhecer. Hoje, posso dizer que, finalmente, estou adaptada e pronta para abraçar a Coréia como minha casa, sei lá por quanto tempo. Sim, nosso tempo de permanência em solo coreano está em aberto, mas espero que fiquemos por aqui, por pelo menos mais 2 anos.

Fico tão feliz de poder sair de casa andando, atravessar a floresta e chegar a Sinchon. Fico tão feliz de sair andando pela rua e chegar a Hongdae. Fico tão feliz de morar num lugar tranquilo e ao mesmo tempo, muito perto do agito, do oba oba, do movimento.

E assim comemoramos um ano na terra do kimchi: com o coração em paz e o sorriso no rosto, até porque, é verão! Impossível não ser feliz no verão 🙂

É… definitivamente, posso dizer que não celebramos datas especiais, celebramos todos os dias, porque pra gente, todos eles são especiais, são parte da nossa vida, da nossa trajetória, da nossa história. A gente celebra tanto, que não sente necessidade de comemorar datas simbólicas. Talvez isso seja um sinal de felicidade verdadeira, de maturidade, de auto conhecimento, de falta de necessidade de dar satisfação aos outros. Talvez seja isso 🙂

De qualquer forma, good on us 🙂

Em tempo: Hoje foi Dia dos Pais no Brasil. Eu sempre me perco na celebração do Dia dos Pais. Cada país celebra num dia/mês. Brasil, Austrália, EUA, Coréia… Nunca é a mesma data. Tudo bem, mais um dia para entrar pro hall dos não celabrados numa data específica, mas no dia a dia. Mas já que estamos falando disso, parabéns pros pais que sabem celebrar todos os dias, dando atenção e amor para seus filhos, se dedicando, apoiando e incentivando suas crias. Eu tenho a sorte de ter um pai assim e a felicidade de ter escolhido um do mesmo naipe para os meus filhos.

Coisas de Coréia…

Noutro dia, maridinho saiu de casa para comprar pão. Pão artesanal, de fermentação natural que, em tese, tem o glúten “digerido” durante o processo de fermentação prolongada e portanto, na prática, não me faz sentir mal.

Anyway, a padaria que vende esse pão fica mais distante, uns 10 minutos andando, o que seria a distância perfeita, não fosse o temporal que começou a desabar no momento em que ele estava saindo da padaria, claro, sem guarda-chuva.

O cara da padaria, sem hesitar, ofereceu-lhe um guarda-chuva:

marido: obrigado, mas não precisa… senão vou ter que chegar em casa e voltar aqui pra te devolver…

carinha da padaria: não precisa… devolve outro dia, quando estiver passando por aqui.

Assim é a Coréia. Assim são os coreanos.

E não foi a primeira vez que isso aconteceu.

Ano passado, recém chegados aqui, saindo de um restaurante, caiu aquele pé d’água. O rapaz do restaurante insistiu para que levássemos o guarda-chuva, mas nós ainda não estávamos acostumados à cortesia e gentileza coreana, então, em vez de aceitar a oferta, agradecemos e fomos de baixo de chuva mesmo.

Olhando em retrospectiva, foi até meio grosso da nossa parte, né?

Mas agora já sabemos.

Eu que estava acostumada a ter o guarda-chuva “roubado”, agora vivo num país onde a integridade é tão inquestionável, que emprestar um guarda-chuva sabendo que o terá de volta é regra.

Dois vivas para a Coréia 🙂

A primeira praia coreana a gente, definitivamente, nunca esquece :P

Sábado de sol e muito calor, não dava pra fazer nossa caminhada pela montanha sem desmaiar, não dava nem pra caminhar na rua sem a pressão desabar. O que fizemos? Catamos os meninos, umas toalhas, o protetor solar e partimos para a praia mais próxima que conseguimos encontrar, em Incheon, perto do aeroporto.

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Quando estávamos chegando, juro, me deu vontade de dar meia volta e regressar ao lar. Ô vista feia, viu? rsrsr Podem me chamar de carioca metida a besta, mas putz, me fez lembrar das imagens medonhas do piscinão de Ramos. Perdoe-me a sinceridade áspera, sou cria do Maracanã, de Vila Isabel, da Tijuca, sou Zona Norte Carioca, mas piscinão de ramos não rola, rs. Quer dizer, não rolava, porque neste sábado, 5 de agosto de 2017 rolou algo muito parecido, eu acho… nunca fui ao original, rs

O lugar já era feio, mas a maré baixa deu um toque todo especial a sua feiura. Todo mundo de roupa (menos eu, que após os primeiros 20 minutos de incerteza se deveria ou não ficar de biquini, me rendi ao calorão). Areia grossa e escura. Água turva.

Mas já estávamos ali, né? Fazer o que? Como eu costumo dizer, tá na lama, abraça o jacaré 😛

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E sabem que a experiência nem foi tão ruim assim? Há otimistas que dizem que até foi boa… Os meninos, que estavam relutante em ir à praia, agradeceram o tempo inteiro. Veja você como é simples agradar uma criança: alugamos uma boia e os dois não saíram da água um minuto sequer. Pinto no lixo definia aqueles dois na praia de Incheon 🙂

Conforme a maré foi subindo, a praia até ficou um pouco mais simpática e além disso, toda descoberta, por mais enfarofada que seja, é sempre material pro blog, é sempre mais uma história pra contar.

Uma coisa que eu achei interessante é a segurança e a preocupação (extrema) com os banhistas. Um drone com uma câmera e um megafone sobrevoava constantemente a praia, observando os banhistas e os alertando. Claro que eu não entendia bulhufas, mas já tinha lido sobre isso, então sabia do que se tratava.

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O policiamento é constante. A região liberada para o banho é devidamente delimitada por boias e conforme a maré vai subindo, eles vão ajustando o posicionamento dessas boias e, se alguém ultrapassa os limites de segurança, o drone chega para alertar. Tudo muito organizado.

Mas o que eu mais curti foram as boias, aquelas gigantes de unicórnio, flamingo, cisne, donut, pizza… Achei divertido 🙂

A água também estava numa temperatura ótima – espero que o motivo não seja “corrente de xixi”, rsrsr – mas me dava muita agonia não conseguir enxergar nem minhas mãos de baixo d’água, os pés então, nem em sonho.

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Mas apesar de todas essas reclamações, o dia acabou sendo bem gostoso. Só não foi melhor porque não fomos muito preparados e também porque não tínhamos amigos. Mas isso a gente resolve na próxima… de preferência, numa outra praia 😉

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Sobre o restinho das férias escolares

Após um mês saçaricando pela Europa, ainda nos sobraram duas semanas e meia de férias em Seul. O que isso significa? Haja energia e criatividade (mais energia do que criatividade) para não surtar com os moleques nesses dias finais. Só com muito amor na causa, viu? rsrs

Passeio no parque; caminhada pela montanha; voltinha em Sinchon; direção de vídeo pro canal no youtube; visita ao Museu de História Natural seguido de almoço no espanhol perto de casa; passeio por Itaewon, com direito a visita à megastore do Line Friends e almoço no Thai… ufa, os últimos dias de férias foram intensos, mas a verdade é que apesar de ficar exausta, eu curto. Curto muito poder passar tempo com eles, leva-los pros lugares, vê-los brincar. E vamos combinar que a alternativa a isso é deixa-los em casa com a TV ligada ou os gadgets nas mãos e isso pra mim não é opção.

Prefiro, milhões de vezes, ficar por aí, em função deles, do que entrega-los pros eletrônicos. Afinal, daqui a pouco eles saem de casa e o que eu terei guardado deles? Imagens de zumbis da modernidade? Não, quero mais é guardar esses momentos, as histórias, as arteirices, as fotos. Quero morrer é de saudade e não de arrependimento. Já tenho tantos! rs

O que eu sei é que nesse restinho de férias, teve de tudo, até episódio de filme de terror, com o Vivi vomitando as tripas no meio da rua e correndo a cada minuto pro banheiro mais próximo porque o intestino também inventou de fazer cena.

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Mas sobrevivemos. Sobrevivi 🙂

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E curti mais um pedacinho da infância dos meus moleques…

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A maratona cansa, física e até mentalmente às vezes (confesso que tem horas que tenho vontade de me esconder no fundo do armário só pra curtir o silêncio, rs), mas maternidade é isso aí: sentir alegria na exaustão e querer desesperadamente um momento de paz. Momento esse que, lá na frente, você se arrependerá de ter desejado, porque o silêncio chega e, sejamos sinceros, nem demora tanto assim. A adolescências tá logo ali na esquina, meodeos!

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A verdade é que eles são barulhentos, são agitados, são impossíveis, mas são tão divertidos e têm tiradas tão sensacionais que vale a pena a tortura, rs.

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Mas ó, que venham as aulas, porque por mais que eu “gostche”,  já deu de férias escolares 😛

Tô precisando recarregar a minha bateria 😉


Em tempo: Detalhe besta: acabei de descobrir que saçaricar é com ç e não com ss. Aff… Passei a vida achando que era com ss… culpa daquela novela da Globo!

Como você decora sua casa? De fora pra dentro ou de dentro pra fora?

Minha casa está longe de estar do jeito que eu gostaria, principalmente porque, em tese, não posso pintar paredes nem azulejos, nem trocar armários ou qualquer revestimento. Nosso apartamento tem umas features de gosto duvidoso que são verdadeiros elefantes brancos que atravancam bastante e impedem o flow da decoração. Maaaaas, vou ajeitando o que dá pra ser ajeitado. As últimas aquisições foram três plantinhas não planejadas que vieram do mercado e se aportaram,  duas na coffee table e uma no meu querido aparador azul bic.

Eu não era assim, mas aos poucos fui aderindo ao movimento inconsciente da slow décor e é desse jeito, a la Martinho da Vila, devagar-devagarinho, que nosso apê coreano vai tomando forma, vai ganhando alma.

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Os quadros (e os chapéus!) nas paredes me remetem a lugares, a momentos. Os livros sobre a mesinha de centro contam a a história da nossa família, literalmente (são meus blogs impressos). Nossa sala reúne o passado e o presente e nos faz imaginar como (e onde) será o futuro.

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Não sou adepta dos modismos na decoração, sou, sim, altamente influenciável pelo que se passa dentro de mim e ao meu redor. Sentimentos, momentos e até mesmo a época do ano ou o clima lá fora são fatores que que influenciam o meu humor e, portanto, a minha morada.

Eu, definitivamente, decoro minha casa de dentro para fora. As cores, as fotos, as lembranças, os achados, tudo tem um significado. Minha casa reflete o estado de espírito e a essência da minha família.

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Agora… não queira entrar no meu office, porque a baguncinha criativa é uma constante. Noutros tempos, eu não conseguia trabalhar se tudo não estivesse em absoluta ordem, mas a coisa mudou. Hoje, meu office é o único lugar da casa em permanente estado de caos. Minha mesa então, afff…

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Talvez esteja assim porque a minha vida profissional está super bagunçada (de dentro pra fora, lembra?). Minha meta para este segundo semestre é tentar organizar essa parte da minha vida, só assim, essa parte da minha casa ficará em ordem 🙂

 


 

Em tempo: assim, em ângulo fechado, a casa tá até jeitosinha… O problema é que eu não vivo em ângulos fechados e quando estes se abrem, os elefantes brancos estão em toda parte.