Dia lindo, temperatura perfeita (pelo menos pra mim, rs)

Seguimos fora do fuso. Fomos dormir por volta das 2 da manhã (devido ao ataque do Nick, que resolveu azucrinar o juízo da família toda) e acordamos já passava do meio-dia (Nick, às quase 3 da tarde).

Marido logo saiu pro trabalho, porque a julgar pelo ataque noturno do Nick, trabalhar de casa seria impossível. Eu, assim que olhei pela janela e me deparei com aquele céu azulão, tratei de fazer o café da manhã e apressar os meninos para sairmos.

Fizemos uma caminhada bem gostosa pela montanha, o atalho que nos leva a Sinchon, perfeito para se fazer a pé. Há quem diga que o calor estava de lascar. Os meninos suavam em bicas. Quando saímos da floresta, já no Campus da Yonsei University, Nick ficou com as bochechas roxas de tanto calor. Foram uns 40 minutos desde que saímos de casa até chegarmos em nossa lojinha de suco favorita.

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Pedimos 3 sucos: Vivi pediu laranja com abacaxi, Nickito, de uvas verdes, abacaxi e kiwi e eu fui no de sempre, abacaxi com melancia.

O calor estava mesmo intenso, mas você sabe, né? Não reclamo de calor, rs

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Sentamos para tomar nossos sucos e fazer um pouco de people watch. Depois, resolvemos entrar de loja em loja, em busca de um ar condicionado básico, rs.

***

Ah, detalhe interessante, quando chegamos aqui na Coréia, não encontrávamos sequer uma lata de lixo na rua. Simplesmente não havia como descartar nada. Minha bolsa vivia cheia de papel, embalagens… Diziam que não havia lixeiras nas ruas porque dificultaria seleção de lixo (aqui se separa lixo orgânico, vidro, alumínio, plástico, papel), já que, em lixeiras comuns na rua, tudo ficaria misturado no mesmo compartimento. Agora, voltando de férias, notei que a cada, sei lá, 200 metros, encontramos um par de lixeiras (para lixo e recicláveis), pelo menos nas áreas de maior movimento. Segundo o Vivi, foi uma iniciativa do novo presidente. Não sei se é verdade, mas se for, palmas pra ele 🙂

***

Voltando, ao ponto… foram três lojas, sendo a última a Daiso, onde, claro, fiz umas mini comprinhas. Não dá pra resistir aos preços da Daiso, rs

Nessa brincadeira, as horas voaram. Saímos da Daiso, compramos uma água e pegamos o caminho da roça, que dizer, da montanha, de volta pra casa.

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No meio do caminho, já no campus da universidade, paramos nos jardins para brincar de pique-pega. Muita diversão, até o Vivi começar a passar mal. Começou a falar que estava enjoado e não levou 5 minutos até o primeiro jato de vômito.  Ficamos pelo menos  uma hora “estacionados” no jardim em frente a um prédio da universidade. Vomitava num canteiro e corria pro banheiro quando a dor de barriga apertava. Por sorte, bem perto, havia uma máquina que vendia água e que aceitava notas (e não apenas moedas). Comprei duas garrafas: uma pra ele beber e outra para refrescá-lo. O problema é que a cada água que bebia, era um jato de vômito que voltava. No fim, ele já estava deitado no chão, completamente entregue às baratas.

O marido saiu do trabalho mais cedo e foi nos buscar, porque andar não era uma opção para o enfraquecido Vivi 😦

Quando chegamos em casa, enquanto contava pro meu pai sobre o ocorrido, me deu um estalo: será que isso foi apenas por causa do calor, ou será que tem alguma coisa a ver com o tratamento para alergia respiratória e asma que o Vivi começou a fazer há 2 dias (Singulair e Xyzal)?

Comecei a procurar informação no Dr. Google, até que achei um post bomba num blog brasileiro. O post datava de 2012, mas havia comentários com experiências parecidas de até 2017. Aparentemente o tal do Singulair pode ser “milagroso” ou então ter efeitos colaterais sérios como transtornos psicológicos, mudança de comportamento, tiques e até, pasme, levar ao suicídio! E o pior é que o medicamento é conduzido como se fosse quase um tratamento natural.

Enjôos e vômito estão entre os efeitos colaterais leves, mas, sinceramente, eu nem sei se o que ele teve tem a ver com o remédio… o que eu sei é que ler aquele post me deixou com a pulga atrás da orelha e com muito medo de continuar com o tratamento. O pior é que o danado estava funcionando e a alergia e a asma estavam muito melhores com apenas dois dias de uso. Ó duvida cruel…

Normalmente, eu sou a primeira a ser contra remédios, mas dessa vez estou bem incerta, especialmente porque o tratamento deveria ser conduzido por um mês apenas.

Ai ai…

 


 

PS. Impressionante como ninguém parou para oferecer ajuda enquanto o Vivi vomitava os bofes no meio da rua. Dezenas de pessoas (estudantes) passaram por nós, viram que eu estava sozinha com os dois e que o Vivi estava se acabando de tanto vomitar e ninguém ofereceu ajuda nem pra buscar água. E não é porque não falavam inglês, porque aposto que falavam o suficiente para oferecer ajuda. Fosse no Brasil (ou na Australia, EUA, Espanha, Portugal…), independente da língua, inúmeros teriam parado pra ajudar, mas aqui o default é fingir que não viu. Não é que o povo coreano seja mau, é cultural mesmo. Não foi uma, nem duas, nem três vezes que presenciei situações parecidas. Uma vez, uma senhora estava no meio da rua, desacordada, com a calça toda molhada de xixi e o chão a sua volta todo vomitado. Eu havia acabado de chegar na Coréia, além de não falar nem oi em coreano, não tinha nem pra quem ligar (nem telefone eu tinha!), então, muito embora não houvesse muito como ajudar, fiquei por perto até alguém aparecer. Muitas pessoas passaram sem nem dar a menor atenção, até que finalmente um casal parou para ajudar. Mas até mesmo em situações corriqueiras como ajudar a catar as coisas que alguém deixou cair no chão do ônibus ou na rua, os coreanos se comportam sempre da mesma maneira, simplesmente ignorando. Ninguém mexe uma sobrancelha, não movem um músculo facial. O pior é que não só quem está em volta não se compadece, como quem precisa de ajuda também não espera ser ajudado. Confesso que, há quase um ano aqui, ainda não me acostumei.

 

De volta a nossa vidinha coreana

Sábado foi nosso primeiro dia oficial em terras coreanas, sabe porque? Por que fomos ao nosso restaurante favorito, the one and only: Brasileiro! Bom, na verdade o nome é Ipanema, mas nunca nos referimos a ele assim. Olha, senti falta daquela comidinha, viu? Tive mais ou menos a mesma sensação de quando fui à Disney a primeira vez, aos 14 anos, quando fiquei longe de casa (e da comida da minha mãe) por 20 dias. Tava seca pela comidinha caseira, que só nosso brasileiro favorito pode nos oferecer.

Aliás, dessa vez, as férias foram tão longas, comendo fora todo santo dia, que senti falta até da minha própria comida, rs

Anyway, ir ao Brasileiro foi, definitivamente, o primeiro marco de nosso retorno.

No domingo, fomos ao parque. Agora sim estamos de volta mesmo 🙂

O dia estava quente, porém nublado, a umidade estava gigante e não havia praticamente ninguém por lá. Nunca vi o Yeouido tão vazio, tão sem vida, tão entregue às baratas.

Por outro lado, também nunca vi o parque tão verde, tão tomado pela vegetação. Resultado das intensas chuvas de verão, acho.

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Alugamos bicicletas e fizemos nosso já manjado circuito: duas voltas pelo parque para desenferrujar. Depois disso, uma paradinha pra água e pro sorvete, antes do Vivi seguir pra quadra de basquete com o pai e o Nickito pro parquinho comigo.

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Na volta pra casa, fizemos uma paradinha estratégica em Sinchon, para tomar aquele suco refrescante. De todas as lojinhas de sucos que tentamos aqui, o My Juice é, by far, a minha favorita. Suco só da fruta, sem açúcar, geladinho e, mos importantly, sem bagaço, nem pedacinhos mal batidos.  Adoro!

Hoje, segunda, o plano era ir à praia em Incheon. A malinha estava pronta, tudo separado: roupas, sucos, frutas, snacks… mas choveu, então fomos, ou tentamos, dar uma volta na montanha.

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A ideia era atravessar a montanha pelo caminho fresquinho da floresta e ir a Sinchon tomar outro suco, e o passeio até começou bem, com os meninos animados, apostando corrida e tal, mas no meio do caminho, Vivi anunciou que estava com muita dor de barriga, tanta dor de barriga que queria parar ali mesmo pra resolver o problema – detalhe: eu estava sem bolsa, ou seja, sem lencinho umedecido, sem álcool gel, sem nada, completamente desprevenida. Bom, claro que não paramos ali, né? Voltamos literalmente correndo pra casa e aqui ficamos, refugiados no ar condicionado, o resto da tarde.

***

Nossos dias têm sido curtos, porque como estamos fora do fuso, dormimos de madrugada e acordamos depois do meio-dia, ou seja, tá tudo meio bagunçado, tomamos breakfast às 2 da tarde, almoçamos às 6 e jantamos às 11. Tudo errado.

Mas devagarzinho vamos entrando em órbita novamente, aos pouquinhos, voltando a nossa vida coreana.

Cenas do dia a dia: momento de calmaria

Ontem tivemos um episódio raro, uma longa calmaria entre os moleques que brincaram por horas sem brigar (será que foi efeito do casaco da amizade? Rs). 

Claro que evento raro a gente regista, né? Filmei e tirei fotos dos dois curtindo o momento de pura amizade. E eles estavam tão felizes! 

Continuaram assim por um longo período e mesmo quando rolou uma encrenca foi facilmente contornada. 

Obviamente, fiquei tensa, esperando a bomba explodir, o tsunami acontecer, o chão tremer, a lava escorrer… mas terminamos o dia na paz de Deus. Amém 🙂

O casaco da amizade

Faz tempo que estou para testar essa técnica de apaziguamento de irmãos briguentos. Duvidava que fosse dar certo, mas não é que funcionou? 

A ideia é, em vez de entrar na briga deles, colocá-los dentro da mesma prça de roupa, para que eles, estando praticamente grudados um no outro, tenham que fazer as coisas juntos, trabalhar em equipe para conseguir até mesmo andar. 

O teste não durou nem dois minutos, porque os dois caíram na gargalhada, rsrs

O fato é que funcionou 🙂 e rapidamente eles fizeram as pazes. 

De volta à programação normal

Foi um mês inteirinho fora de casa, passeando num ritmo frenético e vendo os mais lindos lugares. Gratidão define.

Agora estou cansada, numa casa empoeirada e com 6 máquinas de roupa pra bater, mas claro, não tenho do que reclamar, porque não só tive férias maravilhosas como também cheguei de volta naquela Coréia de um ano atrás, quentinha como os dias devem ser (há quem diga que quentinha demais, mas eu não reclamo de altas temperaturas, você sabe, né?).

O curioso é que ao chegar em Seul, não me senti em casa e, pior, em meus pensamentos, cada vez que eu me imaginava chegando em casa, vinha a imagem de Melbourne, da nossa casinha em Heatherton, vinha a imagem da gente pegando nosso astra preto velho de guerra e indo ao Coles no Southland, ou ao Woolies. Entretanto,  assim que entrei em casa, me deu aquela alegria própria de quem recebe um abraço apertado de alguém muito querido. Nosso apê é pequeno, tem o pé direito baixo e ainda tem mil coisas por fazer, mas sabe de uma coisa? É nosso ninho, é onde nos sentimos aconchegados e a sensação de estar de volta ao nosso aconchego não tem preço.

Foi gostoso chegar em casa. Mesmo sem as malas, que não entraram no avião conosco e só chegaram aqui em casa à noite.

Mas como nem tudo é alegria, adivinha? Esquecemos o remedinhos do Vivi lá na Rússia. Sim, exatamente aquele remedinho que ele precisa tomar diariamente, em jejum pela manhã pelo resto da vida. Resultado? Saímos do aeroporto, passamos em casa para pegar o carro e fomos direto pro hospital pegar uma nova receita. Saímos de lá às quase 4 da tarde, todos ainda em jejum.

A volta pra casa é sempre turbulenta.

A boa notícia é que descobrimos que o remédio está fazendo efeito. Em um mês, Vivi que não crescia nada há mais de um ano, quiçá dois, cresceu um centímetro inteirinho e ainda perdeu 2 Kg (ele tava meio parrudo)… ele está voltando a ser o Vivi de antes, nosso Vivi original de fábrica 🙂

Durante esses 30 dias de férias, notamos também um aumento significativo de energia no Vivi. Ele que andava “preguiçoso” fazia tempo, sempre reclamando de cansaço, dor nas pernas (…), se mostrou super disposto em nossas andanças diárias. E olha que a gente andou muuuuito, todo santo dia. Houve dias em que nem eu aguentava mais minhas pernas e olha que eu nunca amarelo para passeios. Ando o dia inteiro com o sorriso no rosto.

Mas nem só de flores vive a eficácia do remedinho para regular a tireóide… com a volta do velho Vivi, voltou também a agitação extrema, sim, aquela que o fez, aos 5 anos, ser diagnosticado como hiperativo. Resultado? Com o fim das férias, teve fim também o consumo de doces (eu dei uma trégua pra família toda durante essa viagem). É impressionante como o açúcar influencia no comportamento desse rapazinho. O menino quica, corre de costas, se sacode… LITERALMENTE. Mas isso é contornável. O importante mesmo é que aparentemente descobrimos o problema, remediamos e agora está tudo entrando nos eixos.

PS. Na foto, o Vivi estava tentando acordar o irmão que capotou no sofá. Ele reclama, briga pra caramba com o irmão, mas morre de saudades até quando o pequeno está dormindo, rs


Em tempo: enquanto eu escrevo este post, os meninos estão vendo um álbum antiquíssimo, da época de recém casados, onde ainda têm fotos reveladas de filmes. Vivi pegou a páginas de filmes e disse assim: “tem umas coisas muito velhas dentro desse álbum… não sei o que é, mas parece um filminho… era assim que vocês gravavam vídeos antigamente?” Ah, essa tecnologia… Mal sabe ele que antigamente não tinha como tirar esse monte de selfie que ele tira hoje, rs

 

Moscow: The very last full day

A segunda-feira começou com a bateria ainda mais fraca que no sábado e no domingo. Quase arriada, pra ser bem sincera, rs. Quando eu digo que exageramos na dose das férias não é sem motivo. Até diversão tem limite, rs Pelo menos é essa a mensagem que venho recebendo do meu corpo há alguns dias, rs

Mas guerreiros que somos, saímos da toca, afinal, Moscou é bela demais para não ser apreciada uma última vez.

Levamos os meninos para passear num shopping todo dedicado a crianças: lojas de roupa, de brinquedo, de sapato… tudo somente para o público mirim. Eles tiraram várias fotos engraçadinhas e até deram uma voltinha no carrossel 🙂

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Saímos de lá em direção à Praça Vermelha velha de guerra (acho que passamos por lá todos os dias, rs) que é linda a qualquer hora do dia ou da noite, mas estava especialmente encantadora sob a luz do entardecer.

Visitamos Jardim de Alessandro que fica do outro lado do Kremlin e fomos presenteados com um sol quase toscano 🙂

Encerramos o dia com um jantar maravilhoso num restaurante Georgiano di-vi-no! Me arrependi horrores de não ter tirado uma foto do nosso banquete, que estava lindíssimo (e delicioso). Comi tanto, mas tanto, que quase voltei rolando pra casa. E, sim, enterrei a cara no glúten e sofri todas as consequências. Mas quer saber? Valeu a pena, rs

E assim nos despedimos de Moscou.

Amanhã, vamos tomar um brunch num café perto de casa que os meninos adoraram (nós também, rs) e partir para nossa longa viagem de volta. Tá, nem tão longa assim. Longa mesmo é a viagem pro Brasil 😉

 

Domingão em Moscou

Mias um dia gostoso em Moscou. O fim de semana bombou 🙂

Hoje, acordamos e ficamos de preguiça em casa, acabamos começando o passeio mais tarde, já na hora do almoço.

A primeira parada foi num café super bacana com decoração mega descolada e artsy e um menu delicioso (com um quê coreano, acredita? até kimchi acompanhava alguns dos pratos, rs). A sobremesa foi a certinha do bolo, um Napoleon gigante (mil folhas recheado com um creme maravilhoso e coberto com leite condensado – tá bom pra você?).

Além de uma decoração modernete e um menu delicioso, ainda tinha uma mesa de totó, que os meninos (grandes e pequenos) tomaram conta e uma varanda com balanços e cavalinho de madeira. Sem falar das artes super coloridas que me deu vontade de trazer pra casa – em vez disso, enfiei na cabeça que vou me inspirar nelas e pintar umas pra mim – ainda em 2017, me aguarde!).

Esse restaurante simpático fica numa casinha no pátio interno de uma quadra, o que torna o ambiente ainda mais gostoso (a bike fofolete da foto abaixo fica no portão de acesso para o pátio).

Mas essa não foi a única fofura do nosso dia. Ao longo do nosso passeio, passamos por várias carrocinhas de algodão doce e sorvete como esta rosa choque. Coisa mais fofa!

Moscou, além de muitas catedrais lindíssimas, tem também uma infinidade de monumentos. Este abaixo celebra os conquistadores do espaço.

Nickito dirigiu a foto abaixo. Leva jeito esse garoto, né?

Muito embora, no fim do dia, tenha feito um friozinho, o céu estava particularmente bonito hoje. Dia perfeito para conhecer mais um parque 🙂

Após muito passear pelo parque VDNKh (que cá entre nós, apesar de ser bonito, não chega aos pés do Gorki), fomos jantar numa churrascaria brasileira, onde o Vivi nem ganhou desconto de criança porque comeu igualzinho a um adulto (e depois passou mal).

Amanhã será nosso último dia aqui. Já nem lembro mais como é a minha casa, rs

Mentira, lembro, sim, e apesar de estar me esbaldando nessas férias, tô morrendo de saudades dela 🙂