Sobre o que não aparece nas fotos

As preocupações. Elas certamente não aparecem nas fotos.

No Instagram, a vida parece sempre tão perfeita, tão colorida. E sinceramente, acho que é assim mesmo que deve ser, afinal, registramos em fotos as alegrias da vida, o que nos faz feliz, postamos aquilo que queremos lembrar. Entretanto, como isso aqui não é Instagram, mas sim meu diário de vida, meu caderno de notas, meu momento terapia, uso este espaço também para desabafar, para registrar em palavras as minhas angústias, meus estresses, minhas frustrações, minhas preocupações, meus medos.

A verdade é que pouco falo aqui de problemas reais, acabo registrando mais as coisas menores, até  porque não quero transformar este blog num ambiente pesado. Por exemplo, quase nunca falo sobre o comportamento do Nick, que dá ataques sérios quase todos os dias (e olha que preciso muito desabafar com relação a isso, mas acabo usando minha mãezinha pra isso, rs). Mas a bola da vez é o Vivi, quer dizer, não o Vivi em si, mas o que está rolando com o Vivi.

Vivizinho parou completamente de crescer faz mais de um ano, mas só descobrimos isso agora. Notamos que ele não perdia mais roupas com a velocidade de antes e estranhamos bastante quando, no fim do ano, a prima Juju estava dois centímetros maior que ele, mas confesso que não dei muita atenção, achei apenas que ele estivesse desacelerando e ela estivesse naquele momento de esticada. Na época não me preocupei porque, caramba, o Vivi sempre esteve nos 97% na curva de crescimento, por que isso mudaria de repente e sem motivo aparente?

Aí, quando comecei a frequentar mais a escola, notei que ele não era mais o mais alto da turma. Na verdade, nem mesmo um dos mais altos – e veja bem, a turma é de coreanos! – o que é, no mínimo estranho, já que na Austrália, que é um país de gente alta, ele sempre esteve entre os mais altos da turma.

Levamos ao médico e, para nossa surpresa, comparando as alturas atual e do início do ano, ele não havia crescido nem um mísero centimetrozinho desde que chegamos aqui e estava agora nos 50% da curva, o que não seria nada demais (o Nick sempre esteve nos 50%), não fosse a queda brusca e repentina.

Desde então, temos sido figurinha fácil no hospital. Médicos, especialistas, exames… o último é o que mais está me torturando: uma ressonância magnética. Só de imaginar que possa ter algo de errado dentro da cabeça dessa criança, me gela o corpo todo.

Fora isso, foram uns 10 tubos de sangue, exames de urina, raio x do pulso, fotos internas da garganta e nariz… Tudo para investigar as possíveis causas dessa longa pausa no crescimento.

Dois especialistas diferentes (e por motivos diferentes), observaram no Vivi características de quem está entrando precocemente na puberdade. O otorrino comentou sobre a musculatura da garganta ser muito espessa e o Endócrino, sobre o tamanho dos testículos. Mas, caramba, entrar na puberdade não significa crescer mais rápido?

Antes de levar ao médico, ou mesmo de me preocupar sobre o crescimento, já havia notado uns sinais que poderiam indicar a proximidade da puberdade: pelos nas pernas, nas costas(!) e o famoso fedor nas axilas. Mas, sinceramente achei que fosse só o iniciozinho dos primeiros sinais, afinal um garoto de 9 anos que ainda acredita em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não deveria estar entrando na puberdade.

O fato é que estamos às cegas, ainda sem saber os resultados dos exames. Amanhã, o vivi tem uma nova consulta com o otorrino para saber os resultados dos testes de alergia, porque há uma suspeita de que as alergias podem estar atrapalhando na oxigenação e, portanto, no crescimento. Este seria o cenário mais fácil de resolver, acho eu.

Depois disso, semana que vem, é a consulta com o endócrino infantil, para saber os resultados de todos os outros exames. Para essa consulta nós não o levaremos, só pra evitar o estresse extra. Mas tá brabo, viu?

Pra deixar um pouquinho pior, ainda tem o fato de que os médicos aqui não falam um super inglês, né? Apesar de estarmos sendo acompanhados por alguns dos melhores especialistas da Coréia, não podemos ignorar a barreira da língua, infelizmente.

Claro que tudo isso acaba comigo, né? Estou exausta, e com todos os sintomas do Sjögren ativadíssimos. A secura vai intensa dos olhos até a garganta, passando pelo nariz e boca.  Minha vista já não funciona direito nem para escrever posts. Não que nada disso seja importante, não mesmo. Não me importaria nem um pouquinho de me sentir mil vezes pior se pudesse ter meus filhos sempre saudáveis e felizes, mas infelizmente as coisas não funcionam assim e a verdade é que se eu me estresso, eu fico pior e se eu fico pior, não consigo tratar os assuntos importantes com a devida tranquilidade. Difícil…

Mas Deus é Pai e tudo há de ficar bem. Amém.

 

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