A Coréia que dorme, o taxi que não pára e o falso presente. Tudo na mesma noite.

Ontem à noite, saímos para jantar quando já passava das 9:30, sem nem cogitar a possibilidade dos restaurantes estarem fechados, afinal, a Coréia nunca dorme.

Demos com os burros n’água.

Tudo começou com uma certa dificuldade de pegar o taxi. Fizemos sinal para vários e fomos solenemente ignorados. Um chegou a fazer uma meia parada, mas quando viu que éramos estrangeiros, seguiu em frente. No inicio pensei que pudesse ter sido coincidência, mas quando a  dupla de coreanas, que chegou depois da gente, conseguiu um taxi primeiro, ficou confirmada a suspeita. Mas eventualmente conseguimos nossa carona.

Fomos para uma de nossas áreas favoritas, dentro de Hongdae, do lado mais perto aqui de casa, regiãozinha mais residencial, onde tem os restaurantes menorezinhos e, para nossa surpresa, todos eles estavam fechados – quer dizer, estavam abertos mas com as cozinhas fechadas, sem aceitar mais clientes.

Eram 9:40 da noite e quase não havia mais ninguém naquelas ruelas. Foi bem estranho percorrer aquela região sem o habitual movimento intenso, mas pensando bem, fazia todo sentido, afinal, é um trechinho bem residencial – que morador quer barulho da night na cabeça tarde da noite?

Rodamos um pouco, mas logo alertei: melhor irmos pra região do oba-oba, lá sim a Coréia não dorme 🙂

E fomos.

E realmente, a Coréia estava bem acordada por lá. Muitos fazendo picnic pelo gramado, outros tantos perambulando pelas ruas e curtindo a vida noturna nos pubs e restaurantes.

Como a fome era gigante, abri uma exceção e me dispus a comer qualquer coisa, até mesmo um hambúrguer – desde que não fosse fast food, claro. Se é pra comer um hambúrguer que seja um gourmet.

Entramos na primeira hamburgueria que encontramos, nem chequei no Foursquare as avaliações (deveria ter checado). Fizemos nosso pedido e para nossa total surpresa, o rapaz nos trouxe também refrigerantes como cortesia, dizendo: “it’s free”.

Na verdade, não é novidade que aqui na Coréia eles oferecem free stuff para estrangeiros nos restaurantes, a novidade é que foi a primeira vez que nos ofereceram free stuff num restaurante. I mean, claro que os meninos sempre ganham uma balinha, um pirulito, um doce e muitos elogios… nós também já ganhamos creminhos extra e muitas amostrinhas nessa lojas de produtos faciais, mas foi a primeira vez que nos ofereceram  bebidas de graça.

Não vou dizer que cheguei a ficar feliz, porque eu realmente nunca peço bebidas por um motivo muito simples: não gosto que os meninos tomem refrigerante (só abro uma exceção quando estamos viajando) – nesta família, bebida é água! – mas confesso que achei simpático.

Na real, ninguém queria beber refrigerante, mas como tava ali e tinha sido presente, achamos que ficaria feio devolver. Então, o marido e os meninos beberam um pouco.

Agora a maior surpresa veio na hora da conta.

Você acredita que o safado cobrou os refrigerantes????

Que petulância! Oferece um presente e cobra por ele? Como assim, Joaquim?

E não foi mal entendido, não, porque só havia um rapaz anotando os pedidos, entregando, fechando a conta e recebendo. O restaurante não estava nada cheio e entre ele trazer os refrigerantes e nós irmos embora, não se passou nem meia hora. Ou seja, pilantragem, cara de pau ou maluquice. A troco de que, meu Deus? Seis dólares? Nós como bons clientes (#SQN), sequer mencionamos o fato ou demonstramos surpresa. Pagamos os indesejados presentes-não-presentes e partimos para nunca mais voltar, sem lhe dar a chance de se explicar ou se retratar. Somos desses. Eu sou dessas. Eu odeio reclamar, prefiro simplesmente não voltar mais. Especialmente neste caso, onde sequer gostei da comida (hamburguinho safado – definitivamente não valeu a ingestão de glúten).

E para completar a noite de sucessos, enfrentamos outro parto para conseguir um taxi de volta.

Nenhum. Taxista. Parava. Pra. Gente.

Só conseguimos, graças a um cara que estava saindo de um taxi e segurou a porta pra gente entrar. O taxista não ficou nada feliz, fez cara feia e meio que resmungou, mas nos trouxe pra casa.

Noite delícia, né? rs. Mas tudo bem, tô tão de bom humor com a terra do kimchi nessa primavera quase verão, que a Coréia ainda pode perder muitos pontos que o saldo ainda tá positivo 😉


Sabe de uma coisa? Tô começando a ficar com vergonha de não saber falar coreano. Meu vasto conhecimento se limita a “oi”, “obrigada” e, atenção para as duas últimas: “hospital” e “bombeiro”. O motivo? O bombeiro é porque moramos pertinho do corpo de bombeiros de Seodaemun-gu, então, esteja onde estiver, eu mando um “Annyeonghaseyo. Seodaemun-gu Sobangseo” e o motorista me leva pra casa. E o hospital é porque virou nossa segunda casa. Toda hora a gente tá lá. Mas isso é uma outra história, para um outro post.

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