The celery stick boy (o menino-salsão)

Era uma vez um menino, filho de uma mãe malvada que se recusava enviar sanduíches, biscoitos recheados, balas e doces pro lanchinho no colégio. Em vez disso, ela mandava palitinhos de salsão e cenoura, pepino, maçã e laranja cortadinhas, morangos…

Na hora do lanche era sempre a mesma história, ele se escondia para abrir sua lancheira e comer sua merendinha, enquanto os amiguinhos estavam lá se lambuzando em chocolates, biscoitos doces, salgadinhos e até balas.

Até que um dia, para tentar amenizar o sofrimento do filho, a mãe, que não era tão malvada assim, resolveu que, vez por outra, daria um dia de folga e enviaria junto com as frutas e vegetais, uns crackers, ou até uma besteirinha doce (com a condição de que ele comesse também a parte saudável).

A alegria do menino foi tanta, que a mãe achou ter valido a pena.

Entretanto, a alegria foi enorme somente nas primeiras folgas. Depois a coisa perdeu um pouco o encanto e ele já não mais se derretia em agradecimentos emocionados e, às vezes, veja você, nem comia o treat todo.

Todos estavam contentes: o menino podia, de vez em quando, levar uma besteira pro lanche e a mãe, ah, a mãe… além de não receber mais reclamações sobre o  lanche, notou que o filho não estava mais tão interessado nas besteiras em si, mas no que elas representam. Ela viu que, apesar do menino gostar muito dos “dias de folga”, ele estava, aos poucos, se libertando da necessidade, do desejo desenfreado de consumir besteiras.

No fim das contas, todos saíram vencendo 🙂

Há um ano, comecei a ser mais rigorosa no preparo, não só da comida aqui em casa, como da merendinha que os meninos levam pra escola. Como eu não tenho controle nenhum sobre o menu do almoço semanal deles, faço questão de, pelo menos, preparar  jantares e snacks matinais mais saudáveis, especialmente porque eles, de uns tempos pra cá, começaram a se recusar a tomar café da manhã antes de sair de casa.

Na lancheira vai o seguinte:

  • uma ou duas frutas – geralmente maçã, laranja, morangos, uvas, kiwis
  • salsão + cenoura ou tomatinhos + pepino
  • yakult
  • bolo de banana (ou de cenoura) sem gluten, nem lactose, feito em casa

Muito de vez em quando, quando tô muito boazinha, mando também uns treats porcarientos menos envenenados:

  • nachos;
  • iogurte (grego) ou queijo;

(tô pensando em comprar pra o próximo ano, lancheiras térmicas, dessa maneira, poderei variar mais o menu e mandar salada de frutas, guaca mole e outras coisinhas que perecem mais rapidamente)

O fato é que meus filhos são os únicos, repito, OS ÚNICOS nas turminhas deles que levam só coisinhas saudáveis. A regra é a galera levar chocolates, balas, biscoitos recheados, batata chips, sanduíche de geléia com manteiga de amendoim, nuggets, salsicha, donut… quando muito, uma daquelas saladinhas de frutas em caldas açucaradas. E como criança é um bichinho implicante, claro que eles sofrem.

O Nickito nem tanto. Acho que na idade dele, os amiguinhos ainda não estão muito preocupados com a vida alheia, então a única reclamação que ele faz de vez em quando é que ele é o único que não leva biscoito recheado NUNCA. Mas também não faz um big deal, não, até porque, a verdade é que ele adora coisinhas frescas. Em casa, ele sempre pede: “mamãe, tô com vontade de comer something juicy and fresh like apples, strawberries, oranges…”

Já o pobre Vivi sofre, tadinho. Noutro dia, estávamos sentados à mesa jantando, quando ele começou a contar sobre a hora do lanchinho na escola. Disse que ele é o único que leva fruits and vegetables, que todo mundo só leva coisas gostosas, menos ele (deu pra notar que ele é bem diferente do irmão, né?). Contou também que ele sempre fica em último no ranking de melhor lanche do dia e ainda acrescentou: “meus amigos me perguntam porque eu levo um lanche tão lame”.

Pra encerrar seu manifesto, completou: “mas pior mesmo é que todo mundo troca lanches uns com os outros: um biscoito recheado por um pirulito, uma bala por um donut, uns chips por uma salsicha… eu não tenho a audácia de oferecer meu salsão (ou, em suas palavras: I don’t even dare to offer anyone my celery sticks, of course!)”.

Não sabia se ria ou se chorava, rs

Tá, se eu bem conheço a peça – e eu conheço! – tem muito exagero aí e até uma tentativa de manipulação, porque apesar de eu ter ficado meio sargentona quando o assunto é alimentação, ele conhece a mãe coração de manteiga que tem. Aí, pra não me acusarem de intransigente, insensível e radical, passei a, vez por outra, colocar um treat na lancheirinha deles. Um kinder ovo (!!!), uma barrinha de cereal ou um waffer. Mas muuuito de vez em quando.

E, ó, a alegria da surpresa do primeiro dia de folga foi impagável, rs.

Vivi chegou em casa com um sorriso de uma orelha até a outra, me abraçando emocionado e contando que havia ficado em segundo lugar(!!!) no ranking de melhor merenda do dia – Não dá pra competir com donut, né? rsrsr.

Então, pra você que acha que eu estou torturando meus filhos, taí: na verdade, além de estar cuidando da saúde deles, estou ensinando a valorizar as pequenas alegrias da vida :P. Se eles levassem junk todo santo dia, jamais sentiriam a felicidade de um treat surpresa!

E com o tempo, assim como eu, que era absolutamente viciada em doces, fui me desintoxicando, eles também vão desejando menos as porcarias. Leva tempo, eu sei, mas é importante focar. Até lá, eu me divirto com as reações de emoção cada vez que entra pão nessa casa, ou cada sexta-feira sem lei que o pai compra donut pra eles (como a mãe cuida da saúde, o pai pode fazer uma graça de vez em quando, né?).

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