Não existe ex chocólatra. Existe chocólatra em abstinência (sujeita a crises e deslizes)

Desde que eu parei de comer uma barra de chocolate em vez de comida na hora do almoço, tenho sentido uma diferença enorme na minha disposição. Antes, eu vivia cansada, aí comia uma barra de chocolate (e quando digo uma barra, estou me referindo a 200g de chocolate), ficava com a energia nas alturas, mas logo estava prostrada novamente.

Agora a coisa mudou. Tento sempre variar o cardápio mas, em geral, algo que não pode faltar é ovo (geralmente no plural e cobertos com gergelins). Carne nem sempre está presente, mas sempre tem uma folha refogada, ou uma salada caprichada, ou abóbora, ou berinjela, ou abobrinha… muito raramente entra um pedaço torta salgada (gluten free), quinoa, uma sopinha de lentilhas reforçada… E para a sobremesa frutas e amêndoas (tá, às vezes rola um chocolatinho 80%). Geralmente opto por laranja, ou morangos (com leite de coco e canela), ou maracujá, ou blueberries…

Já faz tempo que troquei o café da manhã e o almoço pelo brunch, ou seja, em vez de comer de manhã (nunca fui fã) e dali umas horinhas almoçar, faço jejum de 16 horas e como um brunch caprichado por volta do meio-dia (desde que eu tenha terminado de jantar às 8 da noite anterior). Comecei essa história de jejum intermitente depois que li vários artigos sobre os benefícios para aqueles que têm doenças autoimune (que aliás é minha motivação maior para ter largado o glúten e minimizado o leite de vaca e o açúcar). Sempre termino o desjejum completamente saciada, entretanto há mais ou menos um mês que, por volta das 3 da tarde, voltei a ser atacada por uma vontade incontrolável de comer doce – é a crise de abstinência. O pior é que tenho cedido 😦

Resultado? Ah, começa com um baita ressecamento da boca e da garganta, desenvolve para a fadiga extrema e culmina com dores nas articulações e dor de cabeça. Sem falar do estômago que incha instantaneamente e daquele mal estar que me faz sentir, como dizia minha vó, empanzinada.

O curioso é que eu acordo superbem, faço um desjejum magnífico, mas quando bate as 3 da tarde, o bicho pega. O corpo grita: me dá um doce aê! E eu, fracota, sucumbo (sempre pensando que amanhã será diferente).

Descobri que uma coisa puxa a outra. Enquanto eu estava tomando zero leite de vaca (e derivados) e não consumia farinhas de nenhum tipo, a coisa tava de vento em popa, tinha vontade zero de comer doce e quando comia, era um quadradinho do chocolate mais amargo e pronto, passava. Mas quando voltei a tomar iogurte (da garrafa de vidro, natural, orgânico, de vaca que pasta), comer um queijinho aqui, outro ali, fazer um bolinho (gluten free) acolá… meu corpo foi lembrando de como era a vida pré reeducação e não tardou até que ele começasse a exigir o açúcar de volta. E eu dei, né?

E agora, José?

Agora, o jeito é partir pro sacrifício e abraçar novamente o projeto desintoxicação (aquele que não me deixa comer nem laranja, nem pimentão, nem pe-pi-no, nem feijão, nem batata, nem beterraba…). Tô adiando o momento, mas será antes de sairmos de férias, porque ninguém merece sair de férias exausta como eu tô. Preciso estar zero bala, cheia de energia, para aguentar o mês que passaremos fora, passeando.


PS. Comi chocolate ao leite na Páscoa. E nem foi Lindt. Foi um ovinho de chocolate safado que encontramos no Costco… Nem valeu a pena. Saco.

PS2. Eu, que sempre comi muito (e de tudo, inclusive porcaria) e nunca engordei, pensava que se um dia tivesse que fazer dieta para emagrecer, não conseguiria, preferiria abraçar o peso extra. Aí, como a vida gosta de pregar peças, em vez de me fazer engordar, me trouxe a Síndrome de Sjögrens que praticamente me obrigou reeducar minha alimentação (for life!). Era isso ou então ficar escrava de remédios brabos. Eu que tenho verdadeira aversão a remédios, optei pela reeducação alimentar. Mas é brabo, viu? Especialmente quando se mora num lugar onde tudo é gluten full e sugar full (até o que era pra ser salgado é doce, rs). E nessa de tomar medidas para a vida e não por um tempo, descobri que eu sou ótima, super dedicada, para fazer coisas com prazo, mas quando a coisa é pra vida toda, tenho recaídas terríveis – no meu caso, nem tanto com o gluten, mas com o açúcar. Meu respeito àqueles que já foram viciados em álcool ou em drogas e que conseguem passar o resto da vida sem sucumbir.

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