Hoje, abrimos as janelas e saímos para passear (Bukchon Hanok Village)

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Ontem à noite, após dias e noites de poluição intensa e insana (Seoul já é considerada uma das cidades mais poluídas do mundo, junto com Beijing e Nova Deli), experimentamos um ar quase puro, graças a chuvinha branda que caiu sobre a cidade. A alegria de poder abrir as janelas do carro, de respirar fundo e encher os pulmões de ar lentamente é impagável.

Assim como casa arrumada e limpa, ar puro é daquelas coisas que a gente só valoriza quando não tem. O ar tá sempre ali pra gente respirar, mas como a gente não vê, we take it for granted. Entretanto quando se vive numa cidade onde o povo anda de máscara pelas ruas, checar a qualidade do ar antes de sair de casa é um must maior do que checar a temperatura (taí duas coisas com as quais eu jamais me preocupei vivendo no Brasil). Nas últimas semanas a coisa tava feia, os grupos de risco (asmáticos, crianças e idosos) andando de máscara pelas ruas. Se 55 é considerado como condição moderada, 155 é insalubre. Mas por incrível que pareça, as pessoas aqui lidam com isso de uma uma forma quase natural. Colocam suas máscaras e tocam a vida.

Para mim, o sentimento é de raiva. Raiva da cidade, do país, do governo que não se importa o suficiente para assumir que tem muita culpa no cartório, que a poluição não é culpa exclusiva da China. Raiva de ter saído de Melbourne e ter vindo pra cá.

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Mas aí, vem a chuva, lava o ar e leva embora, ainda que momentaneamente, a cortina  de poluição (e a minha revolta). Nesses breves momentos, quando a gente não consegue encarar o sol de frente (o sol da poluição parece uma lua laranja),  quando a gente respira sem culpa, sem sentir os pulmões sendo invadidos e impregnados por partículas maléficas, a gente sente uma alegria tão grande que até pensa que dá pra ficar por aqui por mais tempo.

O problema é que a qualidade do ar não demora a ficar péssima novamente e aí, vem não só a vontade de arrumar as malas ontem, mas vêm também os sonhos (daqueles que a gente sonha dormindo mesmo, rs) de que estamos de volta na Austrália, felizes, brincando com os amigos e respirando fundo um ar purinho, purinho – infelizmente, a gente acorda, vê que foi só um sonho e quase chora.

Mas, como meu lema é viver um dia de cada vez e aproveitar ao máximo cada bom momento que nos é oferecido, hoje aproveitamos o ar moderado, abrimos as janelas todas da casa (muito embora estive uma friaquinha) e deixamos o ar circular. Foi refreshing!

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Depois disso, saímos para respirar. Fomos passear ao ar livre, dar uma volta pelo Bukchon Hanok Village, uma região residencial que data do século XIV. Uma gracinha, com suas ruelas estreitas e  casinhas tradicionais restauradas.

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Estacionamos no alto da montanha e descemos por uma trilha no meio da floresta.

Não fazia nem 15 minutos que estávamos passeando, quando o Nick nos contou que estava apertadíssimo pra fazer xixi (claro), então fizemos um pipi stop num café, onde também tomamos um hot chocolate pra aguentar o ventinho gelado lá fora, mas quando saímos, infelizmente, veio uma chuva grossa e insistente que encerrou nosso passeio que mal havia começado 😦

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Não há de ser nada, voltaremos lá em breve 🙂

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Seoul é uma cidade tão bacana, tão cheia de personalidade, história, cultura… uma pena permitirem que a poluição atinja os níveis que vem atingindo.

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