Jamais saia de casa sem um backup plan. Ou saia.

Durante o inverno, se for sair para jantar com a família, jamais o faça sem ter um backup plan, especialmente numa região onde os restaurantes, apesar de em grande número, são muitos bem pequenos. Mais especialmente ainda, sem se agasalhar de acordo com a temperatura, porque quase tudo pode dar errado.

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Na sexta passada, saímos para jantar. Apesar de ser relativamente perto de casa, pegamos um taxi, porque além do frio, parar o carro seria um desafio à parte naquela região.

Para nossa sorte, não pegamos trânsito (às vezes, de carro demora mais do que a pé), em compensação, o Moon tava lotado 😦 Tem coisa pior do que sair de casa decidido a ir num restaurante e não conseguir? Tem. Muitas coisas piores que isso, rs, uma delas é não encontrar nenhum outro lugar por perto com opções sem glúten (sim, tô empenhada). Tudo nessa terra tem trigo, meu Deus! E olha que não tô nem exigindo cozinha totalmente gluten free, não, viu? A comida pode até ter tido contato com gluten, basta que não seja um gluten descarado no prato. Não é pedir muito, é?

Enfim, andamos, andamos, andamos, fomos parar numa outra região (do que adiantou ir de taxi, hein?) e quando eu já estava quase jogando a toalha e me rendendo a uma pizza (pausa para o choque), vimos uma placa com fotos de pratos normais (carne, frango, salada…). Fomos então em direção ao “Caminito”, com o passo mais acelerado que conseguimos, porque àquela altura eu já não estava mais sentindo os dedos dos pés, nem os das mãos, nem o nariz… e também já não conseguia falar (não, não saí de casa agasalhada para caminhar por 40 minutos no frio).

Chegando no Caminito, fomos saudados por um de seus donos, um coreano que falava um castelhano muito melhor que o meu. Tá, eu não falo castelhano, mas sei reconhecer um sotaque de respeito e o castelhano do cara era realmente impressionante.

Nossa família era a única de olhos grande lá, então ele nem pensou duas vezes, falou em castelhano conosco o tempo inteiro e, como o marido é metido a falar como los hermanos, foi na onda e rolou até um papinho sobre a vida. Até que…

Num dado momento, o outro sócio sai da cozinha, chega perto de mim e pergunta: “bla bla bla?” Ao que eu olho pra ele com a interrogação na testa. Ele repete “bla bla bla?” Eu olho pro marido e ele entende menos ainda.

Nisso, o primeiro cara aparece e pergunta: de onde vocês são? (só agora??). “Brasil” – respondemos. “ah….”

Os dois entram novamente na cozinha, sem esclarecer o que era “bla bla bla”.

Um minuto depois, o segundo cara volta com um potinho de maionese e coloca na mesa, repetindo: “bla bla bla”(mayonesa ou /majonêsa/). Eu e marido, com cara de tacho: “ahhhhhh!”. O cara ri, claro, rs.

Como culpá-los por terem julgado que éramos argentinos, se nós mesmos já confundimos muito japonês com chinês e coreano nessa vida, né não? Acho que hoje a gente não confunde mais, mas se pros ocidentais é difícil distinguir a origem dos olhinhos puxados, para os orientais também não é nada trivial saber se a pessoa é brasileira, argentina, uruguaia ou chilena, não é mesmo?  🙂

Enfim, quase tudo deu errado, mas no fim das contas, acabamos jantando bem, num restaurante argentino de dois coreanos que falavam castelhano melhor do que a gente 😛

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