O dia em que abri a geladeira e não havia ovos.

Já faz tempo que deixei para trás o café da manhã típico/básico brasileiro (pelo menos no sudeste). Meu desjejum de cada dia não é feito de pão com manteiga + café com leite. Na verdade,  nunca foi. Sempre preferi ovomaltine, rs. Mas agora nem este aparece mais por aqui.

Já faz tempo que os ovos entraram com tudo na minha vida (dois pela manhã e um à noite). Cozidos, quentes, fritos no óleo de coco, mexidos, sob forma de omelete (sem farináceos), não importa. Eles estão sempre no prato.

Só que hoje, quando abri a geladeira, veio o choque: não tem ovo!!!! Fiquei meio perdida, sem saber o que fazer – não porque eu esteja viciada em ovo, mas porque ele é o centro do meu desjejum. Acabei fugindo do básico e preparando um lance rápido e gostoso. Encontrei um restinho de tapioca na geladeira. Restinho mesmo. Coloquei a tapioca na frigideira (sem nada), e deixei lá até ela virar um biscoitinho crocante. Peguei umas fatias de salmão, cortei meio tomate, uns pedacinho de feta (queijo de leite de cabra que tem apensa traços de lactose), umas folhas de manjericão (artigo raro por aqui), um maracujá e um punhado de blueberries. Temperei a mistura de tomates, feta e manjericão com azeite extra virgem e finalizei com minha mais nova obsessão: gergelim. Pronto! Desjejum top! Nem senti falta dos meus companheiros de cada dia 🙂

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Viver na Coréia tem me empurrado goela a baixo presenteado com vários aprendizados. Talvez o mais valioso deles seja como me alimentar melhor, usando somente alimentos de verdade – aqueles que você compra frescos. Comecei a estudar mais sobre alimentação, especialmente aquelas benéficas para quem tem doenças autoimunes. Leio todo santo dia sobre isso e, recentemente, descobri que tenho tido uma alimentação Paleo – logo eu, que ironia!

O fato é que comprovei na pela que os alimentos fazem uma diferença imensa na saúde, na energia, na disposição, no humor, no dia a dia.

Claro que às vezes ainda cometo deslizes, como por exemplo quando rola um baixo astral  e eu recorro a artimanhas nada saudáveis para confortar a “alma”instantaneamente. Final de semana passado, fomos a um jantar no consulado italiano, onde eu comi lasanha. No dia seguinte, me rendi aos pedidos emocionados e fiz panquecas (glúten free), maaaaaas com Nutella (a oi??). Não demorou para que a dor de cabeça atacasse, para que o estômago reclamasse e, coincidência ou não, peguei a gripe mais forte dos últimos anos (ainda estou me recuperando dela), logo agora que o inverno tá indo embora.

Ainda tô engatinhado no caminho da vida saudável. Tenho muito a amadurecer e a fortalecer, especialmente porque tendo filhos que foram criados comendo de tudo (do que faz bem e do que faz mal) e fica bem difícil tirar o lixo (trigo, leite de vaca e industrializados) de uma hora para a outra, sem traumatizar. Mas preciso fazer isso por mim e por eles, principalmente pelo Vivi que às vezes, no inverno, tem crises de asma – e eu estou cada dia mais certa de que o glúten e o leite de vaca colaboram muito para isso.

O caminho é longo, mas aos poucos a gente chega lá. Farinha de trigo, pão, manteiga, macarrão, enlatados e embutidos não fazem parte da nossa lista de compras. Mas determinados iogurtes e queijos com baixo teor de lactose ainda aparecem por aqui uma vez ou outra. Descobri, recentemente que posso liberar o Yakult  (como sempre, limitado a um por dia) – as crianças celebraram, rs A parte mais complicada é tirar os biscoitos e crackers. Ontem mesmo, o Nickito comentou choroso: “tô com muita vontade de comer um biscoitinho gostoso”. Vivi, de vez em quando pergunta: “farinha láctea tem glúten?” (farinha láctea É glúten). Me parte o coração.

Entretanto, por experiência própria, eu sei que tanto o trigo quanto o açúcar viciam  e uma vez que conseguimos tirá-los do sistema, não sentimos mais falta deles. É uma questão de persistir e não deslizar porque como todo vício, se você comer só um pouquinho, a vontade volta com tudo.

Caminhada dura pela frente.

Minha tática é testar receitas de bolos e biscoitos do bem para dar algo gostoso e saudável em troca de cada lixo que eu tirar.

……….

Em tempo:

Há um ano, quando comecei minha reeducação alimentar, o fiz não só para tentar amenizar os sintomas do Sjögren, mas principalmente (confesso) pela revelação que tive em minha última consulta com meu médico no Brasil: minha idade biológica era 7 anos mais velha que eu. Não sou o cúmulo da vaidade, mas essa informação foi para mim um incentivo muito maior para mudar do que todas as mazelas que me aguardavam, decorrentes da autoimune que me acompanha desde 2013.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Fiquei um filete de gente por muitos meses, porém me sentindo muito bem (exceto quando me olhava no espelho, rs) com os sintomas reduzidos a quase zero. Tentava ganhar um pouco de peso, mas as restrições alimentares que me faziam sentir melhor, não me permitiam ganhar os quilinhos que eu precisava.

Quando nos mudamos para a Coréia, me vi órfã dos produtos que começaram a fazer parte da minha vida (aqueles industrializados sem glúten – especialmente os pães) e, por causa da ansiedade que essa grande mudança para o oriente causou em mim, voltei, aos poucos, a consumir chocolate (açúcar industrializado),  trigo (pães e massas) e leite de vaca, o que não me rendeu os desejados quilinhos, mas começou a trazer de volta os  indesejados sintomas.

Aí, fomos de férias pro Brasil, onde comi muita comidinha boa e gostosinha de mãe, mas também comi muito lixo – enfiei o pé na jaca mesmo. Só para ilustrar, não havia uma vez que passasse pelo Bob’s sem tomar o litrão de milkshake de ovomaltine (mesmo sem vontade), uma verdadeira bomba resultante da combinação mortal de glúten, leite de vaca e açúcar. Isso pra não falar de pizza, cookies, coxinha, bolos, bis, farinha láctea (shame on me)…

Ao final de um mês, às custas de uma comilança desenfreada, havia recuperado 2 dos 7 Kg perdidos com a reeducação alimentar, o que seria lucro, se os quilos ganhos fossem quilos saudáveis. Mas não eram.

O resultado foi a volta das dores de cabeça, o aumento do desconforto/secura dos olhos e boca, o aumento da fadiga, das tonturas e da falha na memória (voltou a ser comum eu esquecer palavras e até mesmo do que eu estava falando, no meio da frase). Ou seja, tá mais do que provado que a alimentação muda tudo.

Agora é tentar manter os quilinhos que ganhei no Brasil, sem me render ao donut da padaria aqui da esquina, hahaha. Claro que, mais importante do que isso é a meta maior: reeducar a família toda, o que exige um esforço bem maior, afinal é necessário tornar as refeições saudáveis mais atraentes para os moleques.

Quem não sucumbir, verá 😉

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