Alguém segura o tempo, por favor?

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O tempo passa, o tempo voa e o coração da mamãe aqui fica apertadinho sem saber se tá feliz ou triste.

Até hoje, durante esses nove anos, quatro meses e treze dias, foram muitas as primeiras vezes do Vivi. O primeiro suspiro fora da barriga, o primeiro dentinho a nascer, a primeira palavra, os primeiros passinhos, o primeiro corte de cabelo, a primeira viagem de avião, o primeiro aniversário, o primeiro dentinho quebrado, a primeira vez que usou o penico, a primeira piada, o primeiro dente a cair, o primeiro dia na natação, a primeira vez que limpou o bumbum sozinho, que escovou os dentes sem ajuda, a primeira pedalada na bicicleta sem rodinhas, o primeiro dia na escola, o primeiro concerto de Natal, o primeiro dia na escolinha de basquete, o primeira vez que patinou no gelo…

Ontem, entretanto, foi a primeira vez que me senti órfã do meu menininho.

Vendo que suas unhas já estavam crescidas, em vez dele vir me lembrar que eu precisava cortá-las, foi ao banheiro, pegou o cortador e deu conta do recado ele mesmo, assim num ato de independência repentina, sem aviso prévio.

Cadê o meu menininho? Cadê meu molequinho que, até pouco tempo, saía correndo pela casa cada vez que eu o chamava para cortar as unhas? Pelo amor de Deus, cadê???

O Vivi do sorriso maroto da foto ali em cima foi aos poucos dando lugar para um outro Vivi. Um Vivi “maneiro” (ou cool, como ele gosta de dizer), crescido. Popular ele sempre foi – ô menino pra ter amigos! Mas minha figurinha rara de repente decidiu crescer e ontem, deixou meu coração apertado e confuso.

Coisas de mãe, né? Quem mais se emocionaria e viria tanto significado numa simples cortada de unhas? Pois na hora em que ele veio me mostrar seu feito, um filminho me passou pela cabeça, desde o seu nascimento até aquele exato momento, várias imagens pipocaram em sequência em minha mente. O coração ficou apertado. Ele cresceu! Por mais que eu quero mantê-lo pequenininho, ele já é um molecão que mal cabe no meu colo e que eu praticamente não aguento mais levar pra cama.

Sei que devemos criar os filhos pro mundo, sei que devo criar meus filhos para que sejam independentes (e faço isso), mas na hora que, espontaneamente, meu primogênito decide cortar as próprias unhas, me sinto órfã. Sou louca? Talvez. Mas o fato é que ontem à noite, experimentei emoções paradoxais: orgulho/alegria e um bocadinho de tristeza/melancolia. Eu quero que eles cresçam, mas… eu não quero que eles cresçam. Cortar as unhas era uma coisa minha. Agora o que sobrou? Fazer o café da manhã? O jantar? Acordá-los para a escola? Até quando?

O que conforta um pouco o meu coração é que, assim como o Nickito, o Vivi também ainda faz absoluta questão do beijo e do abraço de boa noite. E eu prefiro não me perguntar até quando, porque no dia em que ele recusar ou não fizer mais questão, vou me deitar em posição fetal e chorar a noite inteira. Essa é uma primeira vez que eu, definitivamente, não espero que aconteça tão cedo. Não pelos próximos 20 anos…


Há quem diga que eu preciso aprender a let it go.
Há quem diga que o que eu preciso é de mais um bebê.

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