Churrasquinho Coreano

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não, isso não é uma loja de luminárias 😛

Aqui em casa é sempre uma luta na hora de escolher em que restaurante ir. Um quer ir no indiano, outro no tailandês, outro no brasileiro, outro no mexicano. Entretanto, foi este coreano – quem diria? – que agradou a todos (quando eu digo todos, quero dizer, as crianças, afinal, são eles que mandam, né? rs).

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O churrasco coreano acabou atendendo a gregos e troianos: Vivi é um carnívoro incurável, se deixar, sobrevive à base de carne somente. Nickito adora cozinhar. Eu preciso evitar o glúten e a lactose. O marido, apesar de ter suas preferências, é easy, topa qualquer coisa.

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Neste tipo de restaurante, tão tradicional aqui na Coréia, você prepara sua própria carne. Você escolhe as carnes (nós pegamos um combo de camarão, cordeiro e frango), eles trazem tudo cru, acendem o carvão, ligam o exaustor e você prepara você mesmo seu almoço na sua mesa. Alguns restaurantes trazem acompanhamentos como kimchi, folhas, cogumelos, alho… mas nesse aí foi só carne mesmo.

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Nickito ficou feliz da vida, se sentiu o chef. Vivi enterrou a cara na carne e no final declarou: best restaurant ever! 🙂

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detalhe da rua cheia num domingo gélido em Hongdae

PS. o bom de ser claramente estrangeiro é que a gente pode abusar das fotos sem ninguém ficar olhando atravessado pra gente.

PS2. O bom de morar na Coréia é que gente pode abusar das fotos sem ninguém ficar olhando atravessado pra gente.

Alguém segura o tempo, por favor?

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O tempo passa, o tempo voa e o coração da mamãe aqui fica apertadinho sem saber se tá feliz ou triste.

Até hoje, durante esses nove anos, quatro meses e treze dias, foram muitas as primeiras vezes do Vivi. O primeiro suspiro fora da barriga, o primeiro dentinho a nascer, a primeira palavra, os primeiros passinhos, o primeiro corte de cabelo, a primeira viagem de avião, o primeiro aniversário, o primeiro dentinho quebrado, a primeira vez que usou o penico, a primeira piada, o primeiro dente a cair, o primeiro dia na natação, a primeira vez que limpou o bumbum sozinho, que escovou os dentes sem ajuda, a primeira pedalada na bicicleta sem rodinhas, o primeiro dia na escola, o primeiro concerto de Natal, o primeiro dia na escolinha de basquete, o primeira vez que patinou no gelo…

Ontem, entretanto, foi a primeira vez que me senti órfã do meu menininho.

Vendo que suas unhas já estavam crescidas, em vez dele vir me lembrar que eu precisava cortá-las, foi ao banheiro, pegou o cortador e deu conta do recado ele mesmo, assim num ato de independência repentina, sem aviso prévio.

Cadê o meu menininho? Cadê meu molequinho que, até pouco tempo, saía correndo pela casa cada vez que eu o chamava para cortar as unhas? Pelo amor de Deus, cadê???

O Vivi do sorriso maroto da foto ali em cima foi aos poucos dando lugar para um outro Vivi. Um Vivi “maneiro” (ou cool, como ele gosta de dizer), crescido. Popular ele sempre foi – ô menino pra ter amigos! Mas minha figurinha rara de repente decidiu crescer e ontem, deixou meu coração apertado e confuso.

Coisas de mãe, né? Quem mais se emocionaria e viria tanto significado numa simples cortada de unhas? Pois na hora em que ele veio me mostrar seu feito, um filminho me passou pela cabeça, desde o seu nascimento até aquele exato momento, várias imagens pipocaram em sequência em minha mente. O coração ficou apertado. Ele cresceu! Por mais que eu quero mantê-lo pequenininho, ele já é um molecão que mal cabe no meu colo e que eu praticamente não aguento mais levar pra cama.

Sei que devemos criar os filhos pro mundo, sei que devo criar meus filhos para que sejam independentes (e faço isso), mas na hora que, espontaneamente, meu primogênito decide cortar as próprias unhas, me sinto órfã. Sou louca? Talvez. Mas o fato é que ontem à noite, experimentei emoções paradoxais: orgulho/alegria e um bocadinho de tristeza/melancolia. Eu quero que eles cresçam, mas… eu não quero que eles cresçam. Cortar as unhas era uma coisa minha. Agora o que sobrou? Fazer o café da manhã? O jantar? Acordá-los para a escola? Até quando?

O que conforta um pouco o meu coração é que, assim como o Nickito, o Vivi também ainda faz absoluta questão do beijo e do abraço de boa noite. E eu prefiro não me perguntar até quando, porque no dia em que ele recusar ou não fizer mais questão, vou me deitar em posição fetal e chorar a noite inteira. Essa é uma primeira vez que eu, definitivamente, não espero que aconteça tão cedo. Não pelos próximos 20 anos…


Há quem diga que eu preciso aprender a let it go.
Há quem diga que o que eu preciso é de mais um bebê.

Sobre o que aconteceu com meu blog australiano

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O The Jump Of The Kangaroo, assim como o HomeSweetener, foram invadidos por hackers.

Tentei, inúmeras vezes, me livrar dos safados, mas não obtive sucesso. Eles sempre voltavam.

Cansei. Cansei de lutar contra eles. E também me recusei a pagar uma fortuna para empresas de segurança aproveitadoras, para manter meus bloguinhos pessoais livre dessas pestes.

Para mim, blogar sempre foi um misto de hobby e terapia. Usava meus blogs não só para registrar minhas histórias, meus momentos, minhas alegrias, minhas crises, mas também para compartilhar ideias, passar receitas, publicar um DIY… Tudo no espírito blogueira das antigas.

“Blogo” há mais de 12 anos por puro prazer. Inevitavelmente, outras coisas nasceram dos meus blogs. Conheci muita gente, ganhei clientes, até sócias :). Tudo foi acontecendo de uma maneira muito natural, orgânica. Nunca fui blogueira bombada, mas tinha público cativo, tanto no The Jump (sucessor australiano do americano Um em Dois), meu blog de vida, quanto no HomeSweetener, meu blog de decor.

Me partiu o coração ter que deixá-los ir, especialmente o The Jump, que guardava tantas histórias dos 7 anos que moramos na Austrália. Mas não valia a pena me aborrecer ainda mais com isso. Meus blogs self-hosted começaram a me dar mais dor de cabeça e estresse do que prazer. Estava pagando para me aborrecer.

Perdeu o sentido.

Até que nos mudamos para a Coréia e, como escrever é para mim uma necessidade, resolvi tentar uma opção com bem menos exposição e muito mais segurança: um blog no wordpress.com no modo privado.

E aqui estou eu. Já são seis meses, cerca de 90 desabafos posts. Coisa pra caramba, né? 🙂

O que me deixa um pouco triste é ter sido obrigada, pelas circunstâncias, a partir pro modo privado. Não porque eu seja do tipo que gosta de aparecer (not at all), mas porque uma das maiores alegrias que meus blogs públicos me proporcionaram foi ser descoberta, das mais diversas maneiras, por leitores que viraram amigos, muitos deles pessoais, daqueles que frequentam minha casa, que são parte da minha vida real.

Hoje, aqui na Coréia e ainda por cima com um blog privado, me sinto isolada, carente do convívio com os amigos no mundo real e no virtual. É estranho. Fui do 8 pro 80.

Mas isso tudo há de ser passageiro 😉

Always look on the bright side of life

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Hoje voltei à Yoga, para uma aula de Hatha. Foi um pouquinho melhor que a Raja + Mantra, mas ainda assim não deu liga 😦

Na hora de ir embora, enquanto esperava o ônibus que perdi por 10 segundos, avistei morangos lindos na quitanda em frente. Entrei e comprei.

Já em casa, após almoçar uma saladinha parruda de quinoa, carne, couve, tomate, cebola, alho, pimentão, parmesão e passas, fiz uma infusão de hortelã para acompanhar a sobremesa: 2 quadradinhos de chocolate 80% (que nem comi todo) + os morangos da vendinha.

Pensa num morango doce, suculento, delicioso. Esses eram ainda melhores.

Se eu não tivesse ido à Yoga e não tivesse perdido o ônibus, não teria comprado esses morangos deliciosos 🙂


Ah! Pedi para me transferirem da aula de sexta para a de quinta (power Yoga). Torcendo muito pra ser melhor!

Café da manhã saudável e reforçado

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Como eu não tenho mais o HomeSweetener (malditos hackers!) para os assuntos de casa, comida, organização e DIY, volta e meia aparecerão posts assim por aqui. E a verdade é que faz mais sentido ser assim, tudo concentrado num só lugar, em vez de ficar administrando um blog para cada fim. Até porque, no fim das contas, é tudo sobre mim, meus gostos, minhas experiências, minha vida, minha família… eu, eu, eu, eu 😛

Antes de passar a receitinha básica, vamos ao motivo que me levou a experimentá-la:

Falta de alternativa 🙂

Eu amo pão, amo leite (e todos os seus derivados), mas a verdade é que descobri que nem um nem outro me faz bem, então tenho tentado, bravamente, tirá-los do meu dia a dia.

Na Austrália, eu encontrava pão sem glúten com muita facilidade, aqui não encontro em lugar nenhum. Teria que fazer em casa, mas olha o trabalho! Além disso, só eu comeria – olha o desperdício! Então, resolvi buscar alternativas saudáveis e “parrudas” para enriquecer meus ovos da manhã – porque desses eu não abro mão. E, sim, não se deixem enganar pela foto, os ovos são sempre em dois (o outro ficou fora da foto porque não tava muito fotogênico, rs).

Às vezes, como os ovos com lâminas de beringela gratinadas, outras vezes sob forma de crepioca recheada com tomates, outra vezes acompanhados de couve refogada… mas, tirando a crepioca, as outras combinações não me dão o sustento que eu preciso, logo não demorava muito até que eu ficasse faminta. Aí, dia desses eu esbarrei com essa ideia maravilinda na Internet: Ovos assados no abacate 🙂

A “receita”é tão óbvia que dá até vergonha de passar, mas vamos lá:

Pegue um abacate, parta ao meio, retire a semente e uma quantidade da polpa – suficiente para abrir espaço para o ovo que vai entrar ali.

Quebre um ovo em cada metade do abacate, coloque numa forma e leve ao forno pré-aquecido a 200 gruas por não mais que 15 minutos. O ideal é que a clara fique branquinha sem ficar durinha e que a gema fique molinha.

Retire do forno imediatamente, tempere com pimenta do reino e sal do Himalaia moídos na hora, cebolinha picadinha e azeite extra virgem.

A polpa que deu lugar aos ovos, você pode amassar, temperar com sal e pimenta, misturar tomate e cebola picadinhos e finalizar com um fio de azeite e um punhado de cebolinha picadinha.

Fica bonito? Fica. É saudável? É. Sustenta? Ô!

Essa foi uma das soluções que eu encontrei para não passar fome e não virar um faquir desde que voltei a evitar o consumo de glúten.

Outro dia falo sobre a crepioca 😉


Lembram que, no sábado, tínhamos um jantar na casa do amigo italiano? Pois bem, como tínhamos almoçado mexicano super tarde, resisti bravamente e não comi nem macarrão (que certamente não era gluten free, rs), nem bruschetta (buáaaaa). Em compensação tomei vinho. E hoje, me deu crise fortíssima de abstinência de doce (desconfio que por causa do vinho) e sucumbi a uma barrinha de chocolate. Fiquei tão feliz que nem consegui sentir culpa. Mas a boca secou instantaneamente 😦

Não há de ser nada, aos poucos eu vou aumentando o meu controle sobre os doces. Não quero ser radical, não vou parar de comer doce, só quero/preciso manter a ingestão de açúcar num  nível aceitável, até porque, cada vez que eu como doce, minha boca e garganta ficam uma secura só 😦

Yoga – tô de volta (?)

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Demorou, foi um longo e tenebroso inverno, hibernando em minha bolha, longe da yoga. Eu sempre tinha mil justificativas para não voltar, até que cansei. Cansei de buscar desculpas – ou será que elas acabaram?

Estava eu aqui, de volta das férias no Brasil, encavernada em nosso apê coreano, quase sem contato com o mundo lá fora, sem vida própria durante a semana, sem amigos (ô drama, rs), quando me deu um estalo (mentira, meu marido é que me deu uma chamada): vou encontrar uma Yoga para estrangeiros aqui perto e, quem sabe, de bônus, conhecer gente nova, fazer amizades.

Notem que eu não pensei “vou procurar…”, decidi encontrar. E encontrei.

Não exatamente o tipo de estúdio que eu procurava, mas uma escola de yoga pura, tradicional, ortodoxa (medo), uma yoga que eu não conhecia. Melhor do que nada, pensei. Já já eu conto os detalhes.

Acabei de voltar da aula (sim, comecei numa sexta-feira – mais emblemático do que isso não existe) e se você me perguntar se eu gostei, desculpa, não saberei dizer. Não ainda.  Entretanto, me matriculei, comprei e vesti a camisa (literalmente) e pelo próximo mês, pelo menos, tenho meu locker reservado no vestiário. O plano, a princípio, é ir duas vezes na semana. Se eu sentir que deu liga, no próximo mês passo a três.  Caso contrário, começo a procurar outro lugar, ou então jogo a toalha e procuro um studio de jazz 😛 Vamos ver.

Por enquanto, tudo o que consigo dizer é que foi uma primeira experiência bem interessante e completamente diferente do que eu estava acostumada. Teve um quê de choque cultural e de “concentra pra não rir, concentra pra não rir” – aliás, entrei no túnel do tempo, tive um mini-flashback do curso de grávidas que eu e Mauricio atendemos em Bloomington, quando o Vivi ainda residia na minha pança. Curso esse que não terminamos, não conseguimos, foi demais pra gente. Abandonamos na oitava aula, quando a professora pediu que levássemos um teddy ou uma boneca para a aula seguinte. Não rolou.

Enfim, só mencionei esse curso, porque logo no primeiro dia, durante um exercício engraçadíssimo de respiração, eu e o marido tivemos uma crise incontrolável de riso e, por conta disso, ficamos conhecidos naquela pequena cidade.

Hoje, agradeci aos céus pelo Mauricio não estar comigo naquela aula. Nem a minha irmã. Nem a minha mãe. Porque eu certamente teria tido outra crise de riso.

Mas vamos ao relato sobre meu primeiro dia de Yoga.

Primeira parte: Encontrando o lugar

Não sei porque, mas aqui na Coréia o endereço é passado de uma forma esquisita. O nome do prédio é muito importante (mas não pra você que não sabe ler em Coreano), o número nem tanto. Ninguém te diz, moro na rua Zé da Couves, 137, apt 302, Bairro das Garças. Em vez disso, eles dizem que moram no Bairro das Garças, na altura das ruas x e y, no prédio Portal do Sol, que fica ao lado da Paris Baguete, ou a 200m da saída 8 do metrô 😛

Claro que assim o Google maps não te leva até lá.

Ai, você pergunta, mas qual o endereço, endereço mesmo (rua, número, andar…).

Opa, agora sim, o Google sabe onde é!

Só que chegando lá, você não encontra o número. Aliás, só pra deixar mais complicado, o nome da rua que te deram não é o nome que aparece no Google.

Anyway, foi mais ou menos isso que aconteceu conosco (sim, no plural, porque o marido, para ter certeza que eu não fugiria do compromisso, me levou pela mão até a porta, rs). Quando chegamos perto do local indicado no mapa, não encontramos o prédio. Aíiiii, maridinho ligou pra lá pra saber onde era exatamente. Neste momento, confirmamos e esperado: o inglês da pessoa era bem limitado. Conversa, vai, conversa vem, finalmente encontramos o prédio. Mas entre chegar e encontrar o local, foram bem uns 10 minutos.

Segunda parte: A matrícula

Me despedi do marido, subi as escadas até o terceiro andar, tirei minhas botas e entrei no estúdio. Fui decidida a começar hoje mesmo, disposta a ir duas vezes por semana. De verdade. Bom, daquele jeito, né? Deu dor de barriga hoje, fiquei gripada ontem, mesntruação tá pra chegar… Pois é, mas aqui a história é outra e a mocinha foi bem clara: “É importante que, especialmente no primeiro mês, você não perca nenhuma aula.”

Em poucos minutos de conversa já deu pra notar que eles levam a yoga muito, muito, muito a sério aqui. Não é um “vou quando der”, é um compromisso, uma religião.

No ato da matrícula, escolhi os dias e o horário das aulas e adquiri a camiseta feinha que dói (aquisição obrigatória), que devo utilizar em todas as aulas. Somos um exército yogi. Nada de leggings coloridas,  tops moderninhos, nem pulseirinhas. Você deve vestir a blusa e uma calça larguinha e confortável (sim, daquelas que eu não uso nem para atender à porta de casa), afinal, yoga não é modinha. Colares, brincos e anéis também são desencorajados (para não dizer proibidos).

Me deram também uma brochura com informações importantes sobre o guru fundador do estúdio e sobre a importância da prática da Yoga ortodoxa (medo).

Me deram uma sacolinha-cubo contendo o uniforme e o strap e me conduziram até o vestiário para que eu me trocasse.

Tudo muito metódico.

Terceira parte: A aula

Gente, a aula.

Entrei na sala, peguei o toalhão (cobertor), o almofadão e, com uma outra toalha em mãos e meu strap, fui em direção ao tapetinho que estava vazio. Forrei o tapetinho com a toalha menor, conforme fui instruída e sentei-me. Sentei nos fundos, ninguém se virou para me olhar/cumprimentar. Calados estavam, calados permaneceram.

Com exceção de um rapaz que estava num cantinho lá na frente, éramos todas mulheres. Eu, a única não coreana.

Havia um tablado vazio lá na frente, imaginei que fosse ser ocupado pelo instrutor, mas de repente, uma voz começa a dar instruções. EM COREANO. Num primeiro momento, achei que estivesse vindo do rapaz no canto lá na frente, mas não era possível, a voz era bem alta e era difícil identificar de onde ela vinha. Não demorou para que a instrutora aparecesse e se instalasse no tablado. A voz que eu estava ouvindo era uma gravação (absurdamente nítida) do guru. A instrutora não abriu a boca a aula praticamente inteira.
Ninguém olha pros lados, ninguém se fala, ninguém troca sorrisos. Yoga é coisa muito séria por aqui. Literalmente.

Pausa para entrar na memory lane: ah que saudade das minhas aulas cheias de energia  e bom humor com a Lisa e com a Yenny. Eu era feliz e sabia disso.

Voltando à aula…

Eu não sabia disso, mas atendi uma aula de yoga Raja  + Mantra, ou seja, não era beeeem o que eu tinha em mente. Muitos mantras, meditação, barulhos estranhos, tapas na cara e caretas. Tive que me controlar horrores pra não ter um acesso de riso.

As poses mesmo não foram muitas e apesar de exigirem bastante flexibilidade, não foi um grande esforço. Algumas poucas vezes, a instrutora se aproximou de mim para dar toques clássicos do tipo “estique mais a coluna e as pernas quando expirar”. Mas foi só isso.

O que mais me incomodou foi não entender nada. Nas horas que todos estavam de olhos fechados, eu ficava tensa, de olhos abertos para saber o que deveria fazer depois. Definitivamente não saí de lá nem um pouco relaxada.

Mais uma pausa: uma das coisas que eu mais gostava nas aulas de Yoga da Lisa era a imprevisibilidade, o mix and match das poses. Parecia tão natural, fluía tão bem. Mas aparentemente esse método é super criticado pelos ortodoxos. Sem surpresas, né?

Enfim, a aula foi. Foi o que? Sei lá. Estranha. Gostar, gostar eu não gostei, mas tô precisando e aparentemente não é fácil encontrar um estúdio de Yoga em que um estrangeiro consiga se matricular sem falar patavinas de coreano, e eu falo exatamente isso: patavinas.

Mas tem mais! Ao final da aula, dobrei o cobertor e comecei a enrolar o tapete quando a instrutora veio se aproximando de mim: “você dobrou a toalha de maneira errada”.

Oi? – achei que fosse pegadinha.

Acreditem, tive que desdobrar a toalha, e, seguindo suas instruções, dobrar novamente.

E antes que eu começasse a enrolar o tapete, ela me explicou como deveria ser feito:

“Você enrola um pouco, enquanto inspira e ao expirar, você puxa em sua direção. Vai repetindo a sequência até terminar de enrolar.”

Sentiu o drama?

Quarta parte: após a aula

Aula encerrada, fui me trocar. Ao sair do vestiário, ela me ofereceu um home made herbal tea, dizendo que sempre que eu terminar uma aula de yoga, preciso manter meu corpo aquecido bebendo um chá ou uma água quentinha.

Enquanto eu tomava o chá, ela me deu vários trechos de um livro para ler. Alguns falavam sobre a metodologia deles, outros sobre o guru, outros sobre o estilo que havia praticado hoje.

Saí de lá com uma lista de palavras que preciso aprender em coreano para as aulas. Sabe-se lá quanto tempo vou levar para memorizar tudo aquilo!

Quinta e última parte: voltando pra casa

Olha, acho que a melhor parte do meu dia vou a volta pra casa, quando, pela primeira vez, peguei um ônibus sozinha em terras coreanas 🙂 Me senti tão livre, tão independente, tão normal. No caminho para o ponto do ônibus, quase parei na quitanda para comprar umas verduras, mas como que ônibus estava chegando e tava super frio, deixei para a próxima.

Se eu conseguir seguir nessa yoga, durante a primavera poderei passear bastante pela região. Por enquanto, acho que será esta minha motivação para sair de casa e enfrentar a prática ortodoxa.

Mas não me precipitarei, na terça, a aula será diferente. Vejamos se é mais parecida com o que me é familiar.


Atualização 07/02/17: Fui a minha segunda aula (Hatha) e… desconfio que só ficarei lá este mês mesmo 😦 O ambiente é muito diferente do que eu estou acostumada. Frio. Silencioso. O staff é todo muito gentil, mas ninguém se fala, se olha,  se cumprimenta… Ninguém troca sorrisos. É inevitável comparar com a Yoga que eu praticava na Austrália, onde eu era recebida com um sorriso caloroso, um abraço… batia um papinho antes da aula e sempre dava risadas (muitas vezes por causa da dificuldade em executar a pose) no decorrer dela.

Mas ó, ainda que essa primeira tentativa não dê certo, eu não vou desistir! Ei de encontrar uma atividade bacana, ainda que não seja Yoga.