De volta à fria realidade

Antes fosse fria, na verdade a realidade é gélida, glacial. Especialmente para quem estava feito pinto no lixo, aproveitando até a última gota de suor do meu Rio 40 graus.

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As férias de última hora foram, de fato, revigorantes (thanks, hubby!) e, ao contrário do que eu imaginava, amenizaram, sim, pelo menos um pouquinho, my winter blues, afinal, mais vale quebrar um longo inverno com um mês de verão, do que passar longos meses gélidos sem a alegria que só o clima quente e úmido na beira da praia me proporciona.

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Pois bem, voltamos. E sabe quem resolveu dar as caras em nosso primeiro final de semana de volta? A neve.

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A neve que me faz lembrar dos meus amigos do Fraggle Rock cantando Blanket of Snow, Blanket of Woe. A neve que me faz querer hibernar até a primavera chegar.

Mas na impossibilidade de vencer o inverno, só me resta juntar-me a ele, pelo menos um tiquinho, só pros meninos experimentarem, brincarem e, hopefully, valorizarem mais o verão 😛

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Anyway, sexta passada as aulas foram canceladas por conta da neve e nós descemos para brincar nela – note, às 7 da manhã.

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Brincamos de snowball fighting e o Vivi chegou a arriscar um snow angel. Nickito escorregou e se esborrachou no chão, mas achou graça de tudo – como é bom ser criança!

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Eu brinquei com moderação, até porque alguém tem que registrar o momento, né? rsrs

A verdade é que não aguentamos muito tempo lá fora, 20 minutos de brincadeira e os meninos já estavam cobertos em neve e completamente molhados. Acabamos encerrando as atividades e indo à padaria  da esquina “tomar um café”.

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De qualquer forma, valeu como ensaio 🙂

Aguardemos a próxima nevasca (que está prevista para este fim de semana). Melhor eu comprar um casaco apropriado para a ocasião, porque os meus de Melbourne não dão conta e os que eu tinha em Bloomington, fiz questão de mandar pro espaço (crente, crente que nunca mais moraria na neve… Sabe nada, inocente).

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Em tempo: vou escrever aqui no finzinho, em letras discretas, pra ninguém ler – até que tô gostando um pouquinho, bem pouquinho, dessa experiência gelada numa big city. O inverno aqui é muito, muito, muito diferente do inverno em B-town. Além do mais, dentro de casa é quentinho, a garagem é coberta… ou seja, eu reclamo só por diversão, rs Tenho que manter meu personagem vivo, e ele odeia inverno 😉

Ataque de tristeza

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Às vesperas de voltarmos pra casa, Nickito teve uma crise horrorosa, uma crise de nervos, de ansiedade, uma crise de tristeza que me desesperou e partiu meu coração.

Era tarde da noite, umas 11, eu acho. Nickito começou a dizer que queria que a vida dele acabasse, que tava demorando muito essa vida, que ele não aguentava mais. Conforme falava, chorava desesperado, de soluçar. Esboçava uma tristeza tão profunda, um desespero, que suas palavras ecoavam pelo quarto e dentro da minha cabeça.

Eu perguntava o porquê daquilo e ele só dizia que eu não ia entender, porque era muito difícil explicar. Dormiu comigo, segurando forte minha mão, quando já estava sem forças de tanto chorar.

Eu permaneci acordada por horas, tentando compreender o motivo daquele episódio.

Na manhã seguinte, conversei longamente com ele e finalmente, mais descansado (porém, ainda triste), Nickito conseguiu me explicar o que se passava. Disse que um dos motivos era que não aguentava mais essa vida que ele leva (acho que sem raízes).

“Nossa família mora aqui no Brasil e a gente tem nossa vida, só nós 4, longe daqui.. . demora muito pra chegar aqui, pra vir pra cá. Tô cansado disso, dessa vida. Não quero mais, quero acabar com ela.”

E pôs-se a chorar novamente.

Sensação de impotência define.

O pobrezinho estava descontrolado, mal sabia descrever seus sentimentos 😦

E a culpa que se abateu sobre mim? Afinal, a vidinha dele só é assim, por causa das nossas escolhas. Esse vai e vem, essa vida sem raízes, longe do ninho, da família… essa vida sem uma base fixa, definitivamente, não é pra qualquer um. Nem todo mundo sabe lidar com a distância, com a falta dos avós, tios, primos. Nem todo mundo se adapta a isso. De verdade, até hoje eu não me adaptei.

Nickito sente muita falta da interação familiar, sempre fala do pessoal do Brasil e, mais, faz questão de incluir todo mundo em seus desenhos e historinhas. Na escola, a professora já está acostumada a ver a família reunida nos desenhos dele.

Para agravar um pouco mais a situação, além do Brasil que guarda sua família de sangue, Nickito sente muita falta da sua vida na Austrália e dos amigos, primos e tios postiços, que faziam parte do seu dia a dia. E isso também veio à tona durante nossa conversa. Ele pediu com muita emoção que voltássemos pra Austrália, ou que, pelo menos fôssemos lá a passeio, por duas semaninhas que fossem. Ele quer rever os amigos, ir à escola… pediu até pra ir às aulas de Karate 😦

Notem que ele não quer ir à Austrália para passear, mas para reviver sua rotina. Difícil, viu?

Durante nossas férias no Brasil, além de estar 100% do tempo com a família, encontramos também nossos amigos da Austrália, o que apesar de ter sido ótimo e te-los deixado numa alegria enorme, fez acordar esse pedacinho da vida, das lembranças que estavam adormecidas.

Nunca imaginei que passados 6 meses o Nickito ainda fosse estar tão homesick. Mas o fato é que está. E pra ser sincera, é bem compreensível (até eu ainda estou!), já que não temos aqui a estrutura social que tínhamos lá. Nos falta interação, nos falta amigos. Estamos exilados dentro da nossa bolha particular, fazemos tudo, absolutamente tudo à 4. Mas o Nickito sente tanta falta de ter pessoas pairando em volta, fazendo parte do nosso dia a dia, da nossa família, que já até disse que ta com saudade de ir na churrascaria brasileira daqui, não por causa da comida, mas porque tá com saudade dos donos, dois brasileiros, segundo ele “muito legais!”. Nickito, definitivamente, está “contratando” tios e tias para o seu convívio. Este é o nível de carência do nosso pequeno.

Mas o que eu posso fazer para ampara-lo? O que pode ser feito para amenizar essa dor, para preencher esse vazio?

Conversar eu converso muito. Falo, pergunto, explico. Mas isso é pouco, é quase nada diante desse tsunami de sentimentos que ataca a mente e a alma desse serzinho ainda tão pequenino.

Desde que chegamos de volta, ele está sob controle (atribuo muito disso à fórmula que ele está tomando). Não deu nenhum ataque (nem de tristeza, nem daqueles de fúria que teve durante todo o ano passado), muito embora tenha expressado claramente seu desejo de voltar pro Brasil e de ir à Austrália.

Ai, gente, dureza, viu? E o pior é que até para encontrar um terapeuta infantil aqui é difícil 😦

Vamos ver como as coisas se desenrolam. No momento, o que posso fazer é dar toda atenção possível e ficar de olho nas mudanças de humor/comportamento.

Oremos pelo melhor, sempre.


Atualização (26/01/17): Inacreditável, mas ontem à noite, Nickito veio novamente falar do desejo de acabar com essa vida 😦 Acrescentou ainda que são muitas coisas, que é muito difícil explicar.

Ele diz que gosta da vida dele, que não quer morrer, mas que quer acabar com essa vida, porque está demorando muito. Se é confuso para mim, imagina para ele? 😦

Mas vamo que vamo, um dia de cada vez.

 

E o Cheeky, veio no Natal?

Veeeeeio!

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Como de costume, o Cheeky chegou dia primeiro de dezembro e cada manhã aparecia num canto diferente. Foi ótimo como motivação para os meninos acordarem cedo 🙂

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Quando decidimos, super de última hora, ir pro Brasil, contamos pros meninos que encararam com um misto de euforia e preocupação. Euforia por estarmos indo curtir as festas em família, num Rio quentinho de praia e sol. Preocupação porque “e o Cheeky???”.

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Pois é, o Cheeky teve que ficar.

Entretanto, ao retornamos à casa, qual não foi a surpresa quando, além de encontrarem as stockings cheias de gostosuras (naughty Santa! ai ai ai!), encontraram também presentes sob a árvore de Natal acompanhados de ninguém menos que nosso Elf adotivo! Cheeky ficou de plantão, aguardando nosso regresso, tenho em punho uma cartilha que dizia algo assim: “que bom que voltaram! Senti falta de vocês! Vamos nos abraçar e brincar por um dia?”

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Isso mesmo, mais uma vez, Papai Noel liberou nosso Elf pra a brincadeira. Nem preciso dizer que eles adoraram, né? 🙂 A euforia tomou conta da casa, muitos abraços e conversas animadas rolaram até o pessoal capotar de exaustão.

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O Cheeky foi embora e deixou saudade. Mas ano que vem ele volta 😉

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O primeiro Natal na Coréia #sóquenão – Da decisão à saga da viagem (com direito à milagre de natal antecipado)

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Meu último post data de 7 de dezembro. Quase 6 semanas se passaram e nenhuma atualização foi feita. Por quê? O que aconteceu?

Aconteceu que dia 11 de dezembro, domingo, o marido teve insônia, ficou pensando, refletindo sobre a vida e decidiu olhar preço de passagem.

Aí… fui acordada às 6 da matina da segunda-feira com a seguinte pergunta: quer ir pro Brasil amanhã?

Eu, ainda tonta (as manhãs de segunda são sempre as piores!), despertei rapidamente e respondi: não sei! Como assim? De onde você tirou isso? Preciso de um tempo pra pensar.

– Tá, mas pensa logo. Encontrei passagens baratas para os próximos 2 dias apenas.

Pressão.

O que eu sei é que compramos as passagens ainda na manhã de segunda e embarcamos dois dias mais tarde.

Correria? Não, imagina.

Separa roupas, arruma as malas, sai para comprar lembrancinhas, enfia nas malas, limpa a casa, arruma a casa, avisa o colégio dos meninos que eles faltarão os últimos dias de aula antes do Natal e a primeira semana de volta às aulas, ufa. Um rolo só.

Tudo pronto? Tudo. Pelo menos foi o que achamos.

Vejam só o que aconteceu:

No dia do embarque, fomos todos ao salão aparas as madeixas e lá, minha cabeleireira aconselhou que saíssemos de casa antes das 2 da tarde (nosso vôo era as 8 da noite), porque além da distância ser longa, nunca se sabe como estará o trânsito.

Lá fomos nós. O trânsito estava bom e nenhum imprevisto aconteceu. Tudo tranquilo, tudo favorável, chegamos no aeroporto com muita antecedência (não sabíamos, mas iríamos precisar muito desse tempo extra).

Na hora do check in, entregamos todos os passaportes (australianos e brasileiros) e tivemos a revelação: “vocês não têm visto para entrar nos EUA!”

(momento de silêncio e pausa dramática)

– mas vamos usar o passaporte australiano, não o brasileiro…

– ainda assim, vocês precisam do visto eletrônico.

Ferrou. Perdemos a viagem. Sem visto, não conseguimos fazer a conexão nos EUA.

Àquela altura, o meninos já estavam desesperados, se esgoelando de tanto chorar – e todo mundo olhando. Um drama digno de novela mexicana.

A atendente, calmamente, nos explicou que o visto eletrônico sai bem rápido, o que daria trabalho seria preencher os 4 formulários que são chatinhos e longos, mas como estávamos com tempo, não haveria problemas. Anotou o endereço num pedaço de papel e me entregou – eu, no mesmo segundo passei pro marido para que ele fizesse o procedimento.

Até aí, tudo simples, né? O problema é que ele guardou o papel no bolso e esqueceu dele e quando sentou pra fazer o cadastro online, jogou 3 palavras no Google e clicou no primeiro link que apareceu. Quando a página abriu, parecia bem legítima, então começou a saga.

Marido preencheu todos os forms e enviou, voltamos ao guichê para concluir o check in, só que nosso visto não havia sido aprovado e, pior, não havia qualquer indicação que seriam  aprovados em tempo.

Olha, até deitar no chão do aeroporto, o marido deitou. Estávamos arrasados. Eu comecei a achar que era um sinal divino, que o avião ia cair, sei lá. Cheguei até a avisar pra família que não iríamos mais.

Não sabíamos mais o que fazer. De 10 em 10 minutos, voltávamos ao guichê para checar e nada. Até que, da última vez que fomos checar, a mocinha, compadecida da nossa situação, resolveu, além de checar no sistema, fazer uma ligação. Foi aí que ela foi iluminada a nos perguntar por onde demos entrada no visto.

Eis que o site no qual o marido entrou para fazer os pedidos não era do governo americano, mas sim uma empresa “facilitadora” (isso explica o preço extorsivo, praticamente 10x o valor do visto) e neste caso, o visto demoraria mais de 24h (em vez de 5 minutos) para ficar pronto. Àquela altura, faltava menos de 20 minutos para encerrar o check in. Pressão total. Estresse absoluto. Correria insana.

Mas conseguimos!

Maridinho preencheu novamente os forms, um a um e conforme enviava, eu voltava ao guichê para finalizar nosso check in. Um estresse, viu?

No fim das contas, saímos correndo pelo aeroporto para chegar ao portão de embarque que estava fechando. Não deu tempo nem pro xixi.

Depois disso, a viagem foi super tranquila (apesar de termos sentado separados, nos assentos que restaram). Longa, infinita, mas tranquila. Passamos um mês maravilhoso no Brasil, totalmente dedicado à família e novamente naquele esquema “uma semana lá, outra cá”, dividindo irmamente o tempo entre os dois lados.

Para não dizer que foi tudo perfeito, no primeiro vôo de volta pra Seul, esquecemos meu iPad (que estava com o Nickito) no avião e nunca mais tivemos notícias dele. Isso certamente não teria acontecido se tivéssemos conseguido sentar todos juntos. Mas como só os meninos sentaram lado a lado, na hora de desembarcar, acabamos papando mosca e esquecendo de checar debaixo dos bancos (o iPad certamente caiu enquanto eles dormiam).

O que mais me preocupa e tira o meu sono não é tanto o prejuízo (o iPad era novo!) mas a possibilidade assustadora das fotos e vídeos dos meninos caírem em mãos perturbadas 😦 Quando eu penso que eu quase apaguei tudo antes de viajarmos… só não o fiz, porque eu já perdi tantas fotos nessa vida, que eu acabo procrastinando o momento de deletar as fotos e vídeos dos devices, mesmo já tendo salvo no google photos e no hd externo.

Agora é rezar para que a pessoa que achou/ficou com o iPad tenha, pelo menos, deletado tudo.


Update (27/01/17) – Vocês não vão acreditar! Eu mal acreditei. Hoje, maridinho me acordou com a seguinte notícia: encontraram seu iPad!”.

Choquei! Ainda existem pessoas honestas neste mundo. Seja lá quem tenha encontrado meu iPad, entregou para o achados e perdidos, sem sequer ter se conectado à internet.

Confesso que ainda não tô crendo e não sou de celebrar antes do tempo. Só vou acreditar de verdade quando estiver com ele em mãos e isso deve acontecer nesta próxima semana. Aguardemos (rezando para que realmente seja o meu iPad, hahaha).