Quem são esses meninos?

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Este fim de ano, teremos Christmas Concert do Vivi e do Nick, para tanto, tive que providenciar roupinhas sociais pros molequinhos (obrigada, AliExpress, por existir).

Pro Nickito que participará do coral, calça preta, blusa branca de botão e gravata colorida. Pro Vivi que além de cantar, participará de uma encenação, calça preta, blusa branca, gravata borboleta, suspensórios e óculos de nerd (ele interpretará o vencedor do Spelling Bee Contest – só espero que ele soletre direitinho, afinal, a vitória é certa, rs)

Fiquei apaixonada pelo look da duplinha. Tão lindos, tão fofos! A mamãe aqui babou e ficou com vontade de só vesti-los assim, rs. O Nickito, que é todo engomadinho, ia amar, já o Vivi que é the cool guy, jamais embarcaria na viagem da mamãe, rs

Bom, pelo menos uma vez por ano eu posso vesti-los assim 🙂

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Pena que eles crescem tão rápido, né?

Ai ai…

Alimentação, estresse, auto-imune e minha vida coreana

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Desde que chegamos aqui, há pouco mais de um mês, minha alimentação tem descido a ladeira, de tamanco e com a lata d’água na cabeça. Tá complicado, viu?

Não sei como ainda não ganhei peso, mas o engraçado é que apesar de ainda estar me sentindo esquelética, meu corpo já está diferente, sinto novamente o desconforto que a má alimentação me traz.

Eu sei que prometi ser menos reclamona e focar nas coisas positivas, mas gente, no início do ano passei por um processo doloroso de reeducação alimentar e transformei completamente meus hábitos alimentares . Foi duro, sofrido, muito difícil mesmo, pensei que jamais conseguiria, mas passei 45 dias sem consumir um grão de açúcar, nem glúten, nem leite de vaca, ou derivados. Nem milho, nem batata de espécie alguma, nem laranja, nem banana, nem coco, nem uma porção de outras coisas. Chocolate? Zero. Foi a parte mais difícil de todas, mas acredite, fiquei curada do vício que me acompanhou desde o berço.

Passados os 45 dias de privações dificílimas, voltei a comer muita coisa, mas de maneira totalmente moderada, mesmo porque, meu organismo já não pedia mais açúcar como antes. Chocolate não fazia mais parte do meu dia a dia, leite, só de vez em quando, quando batia aquela vontade de tomar chai latte. Farinha de trigo eu nem sabia mais o que era. Só consumia pão sem gluten (quem diria, Erica!) e estava passando muito bem, com muito mais energia e com os sintomas bem amenizados.

Estava feliz, com o Sjogren controlado (sabia que as doenças auto-imunes estão altamente relacionadas à alimentação? Pois é. Pude comprovar como os sintomas melhoram quando não consumo leite, nem glúten), até que… começamos a movimentar a mudança.

Não vou mentir, mesmo com a alimentação controlada, nas semanas que antecederam a mudança, o estresse foi tamanho que os sintomas começaram a aflorar, entretanto, graças à alimentação, suponho, não cheguei a ter uma crise braba.

Aí, chegamos na Coréia, país onde não se fala de gluten free, país onde em casa esquina há uma padaria repleta de pães de todos os tipos, inclusive aqueles bem macios e docinhos que são deliciosos puro veneno, sabe? Acredite, até pão francês encontrei aqui! Pão francês – tem noção? Isso pra não dizer que tudo nesta terra é doce. Até o salgado é doce. Tudo leva açúcar (e não é o demerara). Essa história de que coreano se alimenta bem é pura balela. O que você mais vê por aqui é fritura, carne de porco, pães e doces (não sei como coreano é magro!).

O fato é que a qualidade da minha (nossa) alimentação vem deteriorando. Não só é difícil encontrar comida “normal” nos mercados, como é impossível encontrar glúten free (quando encontro é no iHerb, online, e um pacotinho custa o preço de uma perna). E vou te contar um segredo: se passar pelo processo de reeducação alimentar é dolorido, demorado e exige esforço e dedicação, sair da linha é fácil, rápido e só não é indolor, porque eu sinto claramente a consequência no meu corpo que não consegue acumular a energia necessária para um dia inteiro normal.

Há um mês, eu ainda celebrava o fato de não mais precisar comer doces todos os dias, celebrava uma vitória que jamais imaginei que fosse ter, mas há duas semanas comecei a ter desejos de chocolate, desejo daqueles fortes. Desejei até comer geléia a colheradas, tamanha era a necessidade de doce. Por quê? Porque mesmo eu não comendo doces, os pães começaram a ser interpretados pelo meu organismo como açúcar e uma vez que o processo de obtenção do açúcar foi reiniciado, a evolução (ou involução) é rápida.

Resumo da ópera: estou ferrada.

A alternativa é viver somente de ovos, carnes, frutas, vegetais e sementes (nem um queijinho de ovelha encontro aqui). Mas como viver assim se eu não sou sozinha? Se os meninos gostam de bolo (eu também), se várias receitas levam trigo (e eu não encontro substitutos). E para comer fora, como faz?

O problema é que uma vez que voltei a comer queijo e pão e até chocolate (não da maneira que fazia antes, mas voltei), meu corpo está desejando essas coisinhas mais intensamente, o que me faz sucumbir, sempre no fim do dia. O estresse também ajuda, quer dizer, atrapalha. Além de me fazer desejar doces e pães e comfort food em geral, por si só já desencadeia o cansaço, a falta de energia, a boca seca, os olhos secos, os cabelos ressecados, a pele craquelada.

Tenho até sido assídua na minha meditação de cada dia, e graças a isso ainda não enlouqueci. Tenho também escrito bastante no blog, o que me ajuda bastante a manter a sanidade. Tenho até me forçado a me animar com relação às coisas que precisam ser arrumadas na casa (ontem mesmo finalizei a parede de ousa no quarto do Vivi). Mas ainda assim, essa alimentação desequilibrada me traz consequências reais que, para serem revertidas novamente, me custarão mais do que antes.

Enquanto isso, estou aqui, esperando que os Deuses do gluten free façam um milagre e me apontem a direção e aguardando também minha consulta com o reumato, rezando para não ter nenhuma notícia indesejada após os tantos exames que fiz.

 

As cores do outuno

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Este domingo fomos ver as folhagens de outono.

Meu plano era ir a algum parque, palácio ou templo, mas o marido, cê sabe, né? É meio preguiçoso, então foi logo cortando minhas asinhas quando sugeri Nami Island. “Pô, a gente tem uma floresta aqui atrás! Dá pra ir caminhando… pra quê ir pra longe se tem folhas aqui do lado?”

Oh, well, do jeito que eu ando cansada, nem argumentei, até porque se o programa acabasse virando de índio, eu seria a culpada.

Lá fomos caminhar pelo “quintal” mesmo, fazer o quê? rs

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Vivi, como de costume, foi reclamando, se arrastando. Mal saiu de casa, já estava querendo saber onde iríamos comer… Tô pra ver criança mais preguiçosa, viu?

Nickito, por sua vez, ficou todo animado. Ele adora as folhagens do outono e se diverte procurando cores diferentes. Tão bem humorado, esse little guy…. quem passa e vê não faz ideia de como ele é difícil no dia a dia, rs

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Uma das coisas mais bacanas (e difíceis) de se morar aqui e ali é ter a possibilidade de mergulhar em culturas totalmente diferentes. Aqui na Coréia muita coisa é bem diferente, algumas deixam nossa vida mais difícil, não vou negar, mas outras nos faz reavaliar a maneira como encaramos a vida.

Uma coisa que notei desde nossa primeira semana aqui é que os idosos, por mais chumbadinhos que estejam, por mais que precisem do auxílio da bengala, por mais que ainda assim, com a bengala, o caminhar seja difícil, eles caminham. Caminham diariamente, mesmo com as perninhas tortas. Eles também fazem exercícios para força e flexibilidade nas estações que permeiam as trilhas. Chova ou faça sol, lá vão eles (especialmente as senhorinhas) nas trilhas ou pelas escadarias. Nos dias de muita poluição (os índices aqui são bem altos), colocam suas máscaras e nada os impede de levar a vida mais saudável que conseguem.

Fica a lição pra quem vive arrumando desculpa pra não se exercitar (eu): “ah, mas eu gosto de caminhar na praia”, ou “nossa, tá muito frio pra caminhar!”ou ainda adoro yoga, mas praticar em casa é muito solitário”. Ai, Erica, vê se aprende alguma coisa com as senhorinhas coreanas das perninhas tortinhas, viu!

Enfim, no final das contas, nossa caminhada no quintal foi bem gostosa, muitas árvores coloridas, uma trilha bonita e ainda uma bela lição.

Saindo dali, fomos tentar almoçar no Outback (quase pirei quando vi um Outback aqui em Sinchon! O que três meses na Coréia não fazem com a pessoa, rs), mas assim como no Brasil, tinha fila e a espera era de uma hora. Fala sério, passei dessa fase. Nem a cebola, nem a batata, nem o pãozinho, nem o brownie com sorvete me fazem esperar durante uma hora, em pé, na fila para almoçar no Outback. Sim, tô velha.

E como tudo tem seu lado positivo, acabamos indo parar num Thai maravilhoso (fazia milênios que não ia a um thai!! Desde a Austrália!), bom, bonito e baratoooo. Uma ida no brasileiro paga 3 idas ao thai, acredita? E olha que não é thai pé sujo, não, viu? Muito bom mesmo. Comi até não aguentar (e isso me faz lembrar que todo aquele processo doloroso pelo qual passei no início do ano para reeducar minha alimentação, foi pelo ralo desde que pisei na Coréia. Mas isso é assunto para outro post).

E assim, uma florestinha aqui, um thailandês ali, nosso domingo despretensioso acabou sendo só sucesso.

A temperatura cai lá fora e o clima aquece aqui dentro

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Da noite pro dia a temperatura caiu tão desesperadamente que chegou abaixo de zero. Hoje amanhecemos com míseros -2 (note, em pleno outono. Pânico só de imaginar o que o inverno me aguarda) e eu já estou sofrendo.

E já que eu não tenho o poder de controlar a temperatura lá fora, só me resta seguir ajustando a “temperatura” aqui dentro de casa. Uma casa aconchegante é fundamental para eu não pirar nos próximos meses. Preciso me sentir abraçada, preciso de texturas, cores e almofadas. Preciso criar uma ambiência propícia aos finais de semana que passaremos “enclausurados”, uma ambiência que me permita  não apenas curtir o aconchego do ninho, mas que também permita que os visitantes sintam-se abraçados.

Como você sabe, esta casa é majoritariamente de meninos, né? Eu sou minoria, as cuecas dominam, então para não me deixar dizimar, preciso pincelar a suavidade de alguma maneira, até porque gosto de criar um certo equilíbrio no ambiente. Veja bem, não é que eu não goste de cores vibrantes: azul bic, verde bandeira, amarelo canário. Amo. Mas Gosto também de preto, cinza, branco. Também de magenta, rosa choque, turquesa… e tenho uma queda especial por menta, rosa clarinho… Minha paleta de cores preferidas é infinita e depende muito do momento e do estado de espírito.

Minha casa não é só minha e por mais que meus meninos não dêem muito pitaco na decor (exceto o Nick que tem sempre uma sugestão), eu eu gosto de levar em consideração não apenas os meus gostos (que por si só já são bem ecléticos),mas também os gostos deles, afinal, todos precisamos nos sentir abraçados, não é mesmo?

Recentemente comecei a me sentir fortemente atraída pela suavidade do rosa claro que contrasta com as cores fortes que eu tanto aprecio (lembra do meu sofá amarelão?). E qual  é o problema dos contrastes? Nenhum. Pra mim, o contraste é a solução. O contraste, se bem conduzido, leva ao equilíbrio que eu tanto busco não só para a decoração, como para a vida. Sem falar que tenho um certo nervosinho de coisas muito “combinandinhas”. Me atrai muito mais a ousadia do descombinado. Gosto de forçar a conversa, de mesclar tipos, afinal, aqui em casa somos 4 tipos completamente diferentes – e geralmente as família são assim, não é mesmo? Uma reunião/combinação de tipos, personalidades, gostos, perfis. Por que não a decoração das casas?

Anyway, tudo isso pra contar que: comprei um sofá rosa 😛

Mesmo correndo o sério risco de ter neguinho reclamando da escolha da cor, fui lá e comprei. E sabe de uma coisa? Todo mundo curtiu 🙂 Ninguém nem comentou sobre a escolha da cor, até porque eu vivo martelando a história de que não existe isso de cor de menino e cor de menina, cor é pra quem gosta dela e ponto. Marido só levantou a lebre da sujeira, por causa da cor clarinha, mas como as capas são removíveis e tem uma lavanderia em frente ao nosso prédio, tá resolvido, rs.

E assim, nossa casinha vai ficando cada vez mais com a nossa cara, assim mesmo, cheia de elementos diferentes que se harmonizam, formando uma família eclética e feliz.

Lá fora pode até estar fazendo frio, mas aqui dentro, o abraço é tão quentinho, o aconchego é tão gostoso que dá até para superar a tristeza que o inverno me causa 🙂


Em tempo: Hoje, veio aqui um faz-tudo recomendado por uma amiga. Percorri o apê com ele, mostrando tudo o que eu preciso fazer (nada muito dramático). Agora é aguardar o orçamento, torcendo pra não ser inviável. Se o orçamento casar com minha di$ponibilidade, até o fim do mês teremos a casa arrumadinha. Amém.

 

 

Uma tarde no hospital

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Não, não fiz nenhuma cirurgia, não fui internada, estou bem. Beeeeem abalada com o custo da minha tarde no hospital.

Há duas semanas, fui ao hospital, por conta de uma dor de cabeça muito forte que eu achava ser por causa dos óculos que me foram prescritos ainda na Austrália. A GP que me atendeu, após uma longa consulta, me encaminhou para o oftalmo (por conta da dor de cabeça) e para o reumato (por conta do Sjogren).

Hoje fui lá. E voltei para casa US$ 3 mil mais pobre. Sério, ficaria mais barato pegar o avião e dar um pulo em Melbourne, onde eu não pagaria exame nenhum.

Como assim, Erica, o que você fez lá? Passei a tarde brincando de ir ao oftalmo (acho que falei com umas 4 enfermeiras/assistentes diferentes antes de falar com o médico mesmo), emendei numa consulta com o reumatoide (só queria/precisava checar meu nível de ferritina!!) e encerrei minha glamurosa visita, fazendo exames de sangue, urina e raio x dos pulmões (tudo por conta do Sjogren). Não, mentira, ainda precisei marcar outros exames que precisavam ser feitos em jejum e uma nova consulta ao oftalmo (desta vez por conta do Sjogren e não da minha dor de cabeça).

Pois bem, lembram que eu, logo antes de sair da Austrália, fui ao oculista (minha GP achou que não era necessário ir ao oftalmo, um oculista era suficiente) e o bonitão me prescreveu um par de óculos? Então, paguei mais de AU$400 por uma coisa que não preciso at all! Sério, poderia ter comprado dois pares de sapatos lindos ou duas bolsas, até mesmo uma poltrona nova, mas não comprei um óculos que eu não preciso!

Após vários exames, conversa e ter meus óculos testados, veio a confirmação da minha suspeita: “claro que você estava tendo dores de cabeça fortes, esse grau é muito forte pra você e o motivo é simples: você não precisa de óculos, nem para perto, nem para longe”.

Sabe aquele momento em que você não sabe se ri ou se chora? Pois é. Me deu muita raiva. Raiva do oculista vendido que deve receitar óculos para a maioria dos pacientes. Raiva de mim, por não ter seguido meu instinto (antes de concluir a compra), nem a obviedade (nos primeiros dias de uso): caramba, cada vez que eu colocava os óculos, o mundo não ficava mais nítido, mas aumentava. E muito. Isso não podia ser normal.

– Mas doutor, se eu não preciso de óculos, porque não consigo mais ler por muito tempo, tampouco passar horas a fio trabalhando em frente ao computador?

“Ora, paciente, porque a vista de todo mundo vai deteriorando com o tempo, especialmente se você trabalha em frente ao computador. Só que isso não significa que você tenha que usar óculos agora. Significa, sim, que você precisa fazer vários intervalos durante o dia, e permanecer por algum tempo sem forçar a vista, ou seja, não vale assistir TV (fácil!), nem ficar no celular (difícil) durante os períodos de pausa. Seus olhos precisam descansar, simples assim.”

E ainda completou: “Hoje, você não precisa de óculos para nada, mas daqui há 5, 6 anos, é quase certo que começará a precisar, porque com o tempo, se os intervalos de descanso tiverem que ser maiores e você começar a perder a nitidez da visão, aí sim, vocês terá que ter as vistas reavaliadas. Até lá, descanse as vistas.”

Aí eu te pergunto: dá pra confiar nisso? Andei lendo sobre esta condição (presbiopia) e estou com “a orelha atrás da pulga”.

Que dia, viu! 😦

Bom, amanhã tenho mais exames me aguardando e também uma nova consulta com o oftalmo. Em duas semanas, terei os resultados dos exames e uma nova consulta com o reumatoide.

Oremos com força.


Em tempo: acho e só acho que ao ter minha situação resolvida junto ao plano de saúde que temos aqui, veremos pelo menos parte desse dinheiro de volta. Oremos(2).