Alimentação, estresse, auto-imune e minha vida coreana

img_0508

Desde que chegamos aqui, há pouco mais de um mês, minha alimentação tem descido a ladeira, de tamanco e com a lata d’água na cabeça. Tá complicado, viu?

Não sei como ainda não ganhei peso, mas o engraçado é que apesar de ainda estar me sentindo esquelética, meu corpo já está diferente, sinto novamente o desconforto que a má alimentação me traz.

Eu sei que prometi ser menos reclamona e focar nas coisas positivas, mas gente, no início do ano passei por um processo doloroso de reeducação alimentar e transformei completamente meus hábitos alimentares . Foi duro, sofrido, muito difícil mesmo, pensei que jamais conseguiria, mas passei 45 dias sem consumir um grão de açúcar, nem glúten, nem leite de vaca, ou derivados. Nem milho, nem batata de espécie alguma, nem laranja, nem banana, nem coco, nem uma porção de outras coisas. Chocolate? Zero. Foi a parte mais difícil de todas, mas acredite, fiquei curada do vício que me acompanhou desde o berço.

Passados os 45 dias de privações dificílimas, voltei a comer muita coisa, mas de maneira totalmente moderada, mesmo porque, meu organismo já não pedia mais açúcar como antes. Chocolate não fazia mais parte do meu dia a dia, leite, só de vez em quando, quando batia aquela vontade de tomar chai latte. Farinha de trigo eu nem sabia mais o que era. Só consumia pão sem gluten (quem diria, Erica!) e estava passando muito bem, com muito mais energia e com os sintomas bem amenizados.

Estava feliz, com o Sjogren controlado (sabia que as doenças auto-imunes estão altamente relacionadas à alimentação? Pois é. Pude comprovar como os sintomas melhoram quando não consumo leite, nem glúten), até que… começamos a movimentar a mudança.

Não vou mentir, mesmo com a alimentação controlada, nas semanas que antecederam a mudança, o estresse foi tamanho que os sintomas começaram a aflorar, entretanto, graças à alimentação, suponho, não cheguei a ter uma crise braba.

Aí, chegamos na Coréia, país onde não se fala de gluten free, país onde em casa esquina há uma padaria repleta de pães de todos os tipos, inclusive aqueles bem macios e docinhos que são deliciosos puro veneno, sabe? Acredite, até pão francês encontrei aqui! Pão francês – tem noção? Isso pra não dizer que tudo nesta terra é doce. Até o salgado é doce. Tudo leva açúcar (e não é o demerara). Essa história de que coreano se alimenta bem é pura balela. O que você mais vê por aqui é fritura, carne de porco, pães e doces (não sei como coreano é magro!).

O fato é que a qualidade da minha (nossa) alimentação vem deteriorando. Não só é difícil encontrar comida “normal” nos mercados, como é impossível encontrar glúten free (quando encontro é no iHerb, online, e um pacotinho custa o preço de uma perna). E vou te contar um segredo: se passar pelo processo de reeducação alimentar é dolorido, demorado e exige esforço e dedicação, sair da linha é fácil, rápido e só não é indolor, porque eu sinto claramente a consequência no meu corpo que não consegue acumular a energia necessária para um dia inteiro normal.

Há um mês, eu ainda celebrava o fato de não mais precisar comer doces todos os dias, celebrava uma vitória que jamais imaginei que fosse ter, mas há duas semanas comecei a ter desejos de chocolate, desejo daqueles fortes. Desejei até comer geléia a colheradas, tamanha era a necessidade de doce. Por quê? Porque mesmo eu não comendo doces, os pães começaram a ser interpretados pelo meu organismo como açúcar e uma vez que o processo de obtenção do açúcar foi reiniciado, a evolução (ou involução) é rápida.

Resumo da ópera: estou ferrada.

A alternativa é viver somente de ovos, carnes, frutas, vegetais e sementes (nem um queijinho de ovelha encontro aqui). Mas como viver assim se eu não sou sozinha? Se os meninos gostam de bolo (eu também), se várias receitas levam trigo (e eu não encontro substitutos). E para comer fora, como faz?

O problema é que uma vez que voltei a comer queijo e pão e até chocolate (não da maneira que fazia antes, mas voltei), meu corpo está desejando essas coisinhas mais intensamente, o que me faz sucumbir, sempre no fim do dia. O estresse também ajuda, quer dizer, atrapalha. Além de me fazer desejar doces e pães e comfort food em geral, por si só já desencadeia o cansaço, a falta de energia, a boca seca, os olhos secos, os cabelos ressecados, a pele craquelada.

Tenho até sido assídua na minha meditação de cada dia, e graças a isso ainda não enlouqueci. Tenho também escrito bastante no blog, o que me ajuda bastante a manter a sanidade. Tenho até me forçado a me animar com relação às coisas que precisam ser arrumadas na casa (ontem mesmo finalizei a parede de ousa no quarto do Vivi). Mas ainda assim, essa alimentação desequilibrada me traz consequências reais que, para serem revertidas novamente, me custarão mais do que antes.

Enquanto isso, estou aqui, esperando que os Deuses do gluten free façam um milagre e me apontem a direção e aguardando também minha consulta com o reumato, rezando para não ter nenhuma notícia indesejada após os tantos exames que fiz.

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s