Finalmente nos palcos

img_0326Dos vídeos no Youtube pros palcos do colégio 😛

Vivi está empolgadíssimo, desde segunda-feira, quando particupou de um teste para a encenação de fim de ano na escola e foi selecionado. Tá, não era assim uma competição super acirrada, mas meu nem tão pequeno foi um dos 30 escolhidos, dos mais de 100 que participaram (e sim, eu tô super orgulhosa do desempenho dele!).

Ele começou preguiçoso, quase desisstiu de participar, dizendo que estava com medo de não conseguir memorizar as falas. Na hora de escolher o script, me pediu pra imprimir o que tivesse menos texto, mas eu me recusei, não aceito esse grau de preguiça. Acabei escolhendo um personagem que parecia mais com ele, um bem gaiato.

Ele memorizou a meia dúzia de falas rapidamente e depois de alguns poucos ensaios em casa, estava com a interpretação perfeita (esse menino realmente nasceu pros palcos).

Na segunda pela manhã, lá foi ele para a audition, um tanto nervoso porque não sabia o que lhe aguardava. O medo de não ser escolhido estava latente. Mas como disse pra ele, ele estava bem preparado, bastava manter a calma e fazer como fe em casa. Se o papel tivesse que ser dele, seria. E foi 🙂

Na segunda à tarde, quando fui buscá-lo no ponto, ele ainda tentou me enganar, fazendo cara triste e dizendo “mamãe, eu não fui selecionado”. Mas antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa, ele emendou: “I tricked you!!!” Passei no teste!!!

Ele não apenas passou no teste, como a professora lhe deu outro personagem, com mais participações, tamanha foi sua desenvoltura. Agora Vivi será o nerd que vence o spelling bee contest. A-do-rei! 🙂

Mal posso esperar até o dia 16 de dezembro para ver sua atuação nos palcos do colégio (que por sinal, é um belo teatro).

Quem sabe no ano que vem, a gente até encontra um curso para que ele desenvolva ainda mais sua veia dramática, ou melhor, para que ele canalize sua veia dramática para os palcos e fique mais blazê em casa 😉

PS. A foto acima é dos novos personagens do canal do Vivi no Youtube: Jeff & Dash. Esse menino vai longe 🙂

Minha primeira vez num salão na Coréia

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Não sem sem motivos que dizem que a primeira vez a gente nunca esquece.

Hoje fui, pela primeira vez, a um salão aqui na Coréia. Quase 3 meses depois de chegar aqui, com a raíz quase nas pontas e as madeixas, como diz uma amiga, parecendo cabelo de boneca velha.

Mas porque esperei tanto? Medo! Medo dos incontáveis depoimentos que li em diversos blogs de expatriados sobre o mal jeito com cabelos não asiáticos (aliás, que raiva desses cabelos asiáticos que são pura queratina, viu, rs. Vai ter cabelo saudável assim aqui na Coréia!).

Anyway, as histórias eram escabrosas e meu medo só aumentava a cada post que eu lia. O salão mais bem recomendado ficava em Gangnam (sim, da famosa música do Psy), que fica distante de onde a gene mora, o que dificultava ainda mais eu tomar uma iniciativa.

Até que um dia (hoje), acordei, abri a geladeira e não tinha ovos (e eu precisava de ovos apra fazer uma torta salgada para levar para um encontro de brasileiras que eu iria no dia seguinte).

Eu nunca saio de casa durante a semana. Tô sempre trabalhando em frente ao computador. Mas neste dia, olhei lá pra fora e, estimulada pelo céu azul e o sol brilhando em pleno outuno (final de outubro já!), saí para comprar ovos e, como eu tabém precisava comprar frango e leite condensado (que receita é esse, Erica? rs), resolvi fazer uma caminhadinha de 15 minutos até o mercado, em vez de ir na lojinha da Dona Maria aqui do lado  (claro que o nome da Dona não é Maria, mas é assim que chamamos a quitanda, rs).

Não era eu que sempre reclamava do fato de não poder ir andando a lugar nenhum, em nossa suburban life in Melbourne? Aqui eu posso, veja que maravilha! Mais um ponto pra Coréia e mais um item para adicionar àquela listinha de motivos para sorrir 🙂

Anyway, fui caminhado pela rua fria porém ensolarada e quando estava para atravessar e pegar a transversal que me levaria ao mercado, avistei o Toni&Guy. Pensei: Quer saber? Vou entrar. Se eles puderem me atender agora, eu corto, tonalizo e ainda faço um tratamento. Se eles não puderem me atender na hora, será um sinal divino (note que o Mauricio cortou o cabelo ali há um mês e eu não só não gostei do corte, como ele não foi atendido na hora – teve que retornar duas horas mais tarde).

Entrei. Fui saudada com um Hello e atendida de pronto (talvez porque fosse uma segunda de manhã bem cedo).

Agora, posso confessar? Foi tenso!

Como seguro morreu de velho, pedi apenas para cortar as pontas e tonalizar para disfarçar meus companheiros da idade. Imagina se eu ia, logo de cara, partir para um corte ousado e uma cor permanente? Quando ela me perguntou se eu queria layers, meu coração disparou e até alterei a voz “Não, por favor, só trim the ends”.

Sabe quando a pessoa pega no seu cabelo e você tem vontade de sair correndo? Então…

Ela cortou meu cabelo a seco, literalmente, o que já me deu uma gastura. Depois, na hora de aplicar o tonalizante (que aqui eles chamam de hair manicure), a mão era leve demais, não tinha pegada, sabe?

Ela puxava papo, nós conversávamos, mas eu estava com os ombros rígidos de tanta tensão. Do princípio ao fim, não relaxei um segundo. Não parava de pensar: “nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui”.

Pontas aparadas, tonalizante aplicado, tratamento feito, era chegada a hora de secar: “você quer liso ao cacheado?”. Ondulado! E o mais natural possível, por favor.

Começou outro estresse: nunca na vida vi alguém fazer “escova” daquele jeito. Se é que pode-se chamar de escova, rs. Não sei nem relatar direito o que aconteceu. Eu tava tão nervosa que, num determinado momento, quando ela estava dando volume ao meu cabelo (oi??), gentilemnte interrompi, parti meu cabelo ao meio e pensei: “sem topete, por favor”, rs – falei: eu prefiro meu cabelo partido ao meio (com um sorriso tenso).

A aprtir daí, fechei os olhos e deixei a correnteza me levar (ainda pensando: nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui…)

Mas sabe de uma coisa? No final das contas fiquei extremamente surpresa e tenho que dar meu braço a torcer que o resultado foi muito, muito, muito melhor do que eu esperava (talvez porque eu esperasse sair de lá feito o monstro da lagoa negra, rs).

No fim das contas, a cor ficou ótima (tava super tensa, porque disse que queria um marrom quente e ela sugeriu um castanho escuro, mas acabou que ela misturou os dois tons e ficou perfeito). As pontas foram lindamente aparadas, ainda que a seco (palmas pra ela) e o tratamento, apesar de não ser uma reposição de queratina, deu uma melhoradinha no cabelo de boneca velha, rs.

Para não dizer que saí de lá saltitando de alegria, notei que uns fiozinhos ainda estavam reluzentes, mas quer saber? Ainda tava no lucro! Finalmente relaxei e pensei: mês que vem volto aqui 🙂 E quem sabe até mesmo tento uma cor permanente?

Ah, esqueci de comentar que antes de sentar, dei uma negociada básica no preço – ai que vergonha, a estrangeira mão de vaca! Nunca fiz isso na vida! Mas vejam bem, não foi intencional. Quando ela me deu o rpeço total pelos serviços todos, fiquei pensativa, parei, fiquei olhando pro infinito… até que ela me perguntou: “você está pensando porque achou o preço caro?” Eu respondi (quase envergonhada): sim… (mesmo sabendo que Toni&Guy é caro em qualquer lugar do mundo e que o preço ali estava mais barato do que na Austrália). Então, veio a oferta: hoje, posso fazer pra você por tanto (um desconto considerável!). “Okay, deal! Thanks (com um pouco de vergonha)”

E não pára por aí. Quando eu estava indo embora, ela me deu seu cartãozinho e disse, da próxima vez, se você fizer o tratamento novamente, faço pelo mesmo valor. Acho que ela me ganhou né? 😛 #nuncafuipãoduramasagoraeusou

 

Mi casa, su casa

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Chegamos aqui faz mais de 2 meses e a casa ainda não está pronta. Quadros por pendurar (as paredes aqui são de concreto/alvenaria e não temos ferramentas adequadas), cortinas e prateleiras por instalar, pequenas obrinhas por fazer… mas, já dá pra chamar de casa (casa desordenada, mas casa).

Aqui vai uma pequena amostrinha, em ângulo bem fechado, mostrando apenas a parte mostrável 😛

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Paquerei esse sofá por tanto tempo, durante nossos anos de Austrália, que não poderia ter saído de lá sem ele. Deixei o amarelão pra trás e comecei uma nova fase.

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O azulão veio conosco. Este eu não vendo, não troco, não dou. É meu e vai comigo pra onde eu for 🙂

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Tô numa fase mais natural, apostando mais na madeira, no sisal e na folhagem verdinha, mas também sinto falta das cores (o amarelão tá fazendo falta e eu tô doida pra pincelas um móvel ou uma parede numa cor bem vibrante).

O bacana de mudar de casa, de país, de vida, é que a decoração reflete a nova fase. AS coisas mudam de lugar, ganham novos usos. O quadrinho que ficava na parede agora fica sobre a mesinha de centro e virou apoio para copos, por exemplo.

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Adoro os detalhes e acho que são eles que fazem de uma casa a minha casa.

Para cobrir uma parede horrorenda deste apartamento, a solução mais em conta que arrumei foi comprar 3 estantes. Nelas coloquei toda minha tranqueira amada e, para finalizar, troquei os puxadores e ainda pendurei recordações neles.

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Fotos, livros, pequenos objetos, caixas que guardam memórias, tudo aqui é cheio de história, sentimento, significado. Nada é aleatório ou simplesmente decorativo, cada pedacinho reporta um momento, um caso, tra’s uma lembrança. Minha casa é um acumulado de lembranças.

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E assim vou construindo, de pouquinho em pouquinho, a cara da minha casa que, apesar de ainda estar meio de pernas pro ar, já mostra aqui e ali, pedacinhos da nossa família, da nossa história.

No momento o que mais está me incomodando é ter meus quadros todos encostados num canto. Casa minha sem quadros nas paredes não é casa minha.

Assim que conseguir pendurá-los, eu volto para mostrar mais.


Ainda quero visitar o mercado de antiguidades aqui para garimpar uma mesinha lateral e uma console para a entrada 🙂

Rapidíssima

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É assim que a gente estaciona o carro numa cidade densa. Tudo muito “mudernu” e com a cerejinha do bolo: entender como é cobrado na base da mímica. SIm, porque não é um valor flat, tampouco por hora. É um preço para a primeira meia-hora, e adicional de x por cada 10 minutos extra. Jesusamado!

Mas sobrevivemos, rs

Pior que isso, só mesmo fazer comprinhas no caminhãozinho aqui da esquina, onde nada tem preço e eu tenho que acreditar no troco que o moço me dá, porque nem os números em coreano eu sei (shame!!!). Ah, gente, me dá um desânimo danado aprender essa língua, viu? Muito complicado! Pra você ter uma ideia, existem duas formas para falar os números, dependendo de pra quê você está usando. Se você sabe contar de 1 a 10 não quer dizer que saiba dizer que a maça custa 5 dinheiros, porque 5 numeral é diferente de 5 dinheiro. Eu que já sou uma negação com idiomas, nem comecei a tentar e tô quase jogando a toalha, rs

Mas vamo que vamo, porque a gente não fala nada, entende menos ainda, mas morre de rir quando tenta se comunicar, rs

Visita ao Namsan Park (e o drama do terceirinho)

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Sábado passado fomos, finalmente (e muito por acaso), conhecer o Namsan Park, onde fica a famosa Namsan Tower, à qual não fomos. Também não pegamos o cable car, tampouco visitamos as atrações no local.

“Mas então, Erica, o que vocês foram fazer lá?”, você me pergunta.

Subir escadas! Foi isso o que fomos fazer lá, hahaha.

na verdade, saímos de casa em busca de um tal parque que o Nickito visitou durante a semana com a turminha do colégio, onde viu muitas árores coloridas e um parquinho de animais de madeira. Eu, na minha inocência, achei que o marido tivesse se informado com o Mr. google, antes de sair de casa, mas não. Entonces, saímos meio sem rumo e, após muitas voltas, acabamos chegando lá (no Namsan Parque que, aparentemente, não era o lugar lindo do qual o Nick tanto falou).

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Anyway, uma vez lá, quando finalmente encontramos a entrada do estacionamento e paramos o carro, a primeira coisa que vimos a nossa frente foi uma escadaria. O que fizemos? Subimos, ué? Para total desespero dos meninos (mais do Vivi que é um reclamãozinho preguiçoso, rs).

Para o alto e avante nós fomos. E haja parturrilha! Especialmente para a Dona Sedentária aqui que nem caminhar tem caminhado. Foi mais ou menos 1.5 Km de degraus e ladeiras (mais degraus do que ladeiras) até o topo do morro, ao som de muita reclamação. Eu ia indo muito bem e até corrida apostei com o Vivi nas escadas (não  me pergunte como, porque não sei), até que num determinado ponto, começou a me der um enjôo, daqueles típicos de pressão baixa, sabe? Tive que fazer uma paradinha pra respirar fundo, senão ia “chamar o Raul” ali mesmo.

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Após subirmos escadas infinitas, passear lá por cima e apreciar a vista do mar de prédios lá embaixo, o café da manhã já havia sido completamente digerido, então  resolvemos almoçar por lá mesmo, no “melhor hamburger de Seoul”. E sabe o que comemos? Cachorro quente :O| Ah, gente, o hamburger ainda estava sendo preparado, ia demora mais de 30 minutos, a pessoa com a pressão baixa não ia aguentar. E lá fomos nós para o fundo do poço do junk food, onde o junk é mais junk (aliás, nosso fim de semana foi uma beleza em matéria de alimentação #sóquenão).

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E aí, durante nosso riquíssimo almoço, enquanto enterrávamos as caretas em hotdog gigantes acompanhados de baldes de batata frita (náusea),  apreceu um bebezinho dando seus primeiros passinhos, acompanhado de seu vovó. Nickito parou para olhar e comentou: “olha que bonitinho, mamãe”. De fato, era uma fofura, aquele coreaninho com seus passinhos ainda bambos.

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Não demorou muito e apareceu um outro bebê, mais uma vez, notado pelo Nick que logo apontou: “olha, mamão! Outro bebê fofo!” e após uma pequena pausa, “a gente pode ter um bebê? Quero muito um bebê. Pliiiiissssss???” Imediatamente, o Vivi se interessou pelo assunto e entrou na conversa “sim, sim, sim, por favor, vamos ter o terceirinho??? Eu quero muito mais um irmão! Eu prometo que ajudo, que troco fralda, que cuido dele…”” E, para minha total surpresa, o marido, que sempre corta o asunto pela raíz, mandou um “tá bom”, ou algo que o valha. Eu quase engasguei, o Vivi ficou tão feliz que quase chorou. Só não chorou porque não teve tempo, já que maridinho emendou: “mas Nick, se tivermos um bebê, você não será mais o little guy, você não será mais o menorzinho” (golpe baixo, Mauricio, golpe baixíssimo! rs). Ele parou, pensou por meio minuto e enquanto ainda estávamos discutindo, disse: “não quero mais um bebê. A gente pode falar sobre outra coisa?”

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Assim como trouxe o assunto à tona, o jogou, como uma âncora nas profundezas do mar. Desistiu. Assim como quem desiste de comprar uma maçã.

O problema é que o pobre Vivi continuou tentando convencer o papai e fez todo o percurso de volta inconsolável (eu também estava inconsolável).

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Ai gente, difícil, viu… Essa é uma decisão difícil, especialemnte pra gente que além de viver longe da famíla, não tem raízes fixas a lugar nenhum. Sem falar que the clock is ticking, mais um mês e meio e eu completo 39 (jesusamado!), já não sou mais uma mocinha. E para piorar, nem a saúde de outrora eu tenho, então por mais que eu queira muito (muito mesmo) outro rebenitnho, a razão me chama para a realidade: se no primeira ano de vida do Nickito já virei um zumbi, porque o bichinho acordava de meia em meia hora a noite toda e não dormia durante o dia, hoje, se eu passasse por isso, ia parar no hospital com certeza 😦 Infelizmente vivo exausta por conta de um stresse que me acompanha e ativa minha auto-imune. Como lidar com isso tendo mais um bebê?

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Não tem mais jeito, tá feito. Quem aproveitou os bebês, aproveitou. A fábrica fechou mesmo 😦 Se ao menos o marido fosse menos racional… se ao menos gostasse tanto de bebezinhos quanto eu… ou se ao menos ganhássemos na loteria (que a gente nunca jogou) e pudéssemos ter um apoio na fase mais difícil. Ou se ao menos eu pudesse dar um mergulho na fonte da juventude e sair de lá com 5 aninhos a menos. Mas como nada disso é possível, encerramos nosso passeio com um Vivisauro triste e um Nickito aliviado, porque não perderá seu trono, rs.

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Fazer oque né? A verdade é que não se pode ter tudo e sendo assim, “Tommy, the third” ficará para a próxima vida. Snif.

As tristezas de Vivi (e da mamãe do Vivi)

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Pior do que sentir tristeza só mesmo ver um filho seu triste.

Vivi anda tristonho, não o tempo todo, não durante o dia, mas conforme vai chegando a hora de dormir, quando já está deitado na cama pronto para o abraço de boa noite, ele fica pensativo, quer conversar.

Conversamos quase toda noite e ele está sempre com uma certa tristeza na voz, uma tristeza de quem deixou algo muito importante para trás, uma tristeza daquelas que a gente sente quando sabe que não vai, nunca mais, ver alguém muito querido. Uma tristeza chamada saudade.

Ele, mais do que ninguém, está sentindo muita falta da nossa vida australiana, da nossa vidinha local e suburbana, perto da escola, do cinema, do mercado, do parquinho, da praia, dos inúmeros parques, dos amigos, dos play dates, dos vizinhos. Saudades de poder pegar a bicicleta e sair pedalando pela rua sem carros, saudade da liberdade, do domínio completo da língua, de poder falar com as pessoas na rua, no mercado, saudade de ser engraçado em qualquer lugar, saudade da escola, da casa espaçosa e do estilo de vida a que estava acostumado.

“Será que um dia a minha escola aqui será como a Cheltenham Primary?”

“Será que um dia nossa vida aqui será como nossa vida na Austrália?””

“Eu não sei explicar, a vida aqui tá boa, eu tenho amigos, eu gosto da escola, mas eu gostava mais da minha vida lá…”

Estas são apenas algumas das perguntas e declarações que eu ouço quase que diariamente. Dói fundo viu?

Quase toda noite, ele chora um choro que mistura verdade e drama (drama este que nada mais é do que a verdade acentuada) e eu sinto seu choro como uma facada de culpa no meu coração, mas fazer o quê se chega um momento na vida em que precisamos fazer escolhas mais responsáveis, pensando não somente no hoje e no amanhã, mas no futuro mesmo?

Sair da Austrália foi inevitável. Eu não estava preparada, as crianças também não, mas foi preciso. Minha vontade é voltar pra lá, porque é lá onde me sinto em casa, é lá, naquele Brasil que deu certo que vejo o pacote da vida feliz. Só que aquela vida feliz era uma vida do hoje, do amanhã e, infelizmente, chega uma hora em que temos que pensar mais adiante.

Toda noite, antes de dormir, eu peço forças para não apenas me adaptar logo à vida aqui, como para ajudar meus pequenos a superar essa saudade que dói, porque hoje enxergo a verdade e a verdade é que dificilmente voltaremos para a Austrália nos próximos anos.

Por enquanto, eu sigo um dia de cada vez, focando nas coisas positivas, mas o fato de estarmos bem isolados dificulta bastante o processo de auto-convencimento de que fizemos a escolha certa. No fundo, eu sei que fizemos, mas no dia a dia, ainda tá brabo. E o pior é que não tá brabo só pra mim 😦

Aquele momento em que você se dá conta de que seu bebê cresceu

p1070163Sabe o que me parte o coração? “Descobrir”  que meu menino de 9 anos não é mais tão pequeno assim…

Esta foi a primeira vez que meu nem-tão-pequeno não pediu um brinquedo de aniversário 😦 No início pensei: bom, talvez ele não tenha pedido brinquedo porque, assim como seu little brother, viva ganhando presente fora de época e já tenha tudo o que quer. (até um iPad fora de época ele ganhou! O que a culpa não faz…). Mas não, a verdade é que ele realmente não tem mais se interessado por brincar com seus bonecos, nem com lego… e de carrinho nunca gostou. Vivi gosta de jogar basquete, ou jogos de tabuleiro (temos muuuitos). Ele curte ler seus livros, inventar seus cartoons, escrever estórias e também os roteiros dos vídeos que grada, dirige, edita e atua, rs. A fase do “pedir brinquedo” passou… rápido demais.

Este ano ele demorou bastante para decidir o que queria ganhar e quando decidiu, veio o balde d’água fria: quero um Jordan’s Nike Air e um Nike flat cap. Meu queixo caiu, fiquei sem cor nos lábios. Como assim?? Que criança, aos 9 anos, pede um tênis e um boné “de marca” de presente de aniversário?? Me faz imaginar o que ele pedirá de Natal, para o Papai Noel (em quem, sim, ele ainda acredita. Mas isso é outra história).

Por mais que eu tente me enganar, fechar os olhos e fingir que eles ainda são meus bebês, o fato é que o menorzinho já perdeu 4 dentes de leite, está com 6 aninhos e apesar de, talvez influenciado por mim, não querer crescer, já é um big boy (!) e o maiorzinho, ah, esse então, já tem até suvaquinho fedorento nos dias de muito calor e umidade, está com as pernas peludinhas e está calçando junto comigo. Socorrooooooo!!!

Mas é isso aí, tá na hora de aceitar e parar de sofrer. Eles estão crescendo, sim, e pelo visto, desse mato não sai mais coelhinho, afinal de contas, o tempo passa pra mamãe aqui também, que já não é mais uma mocinha, rs

Anyways, em breve, começará uma nova fase e algo me diz que eu sentirei muita falta do barulho, da correria e das confusões nossas (deles) de cada dia.

Assinado: mãe-saudosa-carente-desesperada-e-dramática 😛