Minha primeira vez num salão na Coréia

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Não sem sem motivos que dizem que a primeira vez a gente nunca esquece.

Hoje fui, pela primeira vez, a um salão aqui na Coréia. Quase 3 meses depois de chegar aqui, com a raíz quase nas pontas e as madeixas, como diz uma amiga, parecendo cabelo de boneca velha.

Mas porque esperei tanto? Medo! Medo dos incontáveis depoimentos que li em diversos blogs de expatriados sobre o mal jeito com cabelos não asiáticos (aliás, que raiva desses cabelos asiáticos que são pura queratina, viu, rs. Vai ter cabelo saudável assim aqui na Coréia!).

Anyway, as histórias eram escabrosas e meu medo só aumentava a cada post que eu lia. O salão mais bem recomendado ficava em Gangnam (sim, da famosa música do Psy), que fica distante de onde a gene mora, o que dificultava ainda mais eu tomar uma iniciativa.

Até que um dia (hoje), acordei, abri a geladeira e não tinha ovos (e eu precisava de ovos apra fazer uma torta salgada para levar para um encontro de brasileiras que eu iria no dia seguinte).

Eu nunca saio de casa durante a semana. Tô sempre trabalhando em frente ao computador. Mas neste dia, olhei lá pra fora e, estimulada pelo céu azul e o sol brilhando em pleno outuno (final de outubro já!), saí para comprar ovos e, como eu tabém precisava comprar frango e leite condensado (que receita é esse, Erica? rs), resolvi fazer uma caminhadinha de 15 minutos até o mercado, em vez de ir na lojinha da Dona Maria aqui do lado  (claro que o nome da Dona não é Maria, mas é assim que chamamos a quitanda, rs).

Não era eu que sempre reclamava do fato de não poder ir andando a lugar nenhum, em nossa suburban life in Melbourne? Aqui eu posso, veja que maravilha! Mais um ponto pra Coréia e mais um item para adicionar àquela listinha de motivos para sorrir 🙂

Anyway, fui caminhado pela rua fria porém ensolarada e quando estava para atravessar e pegar a transversal que me levaria ao mercado, avistei o Toni&Guy. Pensei: Quer saber? Vou entrar. Se eles puderem me atender agora, eu corto, tonalizo e ainda faço um tratamento. Se eles não puderem me atender na hora, será um sinal divino (note que o Mauricio cortou o cabelo ali há um mês e eu não só não gostei do corte, como ele não foi atendido na hora – teve que retornar duas horas mais tarde).

Entrei. Fui saudada com um Hello e atendida de pronto (talvez porque fosse uma segunda de manhã bem cedo).

Agora, posso confessar? Foi tenso!

Como seguro morreu de velho, pedi apenas para cortar as pontas e tonalizar para disfarçar meus companheiros da idade. Imagina se eu ia, logo de cara, partir para um corte ousado e uma cor permanente? Quando ela me perguntou se eu queria layers, meu coração disparou e até alterei a voz “Não, por favor, só trim the ends”.

Sabe quando a pessoa pega no seu cabelo e você tem vontade de sair correndo? Então…

Ela cortou meu cabelo a seco, literalmente, o que já me deu uma gastura. Depois, na hora de aplicar o tonalizante (que aqui eles chamam de hair manicure), a mão era leve demais, não tinha pegada, sabe?

Ela puxava papo, nós conversávamos, mas eu estava com os ombros rígidos de tanta tensão. Do princípio ao fim, não relaxei um segundo. Não parava de pensar: “nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui”.

Pontas aparadas, tonalizante aplicado, tratamento feito, era chegada a hora de secar: “você quer liso ao cacheado?”. Ondulado! E o mais natural possível, por favor.

Começou outro estresse: nunca na vida vi alguém fazer “escova” daquele jeito. Se é que pode-se chamar de escova, rs. Não sei nem relatar direito o que aconteceu. Eu tava tão nervosa que, num determinado momento, quando ela estava dando volume ao meu cabelo (oi??), gentilemnte interrompi, parti meu cabelo ao meio e pensei: “sem topete, por favor”, rs – falei: eu prefiro meu cabelo partido ao meio (com um sorriso tenso).

A aprtir daí, fechei os olhos e deixei a correnteza me levar (ainda pensando: nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui…)

Mas sabe de uma coisa? No final das contas fiquei extremamente surpresa e tenho que dar meu braço a torcer que o resultado foi muito, muito, muito melhor do que eu esperava (talvez porque eu esperasse sair de lá feito o monstro da lagoa negra, rs).

No fim das contas, a cor ficou ótima (tava super tensa, porque disse que queria um marrom quente e ela sugeriu um castanho escuro, mas acabou que ela misturou os dois tons e ficou perfeito). As pontas foram lindamente aparadas, ainda que a seco (palmas pra ela) e o tratamento, apesar de não ser uma reposição de queratina, deu uma melhoradinha no cabelo de boneca velha, rs.

Para não dizer que saí de lá saltitando de alegria, notei que uns fiozinhos ainda estavam reluzentes, mas quer saber? Ainda tava no lucro! Finalmente relaxei e pensei: mês que vem volto aqui 🙂 E quem sabe até mesmo tento uma cor permanente?

Ah, esqueci de comentar que antes de sentar, dei uma negociada básica no preço – ai que vergonha, a estrangeira mão de vaca! Nunca fiz isso na vida! Mas vejam bem, não foi intencional. Quando ela me deu o rpeço total pelos serviços todos, fiquei pensativa, parei, fiquei olhando pro infinito… até que ela me perguntou: “você está pensando porque achou o preço caro?” Eu respondi (quase envergonhada): sim… (mesmo sabendo que Toni&Guy é caro em qualquer lugar do mundo e que o preço ali estava mais barato do que na Austrália). Então, veio a oferta: hoje, posso fazer pra você por tanto (um desconto considerável!). “Okay, deal! Thanks (com um pouco de vergonha)”

E não pára por aí. Quando eu estava indo embora, ela me deu seu cartãozinho e disse, da próxima vez, se você fizer o tratamento novamente, faço pelo mesmo valor. Acho que ela me ganhou né? 😛 #nuncafuipãoduramasagoraeusou

 

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