Lembra que contei que compramos um carro?

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Pois é.

As bruxas devem realmente estar soltas e sobrevoando, junto com um bando de urubus, o nosso telhado. Uma semana com o carro novo, o usamos apenas duas vezes, uma no sábado (para levar os meninos ao Lotte World Adventure, e outra no domingo para sairmos para almoçar.

Pois bem, eis  quase uma semana após o feito, 4 dias após termos dirigido pela última vez, o carro não ligou. Simples assim. Não só não ligou, como ficou fazendo uns clicks, como se estivesse tentando, sem sucesso, travar as portas. Além disso, as luzes to teto piscavam freneticamente, o rádio parou de funcionar e as portas não obedeciam ao controle. Um luxo. Entre idas e vindas, tentativas que sempre culminavam em erro, era quase meia-noite quando chamamos o seguro (e vocês não tem a ideia da mão de obra que é chamar o seguro, quando não se fala a língua). Graças ao bom Deus, vieram super rápido e deram um gás na bateria – aparentemente a tal da black box estava sugando a energia (eu, a pobre, nunca havia ouvido falar em black box em carro, pra mim, black box é coisa que tem em avião e só, rsrsr).

Anyway, o carro voltou à vida. Fomos dormir.

Hoje pela manhã, entretanto, quando o marido estava de saída pro trabalho e resolveu que ia de carro, veio a surpresa: o carro não ligava novamente! Desta vez, pelo menos, o resto todo funcionava, só o carro que não dava partida. Sabe, nessas horas eu penso, se eu tivesse um fusca 77 e ele não quisesse ligar, era só empurrar que ele pegaria no tranco, rs (já falei que sou pobre, né? rs). Agora vem esses carros keyless, que você aperta o botãozinho pra ligar, eliminam as opções mecânicar tão úteis e nos deixam completamente na mão. Sério, ontem à noite, no desespero, procurando explicações pro ocorrido na internet, li depoimentos sofríveis, dentre eles um cara contando que quando precisa comprar alguma coisa no mercado, deixa o carro ligado e corre lá. Isso mesmo, LI GA DO. Santa tecnologia!

O que fazer? Liga pro seguro novamente (aquele processo super simples e rápido). Vieram e com isso, em menos de uma semana de carro novo, usamos duas das 6 visitas anuais a que temos direito. Super, né?

No momento, o importante é que  o carro ligou. Ligou e foi conduzido até a concecionária (o marido acompanhado de seu asistente coreano, claro, porque sem ele não existe comunicação), onde teve a bateria trocada por uma nova e passou por um teste geral para ver se estava realmente tudo ok.

Aparentemente, ontem à noite, quando o seguro deu uma carga na bateria e trouxe o carro de volta à vida, deveríamos ter deixado o bonito ligado por uma hora. Isso mesmo, LI GA DO. Só que ninguém nos falou isso e, claro, não pensamos nisso.

O fato é que agora estamos com uma bateria zero bala, mas nem por isso nos livramos da sombra do carro que não liga. E, pior, o fim de semana prolongado está na porta  – aliás, vai ter feriado assim lá no Brasil! rs Escreveu, não leu, tem um feriado escolar ou nacional. ê Coréia! rs

Bom, aguardemos as cenas do próximo capítulo. Espero que não tenha desaventuras para contar durante este final de semana 😉

No fim de semana…

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Finalmente, me livrei da parede horrorenda da cozinha. Na semana em que entramos no apartamento, encomendei uns rolos de um painel de tijolinhos (de espuma). Não sou fã desses revestimentos fake, mas era isso ou ter que conviver com aquele misto de revestimentos horrorosos por pelo menos 2 anos, porque a condição que nos deram para trocar o revestimento de maneira decente foi: quando for embora, tem que voltar com a belezinha atual, ou seja, o valor do serviço dobrou. Então, fui de tijolinho fake mesmo. Não tá lindo, mas tá beeeem melhor do que antes.

Na sequência, tivemos uma tentativa frustrada de ir à Ikea devolver umas coisa. Tanto trânsito que desistimos no meio do caminho e tomamos o rumo do Lotte World Adventure Park, um parque de diversão indoors que é um dos orgulhos dos coreanos. Li várias review maravilhosas de estraneiros de toda parte, mas quando chegamos lá, fuén fuén fuén… Bem marromeno, viu? Tipo, legalzinho e com filas quilométricas. Loucura loucura! Engarrafamento na Coréia não é apenas de carros na rua, há também o engarrafamento de pessoas em parques de diversão, rs.

E pra não dizerem que sou chata, os meninos também acharam marromeno.

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Os pontos altos da tarde/noite aconteceram na saída do parque, quando 1-pela primeira vez, comprei um algodão doce pros meninos (sim, um pros dois – quer dizer, um pra três, porque eu “ajudei”. Ah, gente, tem gosto de infância! rs); 2- os levamos, pela primeira vez, numa loja de lollies (gente, entendam, estávamos celebrando o aniversário do Nick e como ele, num trabalhinho da escola, escreveu que loves lollies – apesar de eu NUNCA comprar lollies – resolvi dar essa alegria pra ele); 3- quando fomos (eles foram), pela primeira vez na vida, patinar (tentar) no gelo. Ou seja, entre mortos e feridos, salvaram-se todos e o dia acabou sendo bem divertido, apesr das frustrações iniciais 🙂

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Depois, para encerrar com chave de ouro, além de pegarmos um mega trânsito às mais de 11 da noite (gente, de onde sai tanto carro, peloamor?? A cidade não apenas não dorme, como aparentemente dirige dia e noite sem parar, aff!) nos perdemos, sem GPS nem bateria nos celulares. Super divertido #sóquenão. Foi uma aventura. SInceramente, teve um momento em que eu achei que fôssemos parar o carro e dormir ali mesmo. Não fazíamos a menor ideia de onde estávamos, no clue, zero. Até que, enrta aqui, sai ali, vira acolá e, no cheiro, chegamos a algum lugar. As placas até indicam os nomes dos bairros também usando alfabeto ocidental (algumas), mas quando se está longe de casa, não adianta mostrar os nomes dos bairro, simplesmente porque a gente ainda não conhece absolutamente nada aqui. Muito menos quando se está dirigindo em freeways. Mas, por fim, estresse à parte, chegamos sãos e salvos (e mortos com farofa) em casa.

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No domingo, pegamos leve, acordamos tarde e saímos apenas para almoçar. Onde? No brasileiro, né? Agora é assim, piscou e a gente tá lá 🙂 Carne de primeira, churrasco de qualidade e precinho justo. O único problema é que a gente come mais do que deve. Vivi então, nossa! Uma máquina de comer churrasco, rs

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A parte mais complicada foi parar o carro, acabamos indo parar no Hyundai Department Store (ainda não consigo me ver parando num daqueles estacionamentos tipo elevador, muito populares por aqui) e para não morrer numa grana, resolvemos matar dois coelhos com uma cajadada só (ditado violento este, não?) e comprar casacos de inverno pros meninos, assim, apresentando o recibo, nos livramos da dolorosa do estacionamento. Não que os casacos tenham custado barato, mas pelo menos é um bem de consumo durável – especialmente porque o marido fez questão de comprar um número maior que os meninos, rsrsrs.

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Vejamos onde mais o tuktuk (acabei de batizá-lo, rs) irá nos levar. O final de semana que vem será prolongado por conta de um feriado nacional na segunda-feira, taí nossa chance de, finalmente, turistar um pouquinho por aqui.


Não lembro se contei, mas noutro dia, fomos num indiano aqui em Sinchon que além de ser uma delícia (arrisco dizer que melhor do que os que frequentávamos em Melbourne) era super barato e com pratos muito bem servidos. Pra deixar ainda melhor tinha uma variedad de Lassi, aquela bebida indiana feita com iogurte, especiarias, água e frutas. Yum!

Compramos um carro

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Após muito pensar, muito ponderar, finalmente, após quase 2 meses aqui, compramos um carro.

Quando ainda estávamos na Austrália, nossa ideia era chegar aqui e comprar 2 carros, para facilitar a vida, mas logo nos primeiros dias, decidi que não queria dirigir aqui de jeito nenhum (muito trânsito e muito barbeiro) e comecei a plantar a sementinha da vida sem carro na cabeça do marido. Naquele tempo era fácil, estávamos num airbnb super perto de tudo. Quando mudamos pra nossa casa de verdade foi que a ficha começou a cair e a dificuldade de fazer as pequenas coisas do dia a dia aliada ao martírio que é andar de taxi aqui, nos fez sentir que seria fundamental ter pelo menos um carro, um carrinho, nem que fosse bem pequeno.

Gente, vocês não têm noção de como os taxistas dirigem mal! São muito pé no freio. Só de saber que tenho que pegar um taxi já me dá dor de cabeça e enjôo. Já pegamos incontáveis taxis e a experiência é sempre ruim, mas a de hoje, a caminho da concessionária, foi a pior de todas, quase vomitei. E ó, não pensem que é frescura minha não, porque o marido relcama mais do que eu!

Mas vamos à novela.

Até ontem, achávamos que iríamos comprar um Sportage, primeiro porque é uma marca coreana confiável; segundo porque já tivemos um e adorávamos; terceiro porque a gente não conhece carro e nem liga pro assunto, rs (eu só não curto sedan, implicância pura). Porém, como não sabemos quanto tempo ficaremos aqui, comecei a ficar grilada de investir num carro e depois levar prejuízo. Já passamos por isso quando nos mudamos dos EUA pra Austrália e não queria passar pela mesma situação novamente. Tendo isso em mente, comecei a considerar um Morning, também da Kia (praticamente um Ka, fofo, porém bem apertadinho), mas desistimos assim que abrimos a porta dele. Latinha de sardinha, mal cabia as pernas do marido e, no banco de trás, mal sobrava espaço para as pernas dos meninos. Não rolou.

Partimos então para um nível acima, um Avante (Hyundai) que o marido até curtiu, mas eu impliquei, então como já iríamos gastar mais mesmo, resolvemos aumentar o budget um pouquinho mais e voltar pro nível Sportage. No fim das contas, fomos a duas concessionárias e após avaliar prós e contras, nos decidimos por um Tucson.

Contando assim, parece até que foi fácil, né? Mas foi um parto doloroso e que só foi possível, porque tínhamos conosco o assistente do marido que usamos como tradutor.

O parto foi tão difícil que teve até uma greve de banco no meio, hoje, exatamente hoje e só hoje, porque cê sabe, né? Lei de Murphy taí pra isso, pra atrapalhar mesmo, rs.

O que era pra ter sido uma transaçõa simples e indolor, incluiu, ligações infitas para a seguradora e também para o banco e no fim das contas, maridinho e seu assistente tiveram que ir ao banco mais próximo, pessoalemte, para tentar resolver a questão, porque o pagamento, além de ter que ser à vista, tinha que ser via transferência bancária e, por causa do valor, não dava pra ser via aplicativo – coisas de Coréia…

Nós saímos de casa às 9 da manhã e, às quase 3 da tarde, eu peguei um taxi para voltar correndo, porque o ônibus escolar passaria às 4 pra deixar o meninos. O marido ainda ficou lá por mais de uma hora para tentar finalizar o processo, chegando em casa às quase 6 da tarde, dá pra acreditar?

Eu, acostumada que sou com a vida fácil da Austrália, tô achando tudo complicado demais aqui, e não é apenas em função da barreira da língua, pode crêr.

Mas o importante é que no fim das contas, aos trancos e barrancos, compramos um carro e agora estamos motorizados e podemos dar adeus ao perrengue na hora de fazer compras e dar oi à temporada de passeios – bora aproveitar o outono, porque daqui a poucoo inverno tá aí e a boa será cutir um apê (para alegria das crianças que são caseriríssimas!).

Os meninos ficaram eufóricos quando viram o carro que, muito embora não atendesse a todas as exigências deles, diante do bode na sala de não ter nenhum carro, foi recebido como rei 🙂

Começamos agora uma nova fase da nossa vida coreana. Aguardem os próximos capítulos 😉

 

Nickito fez 6 aninhos! (e nós estamos ponderando nossas escolhas ao mesmo tempo em que colhemos os frutos delas)

Ah, Nickito, mesmo sem querer, você está crescendo rápido demais.

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Hoje é aniversário dele: meu menorzinho, meu coalinha, eterno bebezuco que fica triste porque está crescendo: “eu quero ser pequeno novamente”. Ele diz que, já que tem que crescer, ele quer ser chef, cantor, professor e arquiteto 🙂 É super aplicado em tudo o que faz. Teimoso pra chuchú, é totalmente guiado pelas emoções e dá um trabalho que eu nunca imaginei que pudesse ter, mas seus momentos de carinho e fofura são tão intensos quanto os de fúria :). Um verdadeiro turbilhão de emoções que a gente ama daqui até o infinito. Parabéns pelos seus 6 aninhos, meu chuchuzinho! E vamos celebrar!


Ontem fui dormir super tarde, fazendo o bolo (a correria foi tamanha que acabei nem tirando foto) para levar pro parabéns no colégio, enchendo balões para espalhar pelo chão do quarto e montando a faixa de Happy Birthday que coloquei na parede acima da caminha do pequeno enquanto ele dormia. Deixei engatilhado também o muffin com vela e o chapeuzinho, para a surpresa da manhã seguinte.

Exausta, fui dormir já era bem tarde e apesar de exausta, pulei da cama, assim que o despertador apitou para preparar o café da manhã, as lancheiras e acordar o pessoal (marido e Vivi) para a surpresa do Nick.

Entramos no quarto os três, cantando parabéns 🙂 e Nickito que sempre acorda mal humorado, acordou mais felizinho (e surpreso) com o evento inesperado – não é todo dia que a mamãe libera um muffin fácil assim, muito menos logo cedo.

Despachamos os meninos no ônibus escolar e umas horas depois, nós é que partimos para o colégio – aquela viagenzinha de taxi deliciosa #sóquenão. Tudo para levar bolo, sucos e lolibags para um micro parabéns – claro que tive que preparar lembrancinhas para cada coleguinha da turma, mesmo ele jurando de pés juntos que não tem amigos e que não gosta de ninguém – mas isso é uma outra história, para um outro post. O fato é que lá fomos nós para nosso programa de índio – peraí, índio, não, porque índio não cai nessa. Programa de pai e mãe, mesmo.

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Foram 25 minutos, mas deveriam ter sido 15 (regras da escola). Agora me diz, como, como, coooommooo cantar parabéns, cortar e distribuir bolo e suco para uma turma de 15 crianças em 15 minutos? Comooooo? Simplesmente não dá.

Quando chegamos, as crianças ficaram em êxtase, pulavam, gritavam, celebravam. A professora, no melhor estilo sargento, colocou ordem na casa rapidamente e mandou todo mundo lavar as mãos para comer.

Foi tudo muito rápido, muito corrido, muito sem sentido, nem fotos pude tirar. Deixei por conta do marido, mas sabe como é né, rs. Poxa, sinceramente, fiquei bem frustrada. Se é pra ser assim, melhor não dizer que pode levar bolo pro parabéns. Mas foi, né? Fizemos nossa parte e, na hora, Nickito pareceu bem satisfeito e isso vale um monte.

As crianças tiveram que comer super rápido, porque a aula de música já ia começar em outra sala e a outra professora já estava esperando (loucura, loucura!), ou seja, nós rapidamente catamos tudo e pegamos o caminho da roça. Viagem longa de volta.

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Para encerrar o dia, fomos jantar no “reustarante” preferido do Nickito (no momento), o Rustic Boys, mas acredite você ou não, na volta pra casa, nosso pequeno encrenqueiro desandou a reclamar, dizendo que o dia não foi tão bom, que ele gostou só um pouquinho. E por quê? Porque não foi perfeito, como talvez ele tenha idealizado. Eu, frustrada e triste (porque, como sempre me esmerei, dentro das possibilidades oferecidas), perguntei porque ele estava tão insatisfeito, tão triste, mas ele não soube responder e iniciou a sessão ataque de pelanca (que já virou rotina aqui).

Difícil, viu?

Não bastasse eu estar arrasada porque não conseguirei fazer uma festinha pra eles, pela primeira vez na vida, porque simplesmente ainda não conhecemos nada nem ninguém, o pouco que eu consigo tirar da cartola não foi apreciado, porque pra ele, se não for perfeito não serve. É de lascar, viu? Mas fazer o que?

O engraçado é que, este ano, fizemos muito mais coisas no dia do aniversário mesmo, normalmente rola só um bolinho em casa pra nós 4 e that’s it e ele sempre ficou super feliz. Mas talvez, pelo fato de saber que não haverá uma festa cheia de convidados, ele tenha ficado triste. Talvez, seja ainda maior o motivo, talvez a verdadeira razão para essa tristeza e essa agressividade que ele vem mostrando/cultivando, seja toda essa mudança de vida, porque noutro dia, ele nos perguntou: “nossa vida pode ser aqui como era na Austrália? Tô com muita saudade da nossa vida lá…”. E isso me faz lembrar o pobre Vivi, com um aninho de vida, indo dos EUA pra Europa, da Europa pro Brasil, do Brasil pros EUA e dos EUA pra Austrália, num intervalo de poucos meses, o que o deixou insanamente estressado e na época, porque nós também estávamos estressados, cegos, não entendíamos o porquê dos ataques dele 😦

É… hoje a história se repete, desta vez com o Nickito, aos 5/6 anos de idade, com a diferença de que os ataques do Nickito são mais agressivos e muito, muito, muito difíceis. Genioso ele sempre foi, mas também sempre foi carinhoso e agradecido e preocupado com o bem estar alheio. Agora, durante seus ataques, ele não se importa com mais ninguém e mais nada, somente  com os próprios sentimentos, a própria vontade, a própria frustração.  Tá, ele “só”tem 6 aninhos, mas é tão difícil lidar com tudo isso – mesmo sabendo que o motivo só pode ser essa mudança radical de vida. Alías, não só isso, porque a história começou no início do ano, quando voltamos do Brasil para a Austrália e ele me pedia todos os dias pra voltar pro Brasil, porque estava com muita saudade da vovó. Foi ali que a massa começou a desandar, foi ali que ele começou a ficar agressivo e desde então os dias têm sido ladeira abaixo.

Anyway, a batalha é longa, mas acredito que podemos vencê-la e ter nosso Nickito de volta, afinal, atrás do rapazinho revoltado se esconde nosso menino carinhoso, gentil e generoso que, vez por outra, ainda dá as caras por aqui e é imensamente aprecisado, rs.

Enfim, conforme prometido, apesar deste ano não ter festa, vamos levá-los ao Lotte World Adventure, o paque de diversão mais pop da Coréia, para uma celebração em família 🙂 Espero que o pequeno curta, que fique feliz. Sinto tanta saudade do meu Nick felizinho. Tanta! 😦


Em tempo: sei que ando reclamona (praticamente um Nick, rs) e que este blog tá funcionando mais como uma válvula de escape do que um livro de recordações, mas acreditem, tá complicado de verdade 😦 Entretanto, quero lançar um desafio para mim mesma: parar de reclamar e tentar, para cada coisa que tá ruim, encontrar duas que estão boas e agradecer. Quem sabe assim, looking on the bright side of life, as cores voltem pra ficar? 🙂 Uma alternativa a isso é fazer as malas e voltar pra Austrália, rsrsrs – just kiding… or not 😛

balanço do feriadão

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Gente, jamais imaginei que passaria um feriadão como este que tivemos em casa. Sim, totalmente em casa. Não fizemos absolutamente nada de diferente. Nadica de nada. Continuamos sem conhecer um nada em Seoul. Nadica de nada.

Eu, que sou a única em casa que tem bicho de corpo inteiro para passear, ando um caco de tão cansada. O marido, que já não é lá muito empolgado para passeios, menos animado fica sem ter carro (não, ainda não temos carro). Os meninos, que acordam cedo todo santo dia e enfrentam uma hora no ônibus escolar para ir e outra para voltar, só queriam saber que ficar em casa. Até pra dar uma voltinha aqui perto, só para esticar as pernas, reclamavam. Logo, sendo a minoria absoluta, em casa ficamos. Superbacana #sóquenão.

Pra não dizer que não fomos a lugar algum, hoje atravessamos o morro para ir na Daiso de Sinchon (nooossaaaa, que programão! De índio.)

A Daiso é uma loja curinga que cobre várias frentes. Tem coisas de cozinha, decoração, jardim, festa, papelaria, lavanderia, petiscos… Tipo uma Dollar Tree nos EUA, ou um china maiorzinho na Austrália (no Brasil, não sei o que seria o equivalente).

Enfim, fomos lá para tentar encontrar baking cups durinhos de papel, para eu assar os cupcakes do parabéns do Nick no colégio agora dia 22. Infelizmente não encontrei nada senão as formigas de papel clássicas (aquelas basiconas, sanfonadinhas), o que me fez, mais uma vez, morrer de saudade da Austrália. Tudo tão fácil por lá 😦

Pro outro lado, fiquei nas nuvens quando entrei na seção de louças! Gente, estávamos procurando louças nos lugares errados este tempo todo! Na Daiso encontramos pratos de tamanho normal e super simpáticos por meros 5 dólares cada! Sem falar das outras coisinhas fofas e também muito baratinhas. Isso me faz ter a esperança de que em breve descobrirei que viver aqui não é tão difícil assim 🙂

Não comprei nada além do que me propus a comprar quando saí de casa, mantive o foco nas lollibags e nos cupcakes o tempo todo (tão orgulhosa de mim! rs), mas certamente voltarei para arrematar umas coisinhas que, muito provavelmente, não serão pratos do tamanho padrão, porque eles simplesmente não cabem na lava-louça! O que faz muito sentido, já que aqui seja em casa, seja em qualquer restaurante, só se come em potinhos ou pratinhos de sobremesa. Cultura é isso aí. Por mais que eu não me imagine por exemplo, comprando uma porção de lulas grelhadas para comer no cinema, já me rendi aos micro pratos de jantar. E assim vamos, dentro do possível, nos adaptando à cultura local.

Ah! No sábado, maridinho foi ao Costco e fez a festa! Comprou queijo, presunto e salame como se o amanhã não existisse. Detergente de lavar louça, roupa, amaciante, um pacote gigante de rolos de papel higiênico, filtro, até microondas veio no pacote. Comprou até pêssego em calda, sei lá pra quê! Até parece que a gente come isso… Só uso (usava) pêssego em calda no Natal, para fazer pavê de pêssego. Pra não dizer que só comprou besteira/industrializado, comprou um balde de arroz integral, outro de feijão preto e outro de chia. Ah! Comprou também um pacote de limão e uma caixa de uvas. De resto, só coisas que eu já havia limado das compras lá no início do ano quando dei início a nossa reeducação alimentar.

Aliás, falando em reeducação alimentar, socorro, né? Como eu faço para sustentar meus hábitos alimentares nessa terra onde doces e frituras estão em foco? Aliás (2), santa genética desses coreanos, viu? Se entopem de doce e fritura e são magrinhos. Vai entender!

Aqui em casa, tirando o Vivi que tá ficando bem parrudo, estamos todos puro osso, não sei se por causa da comida (ainda não me acertei com ela), ou se é o estresse mesmo.

Mas vamo que vamo.

Amanhã é dia de escola e como acabamos de publicar a edição de primeiro aniversário da Oca, vou tirar a semana para descansar tentar colocar a casa em ordem, porque o Nickito noutro dia, muito sério, me perguntou: “mamãe, a gente vai viver nessa casa assim mesmo?”

eu: assim como, filho?

ele: ah, bagunçada, com quadros no chão, coisas pra colocar no lugar… meu quarto não tem lugar pra nada, não tem muita coisa na cozinha…

eu (após um longo suspiro): pode deixar, filho, mamãe vai cuidar disso esta semana…

Nem eu acreditei na minha promessa.

Mas vou tentar, pelo menos, começar a colocar a casa em ordem. Que os santos protetores da Torre de Babel me auxiliem nessa empreitada, amém!

 

Os últimos acontecimentos na minha vida coreana

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Apareceu a Margarida olê olê olá!

Dei uma sumida básica, mas voltei.

Sumi porque ando às voltas com os preparativos para a edição de primeiro aniversário da Oca. Tão às voltas, que até a arrumação da casa está em suspenso. Tão busy que ainda não fizemos nenhum passeio de verdade desde que chegamos aqui. Isso mesmo, de maneira inédita, estamos em terras coreanas há mais de um mês e não conhecemos um ponto turístico, uma atração, um nada. Tão não eu, não é mesmo?

Mas aqui estou. Voltei. Voltei para registrar as últimas, para deixar aqui pelo menos os highlights das últimas semanas. Então vamos lá:

Esta semana é feriado aqui na Coréia (Chuseok). Quer dizer, acho que o feriado mesmo é de quarta à sexta, mas no colégio eles resolveram enforcar a semana toda, ou seja, estaremos com as crianças em casa full time até o próximo domingo. Boa sorte pra quem tem uma Oca pra terminar 😛

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Ainda na sexta, fizemos uma pequena viagem até o outro lado da cidade para ir à Toys R Us comprar o presente de aniversário de um amiguinho do Vivi. Sim, fomos all the way só para comprar um presente de aniversário e gente, sério, Seoul é gigante! Ir de um canto a outro, mesmo de metrô, leva uma vida inteira. Aí você me pergunta: mas não podia ter comprado o presente numa loja aí perto de você? Até poderia, se eu soubesse onde procurar, rs. Por enquanto, estamos naquela fase de caminhos lusitanos, sabe? Então…

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Fizemos nossa viagem em pé no metrô, compramos o presente e terminamos a noite jantando no… no… no… Fridays! Quem diria que a Eriquinha iria jantar no Fridays e lamber os beiços, heim? Viver na Coréia muda a perspectiva de tudo na vida, rs. Aquela Erica que só gostava de restaurantes étnicos, agora fica felizona quando vê um americano, italiano, australiano… Brasileiro então nem se fala! rs

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Mas a cerejinha da noite foi a volta pra casa, com um taxista figura que se encantou com o Nick. Olhando pelo retrovisor, viu os olhões do pequeno e já abriu um sorriso perguntando, animado, o seu nome, ao que o pequeno respondeu: Nicolas. E o amigo taxista repetiu “Nicolácio!” daquele momento até em casa, repetiu Nicolácio umas 10 vezes, pelo menos! rs Deu bala pra crianças, tentou conversar com a gente (mesmo sem falar inglês), uma figura, rs.

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No sábado pela manhã, o vizinho de baixo bateu à porta para convidar o marido para ir às compras. Já não é de hoje que estão nos convidando para ir ao Costco, the place to buy, e até agora não fomos conferir a mina de ouro. Marido teve que recusar o convite tentador, porque a programação do dia girava em torno da tal da festinha de aniversário que, vou te contar, nos rendeu dois dias de programa de índio, rs. O detalhe foi que o vizinho nos alertou: “you better stock up because during the holidays the stores don’t open.” O pessoal aqui é meio desesperado, viu…

E lá fomos nós pegar uma taxi para Hannam-dong (bairro onde fica o colégio dos meninos). Gente, que viagem! Em pleno sábado de manhã, pegamos um mega trânsito e levamos quase uma hora num percurso que, sem trânsito (ou seja, de madrugada, rs), leva 25min. Pobres meninos que fazem esse percurso todo santo dia, para ir e para voltar do colégio.

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Deixamos o Vivi na escola e fomos almoçar. Adivinha onde? Num restaurante americano! Não, nem eu me reconheço mais. Terminado o almoço já era hora de buscá-lo. Aniversários aqui são como na Austrália, 2 horinhas e pronto.

Encerramos o dia com uma ida frustrada ao cinema. Frustrada porque não vimos filme algum. Aparentemente a internet mentiu pra gente e o filme que dizia estar passando não estava disponível. Fuén fuén fuén. O feriadão promete! rsrsr

Domingão é dia de quê? Mercado – na tentativa de finalmente conseguir fazer compras decentes que durem mais de 3 dias.

Ainda não foi desta vez.

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Novamente, gastamos mais de 300 dólares e de muito pouco adiantou.

Gente, é sério, só de entrar no mercado fico com enxaqueca, estressada, com vontade de sair correndo e gritando. Este mercado perto de casa (uns 2Km) tem algumas vantagens: 1. oferece alguns items internacionais; 2. entrega em casa (!!!), o que pra gente que ainda não tem carro é uma mão na roda. Mas são só essas as vantagens.

Vamos ao parágrafo das lamentações (como se os anteriores tivessem sido muito felizinhos, né? rs): a carne é caríssima! Percebemos hoje que a carne que temos comprado só pode ser de terceira, porque vimos uma bandeja premium, com dois pedaços de carne pela bagatela de 400 dólares – tem noção???

Isso faz até o resto parecer barato: um melão por 24 dólares, cada laranja por 2, cada banana por 1… Só não fica pior porque não existe variedade de fruta. Ah não, esqueci, o blueberry é mais barato que na Austrália (mas na Austrália é bem caro!) e o cogumelo também até que é em conta, mas a couve-flor? Jesustenhapiedade! Meia couve-flor custa 12, mesmo preço que paguei por 6 ameixas. Notem por favor que os preços são todos em dólar americano.

Dói o bolso, dói a cabeça.

E assim foi nosso final de semana-delícia-pré-feriado, hahaha (riso nervoso).

Mas nem tudo é desespero. Na segunda, fizemos um passeio bacana e subimos até o topo da montanha que fica aqui atrás. As crianças reclamaram, claro, mas foi legal. Respiramos um ar mais puro e fizemos algum exercício.

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O que tem me frustrado um pouco é que ainda não começamos a curtir a cidade, não conhecemos nada, não fomos a lugar nenhum. Até sei que tenho muito a conhecer e já tenho até uma listinha que gostaria de cumprir antes da friaca se instalar, mas não é tão fácil quanto parece, especialmente quando se tem uma Oca para cuidar e uma casa ainda para montar (já falei que meus quadros todos estão por pendurar? que o armário da cozinha não fecha? que temos cortinas e prateleiras por instalar? coisas da Ikea para trocar? Carro para comprar? Pois é).

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Hoje já é quarta e faltam apenas 8 dias pro aniversário do Nickito. Acordei já fazendo um bolo para testar o forno e adivinha? Apesar de pequeno ele é o melhor que já tive!!!! Assa que é uma beleza! É de uma uniformidade ímpar, graças à bandeja giratória. Mordi a língua e tô feliz! Coréia acaba de ganhar o primeiro ponto! Ah não, minto! Este foi o segundo. O primeiro fica por conta do leite que apesar de caro é muito bom (não que eu deva beber leite de vaca, né?), faz até nata grossa ao ferver (já falei que ainda estamos vivendo sem microondas? esquentando leite na panela? pois é).

Bom, e se assei bolo foi porque encontrei farinha e fermento, né? Então, a vida, aos poucos, vai entrando na linha.

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Ah, só pra encerrar este longo post: Hoje fomos almoçar no Brasileiro novamente. Comemos até não aguentar mais (rodízio é fogo, né?) e conhecemos uma família de brasileiros que chegaram faz 3 meses e uma portuguesa que mora aqui há 1 ano. Saímos de lá com a promessa de vários mapas da mina 🙂 Inclusive de onde encontrar carne australiana de primeira por um preço mara. Gente, há esperança! 🙂

Bom, vou ver se consigo escrever com mais frequência, para evitar posts infinitos com este.

 

Vuvuzela time!

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Hoje foi dia de estreia da família no estádio coreano!

Fomos assistir a nossa primeira partida do nosso mais novo time do coração, o rubro negro coreano, Seoul FC, que conta com o craque Adriano Michael Jackson, atacante estrela 🙂

Detalhe é que não fazíamos ideia que o time contava com um jogador brasileiro, mas assim que eu bato o olho no outdoor gigante na frente o estádio, tive certeza: “esse cara tem a maior pose de brasileiro”. Não deu outra.

O jogo começou morninho, com um primeiro tempo sem gol. Mas ainda assim, a torcida organizada do Seoul FC tava lá, linda, ensaiada, emocionante de se ver. Deu até uma vontadinha de me embrenhar no meio deles, cantar junto. Me conectei à energia contagiante.

Vivi, coitado, ficou frustrado por não ter aparecido no telão. Da próxima vez, vou fantasia-lo a caráter para aumentar as chances, rs

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O jogo que parecia morno, foi encorpando, o caldo foi engrossando, o primeiro gol saiu da nosso lado e eu, contagiada pela atmosfera, vibrei como se fosse Seoul desde criancinha, rsrs.

Mas foi no segundo gol do jogo que tive certeza, “sim, ele é brasileiro!”. Não só pela ginga, mas pela bandeirinha brasileira solitária na torcida, assim que a bola entrou. Não tem jeito, reconheço brasileiro no ato. Ah, o nome também, Adriano, que o marido leu em coreano 🙂

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Parecia que íamos levar o jogo, colocar o adversário no bolso, mas saiu o terceiro gol, 0 primeiro do adversário. E, quem diria, no finalzinho, no último minuto, empataram com a  gente. Ô sofrência, viu, rs

Mas mais bacana do que o jogo em si foi o contexto, foi ver como as pessoas se comportam, foi ter a experiência de assistir um jogo em família num estádio aqui deste lado do mundo.

Achei tudo muito divertido e organizado. Adorei a torcida organizada, a premiação do intervalo e também o fato deles anunciarem nos telões a hora de usar a Vuvuzela (sempre que o adversário cobrava uma falta ou batia um escanteio): “it’s vuvuzela time!” E todos (inclusive os meninos) obedeciam fervorosamente 🙂

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Talvez melhor do que tudo isso só mesmo a paz para chegar no estádio e sair dele – onde aliás, havia muitas famílias com criança de colo.

Será que um dia o Brasil chega lá? Será que assistir um clássico no Maracanã, na arquibancada comum, sem medo, tranquilinho, será possível um dia. Bom, tô há muito tempo fora do Brasil, mas não acredito que nesses últimos 12 anos a situação tenha melhorado… o que é uma pena, porque, apesar de eu não torcer pra nenhum clube no Brasil, um dos momentos de energia mais contagiante que presenciei foi um jogo do flamengo no Maracanã. A torcida brasileira xinga, muitos não tem educação, nem respeito ao próximo, mas vou te contar, é de uma emoção única, linda! Pena que o medo acompanha toda aquela vibração.

O Brasil que exporta jogadores para a Coréia, deveria importar um pouco da educação e respeito deles.