Comfort food – um pedacinho da Austrália na Coréia

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Comfort food pra mim é aquele que me faz sentir em casa.

Quando saí do Brasil para morar nos EUA, algumas comidas me mantinham ligadas ao ninho, à cozinha da minha mãe: gnocchi, torta gelada de chocolate, frango com laranja, salada de macarrão, farofa carregada, rocambole de carne, pudim de leite, fetuttini ao creme de leite carregado na linguiça calabresa, cebola e azeitonas… Toda vez que eu fazia alguma comidinha do cardápio da minha mãe, me sentia abraçada.

O tempo passou e já com um filhotinho à tiracolo, nos mudamos para Austrália, onde logo nasceu o segundo. Meu cardápio foi mudando, se ajustando a nossa vida, aos novos costumes adquiridos, à exposição às diferentes culturas. Fui criando minhas fusões e  incorporando  novos gostos ao meu repertório de receitas. Mais do que isso, fui mudando alguns hábitos alimentares, trocando, por exemplo, o mamão papaia e o pãozinho francês com queijo minas acompanhado de um copo de ovomaltine ou suco de laranja, por ovos fritos com tomate e espinafre refogados, finalizados com fetta e salmão defumado e acompanhados de uma xícara de chai latte.

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Hoje, pra mim, comfort food é um chai latte bem cremoso e perfumado (ainda não encontrei um boa aqui), é salmão defumado na ciabatta, são ovos bennedict com molho hollandaise, é green curry, é suco de melancia, abacaxi e laranja, é french toast, é minha beringela de forno, meu refogado de abobrinha. Claro que o queijinho minas, o ovomaltine, e todas as comidinhas da mamãe ainda me levam pro ninho de origem, mas tem horas em que tudo o que eu preciso é me sentir em casa, na minha casa, naquela que eu criei e não daquela de onde eu vim. E nessas horas, é meu novo repertório que me abraça.

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Esta introdução longa foi apenas para dar uma noção do quão feliz eu fiquei hoje com nosso brunch no Espresso Haus, um café que serve, segundo ele mesmo anuncia, “homemade australian brunch”. Sério, divino! Me senti em casa. Mais em casa, arrisco dizer, do que se tivesse ido a uma churrascaria. E olha, hoje eu realmente estava precisando disso.

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Tudo o que pedimos estava delicioso – aliás, até agora, todos os restaurantes e cafés que fomos, seja qual for a origem, são nota 10, impressionante. Pra completar, assim que sentamos, coincidentemente começou a tocar MPB nas mais suaves e lindas vozes. Morri de amores instantaneamente. Comida boa, música boa e ambiente delicioso dentro de um prédio histórico. Reclamar do quê, não é mesmo? Só se for do cansaço extremo que tenho sentido, das tonturas que tive hoje, do estresse que me acompanha e dos ataques do Nick que além de andar nos tirando do sério já há algum tempo, insiste em dizer que não consegue mais ser bonzinho. Mas hoje não vou reclamar, vou apenas agradecer. Agradecer pela comfort food que, por um momento, me levou de volta para minha casa australiana. Amém!

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