Abraçando estranhos

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Ontem à noite, não fizemos fumaça em casa, era simplesmente impossível abrir a geladeira, que dirá preparar o jantar?

Fomos caminhando até nosso mexicano favorito e demos a sorte de encontrá-lo aberto e com uma mesa nos esperando. Mas não é bem este o assunto que motiva este post.

No meio do caminho, vinha uma senhorinha coreana no sentido oposto ao nosso. Ela vinha certeira, como quem traça uma reta e não muda de maneira nenhuma a sua trajetória. Em respeito, chegamos pro lado para ela passar, mas assim que o fizemos, ela mudou sua trajetória e, como um míssel, mirou nos meninos. Conforme foi se aproximando, começou o movimento de abrir de braços tão largo quanto o sorriso no rosto. Foi certeira no Nick, que para minha total surpresa, abriu também os braços e a abraçou como se fossem velhos conhecidos (e quem disse que não são, não é mesmo? vai saber…). Até o Vivi entrou na dança. Ela abraçava, olhava pra eles, abraçava novamente, conversava (sei lá o quê), tentava nos perguntar alguma coisa que não conseguíamos compreender (mais tarde deduzimos que ela estava se apresentando e perguntando nossos nomes, mas nós somos muito tapados na linguagem dos gestos). Durou tanto este encontro e foram tantos os abraços que o marido teve tempo de registrar em uma foto histórica 🙂

O melhor da foto foi o sorriso genuíno do Vivi. O momento foi tão engraçado, tão inusitado que gerou os mais lindos e sinceros sorrisos 🙂

Nos despedimos e seguimos nosso caminho. A fome estava grande!

Mas os encontros culturais não pararam por aí. Mais tarde, voltando do jantar, paramos num café para tomar um chai latte (que, por sinal, não curti) e na saída, enquanto tentávamos pegar um taxi, um cara se aproximou, se agachou perto da gente e, apontando pros meninos, repetiu umas 300 vezes: “big eyes! beautiful! very beautiful!” Estava completamente encantado, não conseguia parar de falar as poucas palavras que seu inglês o permitiam. Esse não era coreano. “not korean, chinese”, ele disse, apontando pra ele mesmo. E, repetindo outras 300 vezes que os meninos eram lindos, complementou: “chinese kids no… very little eyes… your boys: beautiful”. Tentei ainda ponderar que eram belezas diferentes, que eu achava as crianças orientais lindas e tal, mas ele não entendia bem inglês. Ficou por isso mesmo.

Finalmente conseguimos pegar um taxi e voltamos, devidamente abraçados e elogiados, para nosso novo lar que ainda não está doce, mas vai ficar 🙂


Em tempo: Sobre a chegada da mudança, Nickito ficou tão, mas tão feliz em ver seus brinquedos que foi logo oferecendo papazinho. Outro momento sem preço foi ver seu reencontro com o xbox, que ele não jogava havia mais de dois meses, porque ainda na Austrália eu vetei, por motivos de mal comportamento. Aos pouquinhos, a vida vai ficando melhor.

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