Descobertas, estresse e junkfood

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Hoje pela manhã, descobri que desde ontem vinha lavando as mãos com pasta de dentes. Ontem, estava tão cansada que não notei, mas hoje pela manhã, já descansada, percebi que a o sabão fazia pouquíssima espuma e tinha um cheiro forte de menta. Fui olhar de perto e vi um desenho de uma escova de dentes. Tá explicado! rs

Anyway, as metas do dia eram duas: dar entrada no tal do alien card e passar em nossa futura casa para conferir o espaço, entretanto, como saímos de casa já tarde e paramos para comer, o alien card acabou ficando para amanhã.

Paramos para comer num lugar que é a minha cara (só que não): Dunking Donuts (não, não almoçamos donut, foi sanduíche mesmo, ruinzinho toda vida). “Mas por que, Erica, vocês almoçaram no Dunking Donut??” Por que eu sou minoria nessa casa e ainda estou sem forças, nem cabeça para lutar contra. Tudo o que eu tento evitar a todo custo é comer nesses junk places (Mc Donalds, Burger King, Subway, Dunking Donuts…) mas diante das circunstâncias, estou evitando confrontos, porque o estresse já está fortemente presente, pairando sobre nossas cabeças. Resultado? Passo mal duas vezes, de duas maneiras: de “raiva” por ter comido porcaria que nem gostosa é, rs e da barriga, porque é automático, basta comer esses junks que meu estômago incha, dói, um horror.

O bom é que o marido está começando a compreender e, mais do que isso, a não querer desperdiçar uma refeição comendo porcaria. Como ele mesmo diz, seus gostos estão ficando mais sofisticados (thank God!), rs

Tenho certeza que ainda vamos comer muito junk nesses primeiros dias, pelo menos até termos nos familiarizado com a região ou até termos mais controle sobre nossa comida (ter acesso à cozinha, ao mercado, saber o que comprar, onde comprar). Até lá, que Deus nos proteja e nos afaste dos fastfoods.

Na sequência do brilhante almoço, pegamos um taxi em direção ao nosso futuro apê, já  meio que sabendo o que nos aguardaria. Só que, foi pior, muito pior. O bode na sala era maior, mais sujo e mais fedorento.

A secretária que está nos ajudando neste período de transição já havia nos alertado: melhor vocês não irem lá agora, porque apesar do apartamento estar em boas condições gerais, está sujo, já que o morador anterior acabou de se mudar. Mauricinho pensou: “não pode estar tão ruim assim”. Já eu, fiquei bem preocupada: “se a Jen disse que tava ruim pros standards dela, imagine pros meus!”. Anyway, fomos.

Chegando lá, desde o hall de entrada, minha vontade foi de sentar no chão e chorar (mas não sentei, porque estava muito sujo). E a cada passo que eu dava, a vontade de chorar se transformava em vontade de gritar, de sair correndo, de sei lá…

Além da cafonice que reverberava dentro do apartamento, a sujeira, as coisas espalhadas pelo chão, os colchões empilhados no quarto, armários fora do lugar, vasos de plantas tombados com terra esparramada pelo chão, vaso sanitário sujo, comida podre e mofada na geladeira, pacote de fralda pelo chão, fogão sujo… um verdadeiro purgatório. Mas minha irritação era ainda maior com a breguice dos detalhes decorativos fixos do que com a imundice em si, porque a imundice pode ser limpa, o lixo e o entulho podem ser removidos, mas a breguice está agarrada às paredes, literalmente.

O estresse foi tão grande que saí de lá com os olhos queimando, a boca e garganta secas, a cabeça doendo, os ombros travados. “Que frescura, Erica”. Frescura? Quero ver você saindo da sua casinha na Austrália, limpinha, clean, onde havia espaço de sobra.

O apartamento aqui me sufocou: além da cafonice, o pé-direito é tao baixo que se eu levanto o braço, as pontas dos meus dedinhos alcançam o teto, sem que eu fique na ponta dos pés! Claustrofóbica!

Saí de lá com sangue nos olhos, rs

Mais tarde, de volta ao Airbnb, conversando com nossos hosts coreanos, compreendemos: aqui na Coréia, quando você se muda, o padrão é deixar a sujeira pro próximo limpar. Na Austrália, se você não deixa a casa limpa e linda, eles não devolvem seu depósito. Nós deixamos a nossa mais limpa do que pegamos. E, sinceramente, mesmo que não tivéssemos nos matado de limpar, ainda assim a casa não teria ficado tão suja quanto este nosso futuro apartamento. De doer, viu? 😦

Mas não pára por aí… Disseram pra gente que havia aquecimento e refrigeração no apê inteiro e adivinha? Não há. São quatro quartos (minúsculos, dia-se de passagem) e não há um quarto sequer com ar condicionado, somente uma torre enorme e velha na sala. Sistema de aquecimento não vimos e pensamos, “como pode? como sobrevivermos aos 20 graus negativos no inverno?”. Mais tarde, conversando com nossos hosts, descobrimos que o aquecimento vem do piso. Ufa! rsrsr Tava com tanto sangue nos olhos que nem considerei essa possibilidade. “Menos mal”.

Mas ainda assim, ar condicionado não tem, então, boa sorte pros calorentos, porque o bafo e sinistro no verão! Até o ar que vem de fora é quente. “Ah, Erica, compra ar condicionado pros quartos, né?” É, até é, mas onde eu instalo, se na parede do quarto tem uma decoração lyyyyndra (só que não) que toma a parede inteira??? Aff, viu? Tá difícil ser eu.

Mas vamo que vamo, bola pra frente, porque a alternativa a este apartamento é abrir mão de morar de graça e ter que desembolsar uma grana preta por ano, o que não faz sentido, já que uma das coisas que nos atraíram para a Coréia foi a possibilidade de save money.

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Anyways, saímos do apê estressados e desnorteados. Tão perdidos que nem fome sentimos à noite. Nem fome, nem ânimo para sair, ou seja, hoje não teve jantar, em vez disso, fizemos nossa primeira visita ao mercadinho local, com direito a ter que deixar as compras lá e ir em busca de um ATM pra tirar dinheiro porque o mercadinho não aceitava cartão – fuén fuén fuén. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, tiramos dinheiro, pagamos as comprinhas e voltamos pra casa (cada vez que falo ou escrevo a palavra “casa” me dá um frio na espinha, uma reviravolta no estômago).

Curiosidades do dia:

– Refrigerante e salgadinhos tem gosto diferente. O yakult é horroroso

– Aqui tem muitas cigarras (e pra mim isso é tão Brasil… fazia anos que não ouvia o canto das cigarras). É uma cantoria tão intensa, dia e noite que chega a ensurdecer.

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